Doce, simpática e dona de uma beleza ímpar, a gaúcha de Bom Retiro do Sul Raquel Zimmermann (25), destacada como a top mais requisitada do mundo pelo site models. com, recebeu a CARAS para entrevista exclusiva no Hotel Fasano, em São Paulo.

Mesmo após longas horas do voo vindo de Nova York, ela chegou animada para a sessão de fotos e aprovou os looks separados da linha Balneário, nova coleção da Animale, grife que representa há mais de quatro anos no Brasil.

Na cama do seu apartamento, ainda de roupão, antes de se produzir para as fotos, ela falou sobre o início da profissão, as dificuldades e rivalidades da carreira, seu futuro na passarela e planos pessoais, que incluem casamento e filhos com o namorado, o fotógrafo chileno Ruy Sanchez Blanco (36).

– Como foi o início da carreira da top mais requisitada do mundo no momento?
– Tinha 14 para 15 anos e todos na escola em Novo Hamburgo, onde eu vivia, falavam que eu deveria ser modelo, pois era magra e alta. Fui em uma agência, fiz um book e vim batalhar em SP. Comecei a fazer capas de revistas teens e fui descoberta por uma agência no Japão.

– Qual foi a maior dificuldade que enfrentou ao mudar, com apenas 15 anos, para um país tão diferente como o Japão?
– Fiquei lá apenas dois meses. Fui sozinha, sem ninguém da minha família para me ajudar, mas o bom era que as agências de lá cuidavam muito bem de todas as meninas. Mesmo assim, foi um choque cultural total. Direto do sul do Brasil para o Japão. Não sabia falar nem mesmo inglês… Estava acostumada com a comida de casa, churrasco gaúcho, arroz, feijão, essas coisas. Acho que foi duro, mas não foi um trauma. Eu pensava: ‘Isso vai ser difícil! Mas desistir, não’. Tudo era fascinante, e aí comecei a ganhar dinheiro, foi divertido sair para fazer compras.

– Qual a trajetória até se tornar uma top mundialmente conhecida?
– Do Japão fui para a Itália, Paris, Nova York, fiquei viajando sem ter uma residência fixa, participando de desfiles, campanhas e semanas de moda. Em 2000, quando cheguei em Nova York e o Steven Meisel – renomado fotógrafo de moda – passou a me fotografar, foi o boom. Com ele fiz Vogue Itália, Versace, e outros grandes trabalhos. De lá para cá trabalhei, e ainda trabalho, demais, até alcançar essa posição .

– Enfrentou algum tipo de inveja entre as modelos lá fora?
– De forma alguma! As brasileiras, principalmente, são super-acolhedoras com as que estão chegando. Gisele Bündchen e Fernanda Tavares, quando cheguei, me deram a maior força. O que existe é um pouco de disputa entre russas e brasileiras. Brasil e Rússia na moda seria mais ou menos como Brasil e Argentina no futebol. (risos)

– O que mudou em sua vida após a eleição feita pelo site models.com?
– Na minha forma de encarar a vida e o trabalho, nada. Só internamente, como realização. Fico satisfeita em ter conseguido esse reconhecimento. Mas ainda faço dezenas de desfiles em semanas de moda, capas de revistas e campanhas publicitárias. Fiz todos os maiores desfiles na última temporada do exterior: Londres, Nova York e Paris, para Marc Jacobs, Kenzo, Prada e outros. Só não fiz Milão por causa de um projeto de livro com o fotógrafo Juergen Teller. Neste ano vou escolher um pouco mais os desfiles, vou diminuir o ritmo.

– Como é esse novo livro?
– É uma coisa diferente, que não está ligada à campanha de nenhuma grife, fica entre a moda e a arte. Esse trabalho é algo realmente lisonjeiro, pois ele (o fotógrafo) sempre trabalhou com grandes tops, como Kate Moss, por exemplo. Estamos clicando em cenários váriados pelo mundo. Recentemente estive em Paris, fotografando em diversos pontos para o livro.

– Entre tantas viagens e trabalhos, como fica o lado pessoal?
– Estou com o Ruy há sete anos, mas já moramos juntos há cinco, lá em Nova York. Estou sempre correndo para cumprir minha agenda de trabalho, e ele também, porque faz fotos de moda, mas quando conseguimos acertar os compromissos e bater os dias de folga, curtimos muito todos os momentos que estamos juntos.

– Pensam em casamento?
– Agora não. É tão raro termos um tempo nosso, como estava dizendo, que quando conseguimos, não quero gastá-lo organizando festa. Acho que por isso acabamos sempre adiando. O que vale mesmo em uma relação é o sentimento, e na nossa cabeça e nos nossos corações somos mais que casados. Depois de sete anos juntos pareço ainda mais apaixonada pelo Ruy, acredita?

– Fazem planos para filhos?
– Sou nova, estou com 25 anos e ainda estamos naquela fase de se curtir, viver em luade-mel. Claro que a gente quer ter filhos e constituir uma família, é um sonho, mas ainda precisamos viajar juntos, fazer coisas para nós dois. Daqui a alguns anos, com certeza teremos, por enquanto vivemos para nós dois.