OS SEGREDOS DA RELACÃO DE CALLONI E ILSE

Em Gramado, eles contam que vão lançar um livro com o filho, Pedro, em 2009

Afinidade cultural é um ponto de grande importância no casamento de 16 anos do ator Antonio Calloni (46) com a jornalista Ilse Rodrigues Garro (47). Também escritores – ele lançou recentemente Paisagem Vista do Trem, seu 2o livro de poemas, enquanto Ilse ainda celebra a publicação de Catador de Folhas e Olhos Portugueses -, eles já observam no filho, Pedro Antonio (14), o encanto pela arte.

“Temos a facilidade de deixar a vida nos inspirar e lemos bastante, o que para a escrita é fundamental. Transmitimos isso para o Pedro, o que nos deixa felizes”, reflete Calloni, que já publicou duas obras de contos e um romance.

Na companhia de sua família, ele assistiu à exibição do filme Dias e Noites, no 36o Festival de Cinema de Gramado, com estréia nacional nesta sexta, 31. E, em janeiro, poderá ser visto também na novela Caminho das Índias, próxima trama das 8 da Globo, interpretando o advogado Ciro. “É um personagem sem escrúpulos. Ele acoberta as maldades do filho e tem princípios machistas que eu considero deploráveis. Suas ações vão gerar uma discussão sobre a impunidade. Mas ele também tem humor. Vai ser engraçado”, vibra.

Na TV, os fãs do ator vão poder conferir o resultado da fase mais saudável que ele está vivendo. Nos últimos cinco meses, Calloni perdeu 20 quilos. Após atingir 107, seu peso máximo, ele tem, agora, 87 em 1m78.

– Você decidiu emagrecer pela questão estética ou pela saúde?
Calloni – O principal motivo foi a saúde, para ter disposição. A idade vem chegando, então devo me cuidar. E estou me sentindo bem. Fiz uma reeducação alimentar aliada a exercícios com orientação médica. Não existe fórmula mágica. É fechar a boca. Aprender a comer quando é necessário, não mais que o essencial e em espaços de tempo curtos. Continuo comendo de tudo, com exceção de pão e biscoito, que tirei totalmente do cardápio. E nada de fritura ou refrigerante no dia-a-dia. Já fiz isso outras vezes. Em casa, normalmente, temos uma alimentação balanceada, com muita salada, legumes, peixe fresco. Agora, é tentar manter o peso atual, que está ótimo.

– Ilse, você foi a grande incentivadora dessa dieta? Ilse – Apoiei, é claro. A saúde é o que interessa. De toda a maneira, adorei. E o vejo mais bonito.

– A paixão pela literatura é uma das afinidades entre vocês. Quais são as diferenças e como vocês fazem para lidar com elas?
Calloni – No nosso caso, tanto as afinidades quanto as diferenças são bem-vindas. De alguém tão próximo, um olhar diferente sobre as coisas nos ajuda muito. Temos afinidades fortes no que diz respeito ao caráter, à criação de uma família e à visão geral do mundo, do que pretendemos construir ao longo da vida. Por outro lado, somos diferentes nas relações diárias. Ilse é bem mais extrovertida e sociável, faz amizades com facilidade, é mais agitada, ansiosa. Eu fico na minha. Sou mais calado, tímido, demoro a me soltar. Somos pacientes e impacientes sempre em situações diversas. Isso é bom porque, quando um já está quase se descontrolando, o outro chega para tranqüilizar. Mas a nossa maior diferença é que eu adoro ver programas sobre vida animal e ela detesta. Acaba sobrando para o controle remoto (risos).

– E qual o programa ideal?
Calloni – Vamos muito ao cinema, ao teatro, encontramos os amigos. E nunca deixamos de lado a busca e a renovação do nosso prazer, que é fundamental para a relação. Nossas bocas já têm uma longa história de beijos, e de alguns impropérios também, por que não?, mas são capazes de manter um vigor na poesia, no corpo e no amor. Mas nosso programa ideal é mesmo viajar. Mal acabamos uma, já estamos pensando na próxima. Ao longo do tempo, vamos modificando um pouco o roteiro. Quando fomos a Viena, Praga e Budapeste, por exemplo, nossa idéia era ir à Alemanha.

– Já programaram a próxima?
Calloni – Uma viagem longa, agora, é difícil, pois terminei de gravar Beleza Pura e emendei com a novela da Glória Perez. Mas está ótimo assim. Eu estou muito feliz em voltar a trabalhar com a Glória e o Marquinhos (Schechtman, diretor). E tenho outra paixão: pescaria. Quando posso, pratico pesca oceânica. Acordo às cinco da manhã e só volto no fim do dia, com peixes deliciosos para a família. Nas próximas férias do Pedro, vou levá-lo pela primeira vez.

– Você e Ilse pensam em desenvolver um projeto juntos?
Antônio – Quando lancei meu primeiro livro de poesias, A Ilha de Sagitário, pedi a ela que escrevesse a orelha. Não só porque conhecia bem o meu trabalho, mas porque também é uma excelente poeta. Agora, neste ano, quando a Ilse publicou Catadora de Folhas e Olhos Portugueses, ela me pediu que eu escrevesse a orelha. Ou seja, estamos no trabalho um do outro através de ‘orelhadas’ (risos).
Ilse – Quero fazer um aparte. Quando pedi ao Antonio para escrever a orelha do meu primeiro livro, não foi para retribuir. É que eu sabia que ele gostava de muitas poesias que estão ali e, mais do que tudo, queria que estivesse presente nesse livro. Antonio foi quem mais me incentivou a publicá-lo. Admiro imensamente seu trabalho como ator e fico ainda mais feliz ao vê-lo escrever cada vez melhor. Considero Paisagem Vista do Trem o seu melhor livro.
Calloni – Brincadeiras à parte, nós temos uma história infantojuvenil escrita por nós dois e pelo Pedro. A criação desse livro foi um processo bem bacana. Vamos lançá- lo ano que vem.