RUBENS

Peter Paul Rubens (1577-1640) é o maior nome do barroco flamengo (dos Países Baixos), apesar de ter nascido na Alemanha. Foi pupilo do flamengo Otto van Veen (1556-1629), que lhe incutiu a admiração pelos mestres italianos. Pintou cenas religiosas e mitológicas, fez retratos, paisagens e nus. Todos tecnicamente esmerados e com forte sensação de movimento, expressa nas dobras das roupas e na posição dos corpos, como se vê em Dança dos Camponeses (acima). Suas mulheres roliças se tornaram marca registrada – assim como a violência, presente em O Massacre dos Inocentes (1609-1612). Inspirado na passagem bíblica do assassinato de bebês na Judéia e atribuído por séculos a Jan van der Hoecke (1611-1651), esse quadro foi leiloado em Londres, em 2002, por 76,7 milhões de dólares, quinto preço mais alto já pago por uma pintura.
Sua época
Rubens viveu num período histórico marcado pelo choque entre a ciência e o misticismo. A vida do astrônomo alemão Johannes Kepler (1571-1630), seu contemporâneo e autor das leis fundamentais sobre o movimento dos astros, ilustra bem essa dicotomia. Formado em teologia, Kepler acreditava que o universo havia sido criado por Deus, mas com base na geometria. Os números, para ele, tinham origem divina. Apesar das crenças, seus estudos ajudaram muito na transição da astronomia clássica para a moderna. No auge deles, em 1615, teve a mãe acusada de bruxaria. Ela seria inocentada em 1621, após torturas, e morreria seis meses depois.