READY TO WEAR VERÃO 2008 – BALENCIAGA
Mulher-flor ou mulher-máquina??

Ele, que já foi tão “rock barroco” (verão 2006), para logo depois transformar você numa bonequinha de luxo (inverno 2006), e mais tarde (verão 2007) entrar com tudo numa fase robótica (não, eu não disse robotóxica…), vai passar o inverno 2007 (que começa agora em Paris) dando uma de capitão da Marinha inglesa apaixonado por turista boêmia… Estou falando da moda de Nicolas Ghesquière, é claro, o talentosíssimo, copiadíssimo e invejadíssimo diretor de criação da Maison Balenciaga. Diz pra mim, qual vai ser seu new look next summer 2008?? E a resposta é: HAJA FLORES! Hortênsias robustas, peônias deslumbrantes, narcisos convencidos e “amores-perfeitos” (de preferência!), explodem na passarela. Como? Como? Isso mesmo. Trata-se de uma grande virada, queridinha. O ecletismo boêmio já era, até porque eu não agüento mais ver aqueles foulards palestinos pendurados em todos os camelôs de Paris… Então, agora você vai entrar numa new geração de modelitos, “quasequase” pequenas estruturas anatômicas fazendo clima “flower power”, ombros “incríveis”, cinturinhas espartilhadas, quadris estufadinhos que lembram anquinhas em linguagem reciclada. Enfim, os volumes são gráficos, como seria a funilaria de carros esportivos (UAU!), com direito a chuleados gigantes, superfícies esculpidas (graças à estrutura de espuma), dobras sinuosas e bainhas cortadas por máquinas high-tech. Vai pegar? Não vai pegar?? Trata-se de uma idéia forte, corajosa, mas… pega, sim. Haverá – como sempre – gente na lista de espera, brigando por uma enorme hortênsia. Afinal, depois que os leggings robóticos (capricho mais caro, impossível), viraram objeto de desejo ninguém duvida mais de nada. Darling, esse mercado existe e… insiste. Fofoquinha: parece que Nicolas Ghesquière odeia quando as (os) stylings desmontam seus looks e usam “pedaços” em outras produções. Vai daí que desta vez tudo é ensemble, tipo conjuntinho inseparável, prato feito fashion, para pessoinhas sem imaginação. Quem entra nesse “rebanho”? Eu caio fora.
FOTOS: MARCIO MADEIRA