Obeso mórbido é mais suscetível ao câncer e a outras moléstias graves
A obesidade mórbida atinge 3% dos brasileiros. São cerca de 6 milhões de pessoas que, se não reverterem o quadro, terão diabetes, hipertensão, câncer e outras doenças. A causa da obesidade, em 99% das vezes, é a compulsão, por problemas psicológicos, que leva a pessoa a comer demais. O tratamento é sempre multidisciplinar, envolvendo médicos, psicoterapeuta e nutricionista.
Aumentou em todo o mundo o número de obesos. A doença já se tornou um problema de saúde pública. Nos Estados Unidos, por exemplo, 40% da população padecem com ela e no Brasil, 11%. O pior é que aumentou também o número dos obesos mórbidos, pessoas tão gordas que terão doenças graves, diminuindo a sua expectativa de vida.
Diz-se que alguém é obeso quando seu organismo tem mais tecido gorduroso do que magro. É possível saber se um indivíduo é obeso calculando-se seu Índice de Massa Corpórea. Para obtê-lo, basta dividir seu peso (em quilogramas) pela sua altura (em metros) multiplicada por ela mesma. Se se obtém valores entre 18,5 e 24,9, ele está na faixa de peso ideal. Valores entre 25 e 29,9 indicam obesidade em graus variados. E valores superiores a 40 põem a pessoa entre os obesos mórbidos.
A obesidade mórbida atinge 3% dos brasileiros, ou 6 milhões de pessoas. A causa, em 99% dos casos, é a compulsão, seja por ansiedade e depressão, seja por insegurança e outros problemas. A pessoa passa a ingerir de maneira compulsiva alimentos comuns, mas sobretudo industrializados, ricos em gorduras e açúcares. Outras causas ou agravantes são o sedentarismo e as moléstias endócrinas como insificência da hipófise e da tireóide.
As conseqüências da doença são terríveis. Portadores apresentam seis vezes mais risco de ter diabetes, hipertensão, varizes, câncer de mama, de próstata e de útero, derrame e problemas nas articulações. Estão mais suscetíveis também, entre outras moléstias, ao refluxo gastroesofágico e à apnéia do sono.
Mas piores são os problemas psico-sociais. Obesos mórbidos não podem viajar de ônibus nem de avião, pois não cabem no assento. Têm dificuldade para encontrar roupas e calçados. São discriminados no emprego. Hoje, muitas empresas nem os contratam. Enfrentam dificuldade para encontrar e manter parceiros amorosos. Com isso, sua auto-estima despenca e se tornam presas fáceis da depressão.
A primeira coisa que um médico que recebe um obeso mórbido faz é conversar com ele para traçar um histórico de seu quadro. Pede em seguida exames laboratoriais para verificar se já tem doenças como diabetes e outras. Ao mesmo tempo, o encaminha ao psicólogo para que diagnostique seus problemas e veja até que ponto motivam a situação em que se encontra. Encaminha, enfim, a um endocrinologista, para afastar doenças como insuficiência da hipófise e da tireóide, e ao nutricionista, que traça um histórico de sua nutrição e de seus desvios alimentares.
De posse desses dados, o médico analisa com o paciente o quadro traçado pelos especialistas. E, em função deles, propõe a terapêutica. O tratamento de obesidade e, claro, de obesidade mórbida, é sempre multiprofissional, envolvendo médicos, psicoterapeuta e nutricionista. Se não se fizer assim, o tratamento pode não dar certo, até com risco de vida.
Já a diminuição do estômago por cirurgia é um apoio para que o paciente mude seu comportamento alimentar sem muito sofrimento. Há varias técnicas, cada uma com indicação específica de acordo com o paciente. O procedimento de menor risco é a banda gástrica ajustável, mas há também as cirurgias clássicas, mais agressivas. Buscam fazer com que o paciente tenha menos fome, absorva menos e precise comer menos. É só uma parte do tratamento e não dispensa as outras. É essencial ainda que passe a praticar atividade física regularmente.