OS SENTIMENTOS RENOVAM OLIVIER ANQUIER
Boulanger assume a cidadania brasileira e diz que já mora com Adriana Alves
O entusiasmo e o encanto que sentiu quando desembarcou no Brasil há quase 30 anos – na primeira viagem de férias que fez com seu próprio dinheiro -, ainda fazem parte do dia-a-dia de Olivier Anquier (48). Terceira geração de uma família de boulangers (padeiros) franceses, ele acumulou uma série de conquistas após conviver com os brasileiros.
Primeiro, transformou o pão em um produto nobre e conquistou a mídia com seu trabalho. Olivier teve filhos cariocas, Julia (15) e Hugo (10), da união com Débora Bloch (44), e ano passado obteve a cidadania. “Já posso dizer que tenho orgulho de ser brasileiro”, comemora.
No Arelauquen Lodge, em Bariloche, durante a temporada de inverno de CARAS, o boulanger conversou sobre as últimas façanhas: o espetáculo Olivier, Fusca e Fogão, o lançamento de mais um livro de receitas, o Diário do Olivier: Cozinha Brasileira, e o namoro com a atriz Adriana Alves (31), que fez a Condessa de Duas Caras.
– Como está o namoro?
– Já moramos juntos e completaremos um ano de relação no dia 20. Adriana é uma mulher sensacional. Estamos felizes e, se hoje meus olhos estão brilhando mais, certamente ela é a responsável.
– Por que tirou a cidadania?
– Documentei minha paixão pelo país. É uma decisão que precisa ser muito sincera, implica em abrir mão dos privilégios legais e fiscais que protegem os estrangeiros residentes aqui.
– Além dos temperos exóticos, o que mais seduz no Brasil?
– Quando cheguei, em 1979, sem falar o idioma, me deparei com cultura e bom humor muito diferente de tudo que vivi até os 20 anos, sendo 10 como interno em um seminário jesuíta.
– O trabalho de padeiro é reconhecido?
– Fui bem recebido e consegui prestígio com o pão, até então um mero complemento alimentar. Há 10 anos, o brasileiro não tinha o hábito de freqüentar padarias. Hoje o pão é nobre.
– Você está em cartaz com uma peça, virou ator?
– Não sou e nunca serei ator. Sou um contador de histórias. Não sei interpretar e sou incapaz de decorar texto. No palco, sou eu mesmo. Não é um espetáculo teatral, mas uma performance culinária. Faço uma receita diferente por apresentação, o público interage, vira uma reunião de amigos.
– Qual o prato brasileiro mais surpreendente?
– O mais fascinante é o tacacá. Para mim, o mais brasileiro, tanto pela origem amazônica como pela criação. Usa o caldo do tucupi extraído da mandioca branca. Da intervenção européia veio o camarão seco, que é como os nativos conservavam os alimentos. E ainda usa o jambu, erva típica amazônica.
– Como foi reencontrar o frio em Bariloche?
– Adoro inverno e o contraste com o verão energiza o corpo. CARAS me proporcionou uma volta ao clima europeu e ao esqui, meu programa de moleque.