“Ninho vazio” traz liberdade para o casal e pode reacender a paixão

Considerada por muitas pessoas apenas como um momento de perda, a fase caracterizada pela saída dos filhos de casa também proporciona aos pais mais tempo e disponibilidade para que possam cuidar melhor um do outro e também de si mesmos. Se ainda existe amor, o romance e a sexualidade afloram, mas, se o casamento só se baseava nos filhos, então tende a acabar.

Após muitos anos de casamento, os filhos já formando suas famílias, o casal entra na etapa conhecida como “ninho vazio”. A sensação pode ser de perda, de vazio, e até desencadear uma crise. Mas também se inicia uma fase de liberdade. Os filhos já não requerem tanta dedicação, não é preciso ser só pai e mãe. É hora, mais uma vez, do “enfim sós”. Essa experiência pode ser positiva, se houver amor ou amizade, ou difícil.

Alguns partem para uma “nova adolescência”. Separam-se ou mudam de trabalho, buscando um novo sentido para a vida. Se o casamento era só para viver os papéis de pai e mãe, vão sentir que acabou. Se não era, podem se apaixonar novamente, viajar juntos, fazer planos. Há mais tempo para ficar a sós e estimular o romance, a sexualidade.

Hoje, aos 60, 70 anos, não somos velhos como eram nossos pais ou avós na mesma idade, que iam morar na casa dos filhos e cuidar dos netos. Temos mais saúde, disposição e, se fomos responsáveis, uma aposentadoria que nos permite curtir a vida, fazendo o que não podíamos enquanto os filhos viviam em casa.

Muitos nessa idade são viúvos ou separados e sentem mais a solidão. Mas é preciso não se prender aos preconceitos e não ligar quando os filhos tentam reprimir, dizendo frases como “Essa roupa não é para sua idade”, ou “Você está velho para namorar”. Devemos ter bom senso para não cair no ridículo, mas podemos namorar, sair, ter amigos, cuidar da beleza e usar roupas modernas. Não é porque não somos jovens que devemos engordar, não ter vaidade. Uma pessoa com 70, até com 80 anos ou mais, pode ser bonita, saudável e sensual.

Para quem está só, é normal o desejo de ter um companheiro. Sempre se pode encontrar alguém e se apaixonar. O desejo sexual, a libido, não morre com a idade; com os novos medicamentos, então, o que era impossível hoje se tornou viável.

No filme Alguém Tem Que Ceder, da diretora americana Nancy Meyers (59), o ator Jack Nicholson (71) vive um sedutor que só gosta de mulheres jovens, mas nunca se envolve nem se compromete. Conhece então a mãe de uma de suas conquistas, Diane Keaton (63), e tem um caso com ela. É sensível a cena que mostra os dois na cama, conversando como velhos amigos e se amando. Ele vê pela primeira vez o corpo de uma mulher mais velha, mas ainda sensual e bonita. Ela, que estava sozinha havia muito tempo, fica surpresa mas se apaixona. Quando rompem, sofre como se tivesse 20 anos. No final, reencontram-se e ficam juntos, percebendo que a maturidade, a experiência e a amizade têm seus encantos, que é possível amar sem precisar perseguir a juventude, que em qualquer idade podemos nos envolver e ser felizes, desde que haja amor verdadeiro e a coragem de assumir um compromisso.

Na maturidade, não somos mais obrigados a fazer o que não queremos. Temos de pensar que a saúde emocional é tão importante quanto a física. Então, é o momento de reavaliarmos a vida e perguntarmos: “Do que sinto falta? Se tivesse só um dia de vida, o que eu faria? Como devo viver para ser verdadeiro comigo mesmo?” Nunca é tarde, sempre se pode mudar, se apaixonar por alguém, por uma idéia, por um novo trabalho, conhecer lugares diferentes, aprender algo novo, enfim viver plenamente, como aos 20 anos.