Na vida de Amir Slama (41), dono da grife Rosa Chá, amor e trabalho caminham juntos. A marca começou a ser gerada pouco depois do seu casamento, há 20 anos, com a administradora Riva Slama (41). “Éramos novos e precisávamos ganhar dinheiro. Então, pensamos em criar a Rosa Chá. Brinco dizendo que temos dois filhos, Artur e Alex, e uma filha, a grife”, conta Amir, citando os herdeiros de 19 e 16 anos. Formado em História, ele hoje se diverte com as transformações. “Quando estava na faculdade tinha o ideal de mudar o mundo. Mas isso era pretensioso. Então comecei a enxergar a moda como um instrumento transformador, não do mundo, mas da pessoa. Um indivíduo se reinventa com a roupa. De certa maneira, acabei fazendo um resgate dos meus sonhos”, afirma o engajado designer, que preside a Associação Brasileira de Estilistas, fundada há quatro anos com Lino Villaventura (56), Walter Rodrigues (49), Serpui Marie (48) e Alexandre Herchcovitch (37). “A Abest traduz nosso momento de maturidade. Conseguimos mostrar que moda não é só roupa, mas um estilo de vida brasileiro”, afirma. Na Ilha de CARAS, com Riva e Alex, Slama contou sobre a recente palestra que apresentou na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, para 150 alunos do curso de MBA de Estratégia e de Marketing. O convite, feito pela primeira vez a um brasileiro, partiu de um dos reitores, Eden Yin (55), que acompanha o trabalho do estilista há quatro anos, nas semanas de moda de Nova York. “É importante frisar que no exterior as pessoas e a imprensa especializada se importam com a moda brasileira”, festeja Amir.

– Um jornal americano já o chamou de Rei Sol pelo sucesso lá fora de sua moda praia. Isso mexe com o ego?
– Quando saem essas referências ao meu nome, ainda fico vermelhinho, apesar de já ter anos de estrada nesse ramo. Sou um homem extremamente humilde. Não gosto de falar, mas de deixar alguém falar por mim. Acho que me expresso através da criação da roupa. Quando preparo uma coleção, estou de certa forma externando sentimentos e parte da minha timidez no processo criativo. Mas vejo essas denominações como reconhecimento do trabalho que começamos a fazer aqui no Brasil em um momento em que moda praia era vista como algo secundário, exlusivamente ligada ao Rio de Janeiro, por causa da sua localização. E eu sou paulista.

– E qual é a importância da sua mulher, Riva, no seu trabalho?
– Riva é a minha referência feminina. Começamos esse trabalho juntos e ela está comigo o tempo todo, dividimos emoções e experiências. É uma superparceira, discutimos caminhos a seguir em cada coleção. É uma mulher ligada na vida, então é peça importante para me atualizar também.
Riva – Conheço o Amir desde o colégio. Como meu melhor amigo, confidenciava tudo para ele. Até que um dia me deu um estalo e comecei a me interessar por ele.

– Após tanto tempo de casados, ainda há romantismo na relação de vocês?
Amir – Sou muito, muito romântico. Gosto de dar e receber flores em aniversários, datas especiais. A Riva, também. E não abro mão de passar momentos sozinho com ela, viajar em alguns fins de semana, por exemplo. Sempre misturamos muito trabalho e vida pessoal, então existe um destino que eu e ela amamos: Paris. Viajamos para lá várias vezes ao ano e, quando demoramos a ir, sentimos coceiras (risos). Outro lugar que inspira nosso amor é o Rio de Janeiro, uma cidade que é tudo de bom. Não só no sentido romântico, mas de passar momentos muito agradáveis a dois.
Riva – Está pra nascer outro homem igual ao Amir. Ele prova o romantismo em muitas situações, é compreensivo em tudo. Em um desfile, entrou na passarela com uma camisa escrita “I love Riva”. Acho que foi o momento mais romântico da minha vida.

– Os seus filhos se interessam por moda?
Amir – O Alex ainda está no colégio, e o Artur faz faculdade de Cinema há um ano. Nunca forcei ninguém a trabalhar com moda. Mas eles vivem nesse universo. Como eu vivi. O meu pai (Abraham Slama), que morreu há seis anos, trabalhava com confecção.

– É tranquila sua relação com eles, Amir?
– Fui pai cedo, achei que seria tudo calmo. Mas é difícil. A velocidade da vida hoje é grande. Por mais que você tenha uma cabeça aberta, o conflito de gerações é real. Isso quem fala é um pai, digamos, fácil (risos). O mundo ficou mais individualista e complicado.