Paulista vai ao Miss Universo representar Canadá

Pode parecer estranho, mas a representante do Canadá no Miss Universo 2009 é uma brasileira. Mariana Valente ganhou o Miss Canadá, em cerimônia realizada no dia 16 de maio, em Toronto. Representando Richmond Hill, ela venceu 56 concorrentes. Paulista da cidade de São José dos Campos, interior de São Paulo, ela mora há 12 anos em Toronto. Em 1997, o pai, que era funcionário da Embraer, conseguiu um emprego na Bombardier, empresa que fabrica aeronaves. Com os pais e os dois irmãos mais velhos, Mariana se mudou para um país com língua e cultura diferentes e foi construir sua carreira. Àquela época, porém, Mariana, uma pré-adolescente cheia de inseguranças, não imaginava que certo tempo depois, aos 23 anos e com cidadania canadense, disputaria, pelo país, o título de Miss Universo 2009.
A cerimônia acontece no dia 23 de agosto, nas Bahamas. Em conversa pelo telefone com o Portal CARAS, Mariana falou da rotina de uma miss, do sonho de se tornar professora e da expectativa para o Miss Universo. Leia abaixo:
– Como foi sua trajetória até chegar ao Miss Canadá?
– Sempre gostei muito deste universo de miss. Adorava tirar foto. Antes de entrar no mundo das competições, fiz alguns trabalhos por conta própria. Aqui no Canadá existe um site em que modelos e fotógrafos profissionais se encontram. Lá, criei o meu próprio book e fiz alguns trabalhos por conta disso. Mas em 2005 tudo começou de verdade. Estava em um bar e uma pessoa me convidou para participar do Miss Brasil no Canadá. Fiquei entre as 15. E, em 2007, participei do Miss Latina Canadá, e ganhei o título.
– É estranho pensar que, no dia 23 de agosto, você estará no concurso de Miss Universo, representando o Canadá?
– Sempre pensei em representar o Brasil no Miss Universo, mas já estou aqui há bastante tempo. O Canadá se tornou o meu segundo país. Mas é muito bom porque muitos brasileiros têm dito que o Brasil terá duas representantes no Miss Universo, a brasileira e a disfarçada de canadense (risos).
– E você sente preconceito aí no Canadá?
– Não. O Canadá é um país que recebe muitos imigrantes. No concurso, por exemplo, muitas outras meninas eram imigrantes ou filhas de imigrantes. É um país que tem uma diversidade enorme.
– E para participar do concurso era obrigatório ter a cidadania?
– Eu não sei direito, mas sei que todas as 57 meninas participantes ou eram canadenses ou tinham a cidadania.
– Você já se sentiu feia?
– Acho que toda menina já passou por uma fase de insegurança. Quando me mudei para cá, tudo foi muito difícil. A única coisa que eu falava em inglês era “eu não falo inglês”. Nessa fase, tive muita insegurança. Tudo ganhou uma dimensão bem maior do que a real. Aos poucos, foi passando. Comecei a estudar inglês. Hoje é fluente. E me adaptei à rotina e à realidade daqui. Fiquei mais segura.
– Qual dica você daria para as meninas que se sentem feias?
– Gostar de si mesma é o grande segredo. Quando nos sentimos bonita e poderosa, todo mundo nos acha também. Mas o importante é como a gente se sente e não como os outros nos vêem. Nunca podemos esquecer também não existe só a beleza física, mas sim os nossos valores, as nossas ações. Isso pode e deve ser muito mais bonito do que qualquer outra coisa.
– E para as que, como você, querem ser miss?
– Nunca deixem de sonhar e seguir um bom motivo para querer ser miss. Quando temos um foco e sabemos o que queremos, os nossos sonhos são muito mais fáceis de serem realizados. Ser miss pode ser uma oportunidade ótima quando pensamos no que nos podemos fazer para os outros usando o título.
– Quando você ouviu o seu nome no final do Miss Canadá, qual foi a sua reação?
– Fiquei muito surpresa. É claro que eu entrei no concurso querendo ganhar, mas quando chamaram o meu nome fiquei muito surpresa. Foi uma mistura de sentimentos porque você sabe que a vida vai mudar muito dali em diante.
– E o que mudou, desde então?
– Eu não paro mais. A minha sorte é que entrei de férias da faculdade dois dias depois que ganhei o concurso. Já fui para Miami, para a Colômbia e para o México. Desde que ganhei, estou o tempo inteiro dando entrevistas, tanto aqui no Canadá, quanto para a mídia estrangeira.
– O assédio da mídia te assusta?
– Não me assusta, não. Todo mundo tem sido muito gentil comigo. Sinto o carinho das pessoas quando elas falam comigo. E quando leio as notícias, como as que têm saído no Brasil, percebo que as pessoas escrevem coisas boas.
– E como é a sua rotina?
– Agora, por conta da preparação para o Miss Universo, tenho tido uma rotina semanal de exercícios físicos, cuidados com a alimentação, além de fazer os cursos de maquiagem e cabelo. Com o personal trainer, faço exercícios pelo menos quatro vezes por semana. Mas sou magra de ruim. Como de tudo. É claro que agora, por causa concurso, tenho tido mais cuidado. Uma salada, com uma carne e arroz é a minha alimentação diária. E eu gosto de uma alimentação mais saudável. Não sofro por isso.
– E como fica a vida pessoal?
– Quando estou viajando, fica em segundo plano. Mas aqui em casa, em Toronto, tento fazer tudo que sempre fiz. Continuo namorando, saindo para dançar, jogando vôlei e a faculdade. Curso Letras, com ênfase em francês, na Universidade de York. E também participo de um programa da Early Childhood Education , que estuda o desenvolvimento infantil. Adoro crianças e por isso quero me formar para ser professora.
– E o seu namorado? Tem ciúme?
– Não. Ele me apoia muito, e tem um baita orgulho de tudo que tem acontecido. Namoramos há sete anos. Ele é brasileiro também, e mora aqui há bastante tempo.
– E o que você acha de cirurgia plástica? Já fez alguma?
– Nunca fiz, e por enquanto não está nos meus planos. Mas não descarto a possibilidade de, no futuro, me submeter a alguma. Não sei o que pode acontecer com o meu corpo daqui a uns anos. Não tenho preconceito.
– Como é o padrão de beleza no Canadá?
– Aqui é um pouco diferente porque há uma diversidade muito grande. No Canadá, por conta da imigração, a beleza não tem regra. A beleza é mais livre. Não há definição.
– E o que a miss representa para o seu país e para o mundo?
– A miss serve de exemplo. E tem que de ter um propósito. O meu, desde que eu me inscrevi no concurso, era continuar ajudando as crianças que fazem parte da instituição da minha família no Brasil, o BASE (Brazilian Association for Social and Educational Support), que tem como objetivo ajudar crianças carentes no Brasil. Arrecadamos fundos e os transferimos para a Associação Casa da Criança e do Adolescente de Caxambu, Minas Gerais.
– E para você, o que te fez ganhar o Miss Canadá?
– Acredito que tenha sido esse meu propósito. E, além disso, eu estava lá para curtir todo o processo. Quero aprender o tempo todo. Quero aproveitar tudo que essa experiência tiver para me dar.
– Qual é a sua expectativa para o Miss Universo?
– É a mesma que existia em relação ao Miss Canadá: aproveitar cada minuto, curtir cada momento e aprender muito.
– Você tem alguma pessoa como inspiração?
– Tenho. O nome dela é Anna Maria Souza, uma brasileira que faleceu em 2007 vítima de câncer. Ela é idealizadora do Brazilian Carnival Ball, um evento realizado há mais de quarenta anos aqui no Canadá para ajudar instituições do Brasil e do mundo inteiro. Todos os anos há um jantar, com um baile de gala de carnaval, para cerca de dois mil convidados. É uma festa muito divertida e animada. O samba é que dita o ritmo de todos que participam.