Por que os pais precisam guardar sangue de cordão umbilical do filho
Guarda-se sangue de cordão há seis anos no país. O objetivo é ter à disposição células-tronco, aquelas que são capazes de produzir os 216 tipos de células formadoras dos tecidos humanos. Já se começa a tratar com elas de doenças como leucemia, anemias malignas e outras. A guarda de sangue de cordão é indicada especialmente aos pais que têm história de tais doenças na família.
Retira-se e guarda-se sangue de cordão umbilical para se ter à disposição célulastronco, aquelas que são capazes de, ao se dividir, produzir qualquer um dos 216 tipos diferentes de células que formam o organismo humano. Faz-se isso há 20 anos no mundo e há seis no Brasil.
Tudo começou em 1945. A explosão da bomba atômica pelos Estados Unidos em Hiroshima e Nagasaki, no Japão, na II Guerra Mundial, fez com que muitos dos descendentes dos atingidos passassem a desenvolver leucemia, câncer da medula óssea. Por isso, em 1968, uma nova terapia foi usada para tratar esses doentes. Feito pela primeira vez, o tratamento consistiu no transplante de medula óssea – células-tronco do adulto -, ou seja, elimina-se a medula doente do portador de leucemia por quimioterapia e implanta-se nele a medula retirada de um adulto sadio.
Vinte anos mais tarde, a médica francesa Eliane Gluckman usou, também pela primeira vez, células-tronco do sangue de cordão umbilical para os mesmos tratamentos que se faziam com as da medula de adultos, ou seja, de leucemia e outras 50 doenças do sangue, como linfomas, anemias malignas e mielodisplasias. Isso ocorreu porque se descobriu que o sangue do cordão umbilical do bebê tem enorme quantidade de célulastronco mais jovens e ativas do que as retiradas da medula óssea de adultos com 30, 50, 70 anos.
A célula-tronco mais potente que existe é a embrionária, ou seja, aquela que surge a partir da primeira divisão que ocorre após o espermatozoide fecundar o óvulo. É ela que desenvolve todo o bebê por 39 semanas. Mas o uso de células embrionárias é polêmico. Políticos e religiosos vetam sua utilização por serem consideradas embriões em potencial. No Brasil, o Supremo Tribunal Federal autorizou o uso delas em pesquisas em fevereiro de 2008. Quando o bebê nasce, as células-tronco do sangue de seu cordão umbilical são as mais próximas das embrionárias, além de serem mais numerosas e mais potentes para os tratamentos. Elas são preservadas pela criogenia – ciência da conservação de células vivas por meio do frio – e, assim, podem ser usadas quando se precisar delas, isto é, anos mais tarde.
Hoje se pesquisa o uso de células-tronco do cordão no tratamento de cerca de 300 doenças e os resultados têm sido muito bons. Ainda não se sabe como direcionar as célulastronco para o local do organismo onde está a doença. Atualmente elas são injetadas na corrente sanguínea e pelo menos uma parte chega ao localalvo, repara os tecidos e diminui os danos.
A guarda das célulastronco de cordão é importante em especial para pais com histórico na família de doenças cardíacas, diabetes, doenças auto-imunes e do sangue, entre outras.
Caso queiram fazê-lo, devem procurar um banco. Há dois bancos públicos no Brasil – um no Instituto Nacional do Câncer, no Rio de Janeiro, e o outro no Hospital Albert Einstein, em São Paulo – e 12 privados, sendo quatro em São Paulo, dois no Rio e um em Belo Horizonte, Vitória, Curitiba, Porto Alegre, Cuiabá e Fortaleza. No setor público, o serviço é gratuito; na esfera privada, pago. O preço médio de coleta, processamento e congelamento é de 3600 reais. Paga-se ainda a anuidade de 550 reais. O ideal é que os pais analisem pelo menos três bancos para escolher o que atende melhor às suas expectativas e se encaixa em seu orçamento.