por Luciana Marques
Um ano de reflexão, longe da TV e dos flashes. Esse foi o tempo necessário para Priscila Fantin (24) se reencontrar. A atriz, que iniciou a carreira na Globo em 1999, em Malhação, queria repensar a vida. “Dei essa parada depois de Alma Gêmea para fazer um balanço de tudo. Novinha já trabalhava e tinha uma série de responsabilidades. Agora, nas férias, pude observar melhor o que faltava para encontrar o equilíbrio”, disse ela, a rica e mimada Beatriz de Sete Pecados, em passeio por Bariloche, na Argentina.
A charmosa cidade da Província de Rio Negro, na Cordilheira dos Andes, acolheu Priscila e alguns de seus colegas da trama das 7, como Reynaldo Gianecchini (34) e Giovanna Antonelli (31), para a gravação da novela. Os cenários paradisíacos, como a bela Isla Victoria, localizada no Lago Nahuel Huapi, e o contato com a neve na estação de esqui de Cerro Catedral remeteram a atriz a uma época especial. “Com 11 anos estive aqui. Foi maravilhoso porque era a primeira vez que saía do Brasil. E naquele ano a neve chegava na altura das pernas. Incrível”, contou ela.
A nova fase de Fantin inclui ainda a prática regular de yoga. Uma atividade que realça a beleza da atriz. “Há quatro anos tenho o mesmo peso: 57 quilos (ela mede 1m70 de altura). Não sou tão magrinha como as pessoas alardeiam”, afirma. Já sobre o romance com o ator Duda Nagle (24), que na novela vive o seu irmão, Priscila mantém o silêncio. No fim do ano passado, ela havia rompido o namoro de dois anos e meio com o estudante de turismo Rafael Paiva (25). “Para valorizar os relacionamentos e superar as adversidades, primeiro temos que aprender a conviver com a gente mesmo. É preciso valorizar os momentos solitários, eles nos fortalecem”, explica ela, recém-recuperada de uma infecção nos rins que a afastou por seis dias das gravações.
– Acredita em casamento?
– Acredito em ‘encontro’ de uma maneira construtiva, com troca de conhecimentos que nos impulsione a um crescimento.
– Qual o homem ideal?
– Ah, tem que ser ético, discreto e muito bem-humorado.
– Sua personagem, Beatriz, é do tipo que toma a iniciativa na hora da conquista. E você?
– Prefiro quando o interesse é mútuo, assim a iniciativa torna-se natural em ambos.
– Você ficou um ano longe da TV. O que fez neste período?
– Comecei a trabalhar na Globo quando tinha 16 anos. E sempre recusei outros trabalhos, como cinema, por exemplo. Eu priorizava as novelas. Tinha pouco tempo para mim e para meu crescimento profissional. Nesse período de férias pude avaliar minha vida, observar melhor o que faltava. Precisava de reflexão e reclusão, foi como me reencontrei. Tanto que no segundo semestre aceitei participar do filme Orquestra dos Meninos, uma história verídica sobre a luta do maestro Mozart Vieira para usar a música como fator de inclusão social no Nordeste brasileiro. Um argumento lindo que me tocou profundamente.
– Você anda mais reflexiva?
– O yoga ajuda, é uma filosofia de vida. Com ela, ganhei conscientização espacial e corporal. E isso leva ao conhecimento, ao encontro comigo mesma. São metas como a não-violência, viver a ética, se relacionar com a natureza.
– Isso ajuda no plano físico?
– Acho que estou bem. Há quatro anos tenho o mesmo peso e gostei do novo corte do cabelo para a personagem. Talvez essa seja a mudança mais radical. E fazer um trabalho com prazer sempre nos deixa para cima e até mais bonita.
– Gostaria de mudar algo?
– Nada. Temos que aprender a valorizar o corpo com nossos limites.É uma auto-aceitação.
– Como está sendo trabalhar em Bariloche?
– Não é fácil gravar no frio. Mas a equipe teve uma agilidade incrível. O relacionamento do elenco é ótimo. Formamos um grupo solidário. E a melhor surpresa foi o Pietro (de 1 ano, filho de Giovanna Antonelli). Nos identificamos muito.
– O que te encanta na cidade?
– Em 1995 estive aqui com minha melhor amiga e os pais dela. E naquele ano tinha nevado mais do que o normal. Brincavámos com esqui-bunda. E a neve parece mágica. O mundo ao redor fica branquinho, os carros, telhados, árvores. É uma sensação de fantasia. E os chocolates? Deliciosos. Lembro que trouxe uma caneca para minha mãe, Silvana, que ela usa até hoje para tomar chá e está escrito: ‘Para que lo use solamente Silvana’.
– Você é jovem, bonita e conquistou o sucesso. O que falta?
– O sucesso é relativo. Às vezes ele está ligado a um momento específico, ao trabalho que estamos realizando. E também tem a ver com a postura diante da vida. No momento, só saberia dizer que o que me falta seria poder não encontrar mais tanta criança na rua.
– Cite o seu maior pecado e a sua maior virtude.
– Virtude, a tolerância. Procuro exercitá-la sempre. E, pecado, a gula. Sou gulosa diante da vida, gostaria de conhecer mais, ter mais tempo para estudar, viajar…
FOTOS: JOÃO MIGUEL JR./TV GLOBO