O BRILHO DE ÍRIS BRUZZI: SEM PERDER O REBOLADO

A EX-VEDETE SE ESPELHA EM DIVAS COMO MARYLIN E PREENCHE A VIDA E A CASA COM HUMOR E GLAMOUR

Na sala de sua casa, Rio, Íris entre pôsteres de Marilyn Monroe. O primeiro, presente de Guilherme Karam. O segundo, ganhou há 25 anos de Vicente Sesso
Na sala de sua casa, Rio, Íris entre pôsteres de Marilyn Monroe. O primeiro, presente de Guilherme Karam. O segundo, ganhou há 25 anos de Vicente Sesso

por Natalia Castro

O apartamento de Íris Bruzzi (72), em Ipanema, não deixa dúvidas: quem vive ali é uma artista. Um dos ícones do Teatro de Revista, uma das Certinhas do Lalau, lista criada pelo escritor Sérgio Porto em 1954 para eleger as belas da época, e conhecida como a rainha do rebolado, Íris fez de sua casa um túnel do tempo. Fã de musas como Marilyn Monroe (1926-1962) e a sensual Betty Boop, não faltam pelo local referências ao cinema antigo e às grandes estrelas de Hollywood. “Era a época de ouro. Acho que Marylin morreu na hora certa. Imagina ela agora, velha, de cabelo sem tinta?“, diverte-se a atriz. Entre os inúmeros detalhes que compõem o apartamento, as coleções se destacam nas paredes em tons de rosa, roxo e verde, decoração muito parecida com a da casa em que viveu em Nova York, cidade onde morou por 10 anos e deixou há dois. “Minha casa transmite minha alegria de viver. Ela nunca poderia ser de uma pessoa deprê ou séria demais. Ela sou eu“, compara.

E é com o mesmo bom astral que Íris encara a vida. De férias na TV, após viver a viciada em jogos Elisa em Vidas Opostas, Íris vem ensaiando a peça Subindo pelas Paredes, que estréia em 1o de novembro em Teresina e depois segue em turnê pelo país. “Sou feliz porque aceito o que a vida me dá e não estresso. Só tenho a agradecer“, diz. Casada três vezes – com Walter Pinto (1913- 1944), Nelson Caruso (1939- 1982) e Jorge Dória (86) -, mãe de quatro filhos, Kátia (52), os gêmeos Álvaro e Walter (51), e Marcelo (36), e avó de Juliana (27), Samantha (16) e Gabriela (8), Íris não lamenta a falta de um companheiro. “Pendurei as chuteiras porque quis. Se quiser despendurá-las, sei que arranjo alguém rapidinho“, aposta ela, que já foi considerada a mulher mais bonita do Brasil: “Fui muito bonita. E aproveitei.

– Qual o segredo da felicidade?
O primeiro é ser feliz. O segundo são os amigos. Perco uns quatro, cinco por ano. Mas adoro estar com jovens. Todo mundo envelhece, mas o negócio é se reciclar sempre. Aceito as coisas como elas são, mas aprendo com os mais novos.

– A tristeza tem vez para você?
Não. Sempre que tenho um aborrecimento, procuro saber o motivo e o contorno. Não sou adepta de analista, nada disso. Tomo um suco de melancia, vou ao cinema, como uma pipoca e resolvo tudo.

– E um companheiro, não faz falta nestas horas?
Um homem só me faz falta como amigo. Sei que ainda agrado, mas não deixo ninguém chegar perto. Tem muita mocinha aí à procura de marido, e acho ótimo poder dizer que estou só porque quero.

– E a falta de sexo, incomoda?
Quando era mais nova, amei quem eu quis e até quem eu não quis. Eram outros tempos, não existia Aids. Se as pessoas se gostavam, por que não transar? Agora não. Acho que o homem sente bem mais falta do que a mulher. A mulher consegue lidar melhor com isso. E não sinto falta mesmo.

– Você já foi eleita a mulher mais bonita do Brasil. Envelhecer é difícil?
Não, porque a velhice veio aos poucos. Além disso, me considero belíssima para a minha idade: cara, cabelo, corpo, espírito. Algumas coisas eu ajeitei. Fiz uma lipo e coloquei silicone pouco antes de Belíssima. Quero fazer os braços para dar o tchau com dignidade (risos).

– Por falar em Belíssima, como foi o retorno triunfal às novelas?
Maravilhoso. Estava em Nova York, perto do meu caçula, Marcelo, que morava lá, e acabei ficando. Voltei porque fui convidada para a novela. Adoro comédia, eu sou uma comédia! Ainda mais trabalhar com a Carmem Verônica, amiga há anos.

– Falando na Carmem, sente saudade dos tempos de vedete?
Quem não é feliz aos 18? Mas não sou saudosista. Gosto do agora. Cada momento tem a sua ternura.

– Você foi reprimida por seus pais nessa época…
Pois é. Eles tiraram minhas fotos da parede. Achavam que artista era prostituta. Aí fiz sucesso, casei com Walter e eles fizeram as pazes comigo.

– Você foi mãe aos 20 anos. Se acha melhor como avó?
Eu era muito nova. Aos 20 tinha um, aos 21, três. Era uma responsabilidade! Gosto mesmo de ser avó. Acho que a gente podia ter os netos direto (risos). Minha casa é para as minhas netas, que gostam de rosa. Brinco que sou a avó da Barbie. Com a Juliana, adoro sair, vamos às festas. É maravilhoso.

FOTOS: CADU PILLOTO