MONICA BELLUCCI E CASSEL, BRUNA E SEUS DOIS GALÃS, KIM E RICCELLI

Glamour italiano e a presença verde-e-amarela no Festival Internacional de Cinema de Roma, com filme sobre Caetano

Um circuito que divide atenções entre os talentos cinematográfi cos italiano e brasileiro. Assim pode ser defi nida a terceira edição do Festival Internacional de Cinema de Roma. No circuito principal, a estréia de fi lmes como L’uomo che Ama e o musical Parlami di Me, com Christian De Sica (57), ídolo dos italianos.

Na seção Olhos do Mundo, que sempre destaca um país com grande potencial artístico, o Brasil foi representado com seus melhores longas dos últimos anos. No tapete vermelho, o evento italiano contrapôs estrelas dos dois países, como a italiana Monica Bellucci (44) e a paulistana Bruna Lombardi (55). No L’Auditorium Parco della Musica, a primeira chegou com o marido, o francês Vincent Cassel (41), para a première de L’uomo…, fi lme dirigido pela italiana Maria Sole Tognazzi (37), que Monica estrela.

Já divulgando O Signo da Cidade, incluído na mostra oficial – como Meu Nome Não é Johnny, com Selton Mello (36), e Jogo de Cena, com Marília Pêra (65) – e prestigiando a exibição do documentário Coração Vagabundo, sobre Caetano Veloso (66), Bruna circulava escoltada por seus galãs, o marido, Carlos Alberto Riccelli (62), produtor e diretor de O Signo, e o filho, Kim Riccelli (26), ator do mesmo longa. Sempre questionada mais sobre sua beleza do que sobre o seu trabalho, a estrela italiana abriu o coração e contou como é ser Monica Bellucci. “Sou uma mulher como qualquer outra, trabalho, tenho família, cuido do meu filho. As pessoas pensam que, por ser bonita, é sempre mais fácil a vida, mas não é assim. Tenho as minhas fragilidades”, desabafou.

Outra italiana a iluminar o festival foi Caterina Murino (31), estrela de The Garden of Eden, do diretor John Irvin (68). Enquanto isso, ao som de MPB, o Auditorium Conciliazone se transformou em um palco brasileiro. Ali ocorreu a estréia européia do longa do paulistano Fernando Grostein Andrade (27) sobre Caetano. Após a exibição, o artista fez pocket show com repertório do álbum A Foreing Sound e canções memoráveis como O Leãozinho, Sampa e Desde que o Samba é Samba. Cerca de 2 000 pessoas aplaudiram o filme de pé, que cativa pela maneira despretensiosa como momentos íntimos de Caetano são retratados: vê-se um homem à vontade, que se barbeia nu, que se diverte com a comida estrangeira, que sofre cabisbaixo quando está triste por conta de problemas pessoais. “Para mim, fazer esse filme não deu trabalho. Eu nem percebia que Fernando estava por ali. Ele conversava comigo, falava algumas coisas e eu deixava rolar. No fim, gostei das imagens que ele fez”, afirmou Caetano.

A primeira exibição do documentário no exterior foi dedicada à diretora de cinema Enrica Antonioni (54), mulher do diretor Michelangelo Antonioni (1912- 2007). Ambos participam de cenas do filme, anos antes da morte dele, um dos ícones do cinema mundial e amigo de Caetano. “Foi incrível o documentário, emocionante o tempo todo. Caetano é uma pessoa em contínua evolução, ótimo artista. Além do filme, seu show me tocou no coração”, disse Enrica. Bruna Lombardi também se emocionou. “Adorei. É uma obra tão próxima. Essa extraordinária luz que emana do Caetano estende-se a tudo. A compreensão do que está a sua volta, essa irradiação de energia que se renova constantemente. Ele é uma criatura única, um foco de emoção permanente. Por mais que ele receba tudo do Universo, o Universo está sempre devedor”, divagou. “Caetano é sempre iluminado. Quando fala, é muito verdadeiro, colocando-se tão profundamente. Não há idade para gostar dele”, emendou Riccelli.

Também feliz com o resultado da noite estava o diretor do longa. “Estou superemocionado. Foram cinco anos de trabalho. O mais difícil foi a responsabilidade de fazer um filme à altura do Caetano. Ele tem cabeça aberta, sem preconceitos, enxerga longe”, afirmou Fernando, que estava ansioso antes da exibição, pois sabia que a exibição italiana representaria fato significativo: “Aqui, do taxista ao empresário, todos sabem quem é Caetano. Ele ‘atravessa’ culturas, barreiras, continentes. Espero honrar a quem conheci: Almodóvar, Antonioni…”.

Na platéia, o diretor artístico da Festa de Abertura do festival, o multimídia americano Arto Lindsay (55), e outros brasileiros como o casal Ana Joma (45) e Rogério Fasano (46), sócio de restaurantes e do hotel Fasano no Rio e em São Paulo, este último cenário de cenas do filme, além dos atores Christiane Torloni (51) e Rodrigo Santoro (33). “Foi uma doçura. Só Fernando para conseguir isso. Todos ganhamos assistindo ao filme e ao show”, elogiou Christiane. Para Santoro, o cinema nacional tem se posicionado melhor no mercado internacional. “Cada vez temos mais credibilidade e espaço. Tenho projetos de filmes nos EUA e aqui, mas nada definido. Nunca se sabe o que pode vir primeiro”, comentou Santoro, ali para divulgar o longa Os Desafinados.

Sobre o documentário, o ator também mostrou-se satisfeito. “Fiquei com um sentimento muito bom sobre o Caetano, que eu não conhecia. A gente sabe o artista que ele é, o talento que tem, o poeta que é. Mas vi pouco dele, da sua rotina. Até nas situações engraçadas, é tudo muito preciso, tratado com muita delicadeza”, avaliou. “E vê-lo cantar é como um cafuné no ouvido. Parece quando sua mãe faz um cafunezinho, ou a sua namorada, sabe?”, definiu Santoro, de saída para jantar sem maiores planos. “O bom é que aqui, em qualquer restaurante que você vá, come-se muito bem”, opinou.