Pelas estatísticas, as mulheres têm mais enxaqueca do que os homens

Cerca de 20% da população sofre com essa síndrome, cujo principal sintoma é dor de cabeça. Ela ocorre igualmente em meninos e meninas até os 12 anos. Quando a mulher passa a menstruar, a prevalência se torna maior nelas. A enxaqueca compromete a qualidade de vida do portador. O ideal é consultar um neurologista à primeira indicação, pois é possível controlá-la.

Deusvenir de Souza Carvalho
Deusvenir de Souza Carvalho

Enxaqueca é uma síndrome, ou seja, um conjunto de sintomas e sinais. O sintoma mais freqüente é uma dor de cabeça com características próprias. Normalmente ela aparece numa metade da cabeça. Pode ocorrer de um lado numa crise e mudar de lado na outra. A dor é pulsante e tem duração limitada, em geral 4 a 72 horas. O portador costuma ficar irritado, mal-humorado e com as funções mentais perturbadas. Fica também mais sensível à claridade, ao barulho e a cheiros, tem náuseas, às vezes até vomita. Não quer fazer nada, pois qualquer atividade piora a dor.

Por volta de 20% dos portadores apresentam também um fenômeno neurológico chamado “aura”. Antes, durante ou isoladamente, eles têm momentos de alterações visuais do tipo pontos brilhantes, linhas e cores ou perda de metade da visão. Ocorrem ainda formigamento, perda da sensibilidade ou fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para articular as palavras e vertigem. Essas características às vezes diferem um pouco nas crianças. A duração do quadro é mais curta, os vômitos são mais freqüentes, as alterações de aura podem ser menos características. Nelas a enxaqueca pode ocorrer dos dois lados.

A síndrome atinge adultos e crianças de ambos os sexos. As estatísticas indicam que 20% da população sofrem com ela, sendo 6% homens e 14% mulheres. O problema ocorre igualmente em meninos e meninas até os 12 anos. Quando a mulher começa a menstruar, a prevalência se torna três vezes maior nelas, possivelmente por influência dos hormônios.

Não se sabe a causa da enxaqueca. Como tem traços familiares, é provável que haja um fator genético. Constatou-se também que os portadores têm maior sensibilidade cerebral aos estímulos, que a química e a circulação de seu cérebro são diferentes das pessoas comuns.

A enxaqueca compromete bastante a qualidade de vida dos pacientes. Nos períodos de crise, ou eles desenvolvem suas atividades de maneira precária ou simplesmente as interrompem. E mais: pesquisas na Unifesp e em outras instituições mostram que a doença compromete as funções cognitivas, como raciocínio, atenção e memória. Há evidências de que, mesmo fora das crises, essas pessoas não têm um desempenho mental muito bom. Mas compensam isso com uma dedicação extrema a tudo que fazem.

Portadores de dor de cabeça devem evitar a automedicação, sobretudo se combate só os sintomas. O uso constante de analgésicos, por exemplo, pode até agravar o quadro, tornando a dor crônica. Homens, mulheres e crianças que se queixam de dor de cabeça que pareça enxaqueca devem ser avaliadas por neurologista (boa alternativa ao escolher um médico é consultar o site da Sociedade Brasileira de Cefaléia: www.sbce.med.br). O diagnóstico é clínico. É importante descartar outras doenças que tenham dor de cabeça entre os sintomas, como sinusite e problemas oftalmológicos.

Há duas vertentes de tratamento de enxaqueca: o sintomático, para alívio da crise, e o preventivo. Nos dois casos existem propostas medicamentosas e não medicamentosas. Para as duas vertentes há remédios antigos e novos, que são escolhidos segundo as características de cada paciente. Além disso, é importante tratar de doenças concomitantes, como a depressão e a ansiedade, e orientar o paciente a evitar os fatores desencadeantes ou que agravam o quadro, como consumo de café ou chocolate, estresse e exagero em bebida ou no tabagismo.