O CAMPEÃO GIBA EXIBE SUAS MAIORES CONQUISTAS

MELHOR JOGADOR DO MUNDIAL DE VÔLEI, ELE CURTE O LAR NO PARANÁ AO LADO DE CRISTINA E NICOLL

O ponta Giba, a mulher, a romena Cristina Pirv, e a filha, Nicoll, no conforto de sua casa, em Curitiba
O ponta Giba, a mulher, a romena Cristina Pirv, e a filha, Nicoll, no conforto de sua casa, em Curitiba

por Flávio Costa

O jogador de vôlei Gilberto Godoy Filho, o Giba, que completa 30 anos em 23 de dezembro, está tendo um fim de ano cheio de homenagens. Voltou do Japão, onde disputou o Campeonato Mundial pela seleção brasileira, com a medalha de campeão no peito e, na mala, a placa de melhor atleta da competição. Em Curitiba, onde mora com a mulher, a romena Cristina Pirv (32), e a filha, Nicoll (2), recebeu o título de cidadão honorário. “Estou passando por um dos melhores momentos de minha vida”, reconhece.

Não faltaram homenagens nem mesmo na chegada em casa. Os vizinhos, orgulhosos, estenderam uma faixa de parabéns ao campeão. “Agradeço e me sinto honrado, mas o que me deixou mais feliz foi o abraço de minha filha e o beijo de minha mulher”, conta Giba. “Ele é mesmo um romântico”, afirma Cristina.

Antes de voltar para a Itália – onde inicia os treinos para disputar o campeonato italiano pelo Cuneo -, Giba falou sobre maturidade profissional, a vida em família e os planos para a aposentadoria das quadras em entrevista a CARAS.

– Como surgiu essa paixão pelo vôlei?
– Em Londrina, onde nasci, éramos um grupo de moleques, vizinhos, colegas de escola. Eu tinha uns oito ou nove anos. Depois da aula, a diversão era jogar futebol, basquete, apostar corrida. Meu pai, que jogava futebol de salão, chegou a me colocar no time algumas vezes, mas eu era meio desajeitado. Até que alguém apareceu com uma bola de vôlei e lá fomos nós brincar. Gostei. Quando nos mudamos para Curitiba, comecei a jogar no Círculo Militar, perto de casa. Aos 16 anos já disputava a Liga Nacional. É por aí, paixão de infância.

– Você deixa crescer a barba nas competições. É superstição?
– É e não é. Quando vencemos a Olimpíada de Atenas, em 2004, eu tinha bigode. Deu sorte. E o calendário apertado de jogos e treinamentos nos campeonatos deixa pouco tempo livre. Então, não faço a barba para ganhar tempo e também porque, sempre que estou barbudo, meu time vence a maioria dos jogos. Vem dando certo.

– Perto de completar 30 anos, você se sente mais maduro?
– Me sinto, é claro. Nas quadras, estou em minha melhor forma e na vida pessoal, casado e com uma filha, tenho responsabilidades. Penso no futuro da Nicoll, no futuro da minha família, no meu futuro. Tenho investimentos, junto com outros colegas do vôlei, e deles espero tirar meu sustento quando parar de jogar. Deposito em uma conta, todo mês, o dinheiro para os estudos de minha filha até a faculdade. Acabamos de mudar para uma casa maior, com quintal e muito espaço para a Nicoll. Estou mais maduro, sim, e isso é muito bom.

– Você parece mesmo muito apegado à família…
– Sou, sim. Quando estou longe, falo com a Cristina várias vezes por dia, por telefone, por e-mail, pelo MSN. Ela me manda fotos das novidades na casa e da Nicoll, que cada dia aprende uma palavra, uma brincadeira. Minha filha está em uma idade em que, num dia, numa semana, ela muda muito rápido. Não quero perder nenhum desses momentos. Sou um paizão coruja.

– Você já pensa no que fazer quando parar de jogar?
– Ainda tenho um bom tempo pela frente nas quadras. Quando chegar a hora de parar, penso em investir em Curitiba, talvez uma escola de vôlei, um projeto na área do esporte. Penso em um trabalho com crianças carentes. Deus foi tão bom comigo, me sinto na obrigação de retribuir. Podemos formar cidadãos com o esporte. Quando menino, cheguei a pensar em ser veterinário ou algo parecido, mas hoje não dá. Vivo no meio do esporte, conheço as pessoas, é o que eu sei e gosto de fazer. O esporteé meu presente e meu futuro.

– Você ganha muito dinheiro?
– Ganho o suficiente para dar segurança para minha família e para me permitir alguns luxos. Em São Paulo, por exemplo, depois de ficar mais de seis horas esperando pelo vôo que me traria a Curitiba, cansado e com saudade, decidi alugar um jatinho. Fico feliz por poder proporcionar esse tipo de coisa para mim, para a Nicoll e para a Cristina, que viveu uma juventude difícil, no comunismo, na Romênia. Quando era piá lá em Londrina nunca imaginei que teria essa condição. Fora isso, gosto de coisas simples, de um churrasco com os amigos, de brincar coma Nicoll, de ficar com a Cristina no sofá, vendo TV. Como a gente fala lá no norte do Paraná, sou o mesmo pé vermelho de sempre.

FOTOS: KADU DI CALAFIORI E JADER DA ROCHA/RAVI STUDIO FOTOGRÁFICO