Você percorreu, nostalgicamente, a edição número 1 e terá notado que algumas coisas mudaram. Talvez a mais notória quanto ao conteúdo esteja na área de Seções Fixas. Sim, em seu primeiro ano CARAS tinha quatro áreas de seções em preto-e -branco. Duas sumiram e outras duas sofreram alterações.

As duas seções que desapareceram de nosso mapa semanal foram ÁLBUM e MEMÓRIAS. O Álbum era maravilhoso porque mostrava em imagens, muitas vezes inéditas, uma grande estrela do passado em seus melhores momentos, um documento fotográfico que nenhuma publicação possui, até porque para isso se precisa de muito espaço, muito papel e muito amor pela imagem e total respeito pela história. Já as Memórias seguiam um plano semelhante, só que aí o valor não estava nas imagens e sim no texto. Uma grande personalidade, nunca jovem demais, contava em primeira pessoa sua carreipágina cada. Duas delas já não existem: Poesia e Micropídia. A primeira – sinceramente – precisou sair porque alguns poetas e muitos de seus herdeiros jamais entenderam a seção e quanto ela era importante para a divulgação cultural massiva… e a segunda por dificuldades de realização com alta qualidade informativa e originalidade. A outra parte, normalmente posicionada na segunda metade da revista (nem sempre), tinha SALÃO, HUMOR, REVELAÇÕES, AMOR, CRUZADAS 2 e RANKING. Três delas já não existem: Salão, que era humor escrito, Humor, que era gráfico, “sem palavras”, e Ranking (discos e livros mais vendidos e Teatro e Cinema, os mais vistos). Os dois primeiros foram embora quando os autores de alta qualidade, no estilo procurado por CARAS, também foram embora… A morte do francês Sempé, por exemplo, nos deixou sem seu brilho, ao qual infelizmente ninguém conseguiu se equiparar. O Ranking também oferecia dificuldades de realização estatística precisa – as fontes, quando cruzadas, nunca batiam. E Amor simplesmente trocou de posição: passou à primeira metade, substituindo uma das Cruzadas.

A outra mudança importante no conteúdo nos remete às seções coloridas, no final da revista. De início apareciam, semanalmente, GEO, ANIMAIS, ARTE, MODA E COZINHA, todas em duas páginas, mais um FOCO, que encerrava o volume. Só Moda e Cozinha se mantiveram firmes e com o rigor da seqüência semanal. Geo aparece pelo menos uma vez por mês e Arte só bimestralmente, mas publicada em uma página só. Já Animais e o segundo Foco deixaram mesmo de ser publicadas. Justo é dizer que muitas dessas mudanças, por mais que tenhamos explicações racionais para dar, ocorreram porque o crescimento publicitário da revista obrigou a sacrificar páginas. Elas foram as que mais sofreram as conseqüências do que os consultores chamariam “crise de crescimento”.

Fora dessas mudanças, houve outras, estéticas – nas matérias -, por meio das quais os traços se acomodaram a uma exigência mais depurada, como é fácil perceber, mesmo quando se mantiveram todas as tipografias e tipologias originais. Já conceitualmente a revista continua sendo a mesma de sempre e talvez aí resida o principal suporte de seu incomparável sucesso e o principal motivo pelo qual os inevitáveis e múltiplos copistas não conseguem sequer se aproximar da fórmula e, muito menos, de seu êxito.