A atriz Nathalia Timberg (79) há cerca de 60 anos vem se dedicando à arte de representar e, com certeza, se impôs entre os grandes nomes do teatro brasileiro. A determinação profissional muitas vezes fez com que deixasse em segundo plano até a vida pessoal. “Não sou de ter muita gente à volta, é difícil me ver em eventos sociais. Sou assim desde moça. Gosto de ficar na minha. Sou até mal interpretada por ter esse jeito voltado para o isolamento. Mas já faço tantos personagens fortes, compenso de outra forma“, justifica ela, na Ilha de CARAS. E, apesar do êxito na carreira e do reconhecimento, ela não se dá por satisfeita. “Existe toda essa vida que está à volta. Tenho muitos horizontes a desvendar ainda. Espero ter forças”, afirma. De férias da TV após o fim de Negócio da China, ela já pensa em um projeto para o palco. “Como a produção não é minha, não posso falar“, limita-se a dizer a atriz, cheia de garra para novas empreitadas. “Amo meu trabalho. Quando a gente gosta, isso de ficar cansada não existe“, conta ela, que foi casada com o escritor e compositor Sylvan Paezzo, já falecido, e nunca quis filhos. “Foi uma escolha minha, mas tenho uma família unida, dois irmãos, sobrinhos e afilhados, além dos amigos“, explica.
– Você se define como uma pessoa “quieta”. O que faz nas suas horas de lazer?
– Estou sempre ocupada, trabalhando. Nas horas vagas, passeio com minha cadela, a poodle Tuti. Também leio muito e ouço música.
– Ainda existe um personagem que deseja muito interpretar?
– Há inúmeras possibilidades. Cada autor é um universo novo. Isso é ótimo. O que me instiga é que trabalho com várias facetas do ser humano. Estou percorrendo meu caminho, vendo um horizonte à minha frente.
– Tem um ritual antes de entrar em cena?
– Não sou de fazer rituais, não tenho manias. Fico quieta, arrumando minhas coisas, o camarim é como se fosse parte da nossa casa
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– Considera-se uma pessoa vaidosa?
– Não. Estou sempre me devendo neste sentido. Não me interesso muito pela vaidade. Mas me cuido na medida do possível, uso meus cremes, faço musculação, acupuntura e shiatsu. Um ator tem que cuidar do corpo, ele é seu instrumento de trabalho. Quanto mais afinado estiver o corpo, melhor você realiza um personagem.
– Alguma coisa em especial causa medo?
– Tenho medo do medo. Dos rumos que as coisas tomam no mundo. A cada dia vejo mais falta de amor. Isso sim me assusta. O homem não tem cuidado com ele mesmo e nem com os outros. Falta respeito.