Quando posava para CARAS em Mônaco, Marcos Caruso (57) chamou a atenção de um grupo de adolescentes franceses. Gaiato, um deles logo disse que também era ator. Mesmo sem acreditar, Marcos deu corda, bateu o maior papo e virou ‘amigo de infância’ dos meninos. É assim, com o bom humor de quem costuma se definir como um ponto de exclamação, referindo-se aos seus longilíneos 1m92, que ele costuma levar a vida. “Sou um curioso nato. Não posso ver um estrangeiro que começo logo a conversar sobre o país dele”, orgulha-se o autor de um dos maiores sucessos teatrais do país, Trair e Coçar É Só Começar, há 23 anos em cartaz, e que nos últimos tempos teve memoráveis atuações em novelas globais, como Três Irmãs, Desejo Proibido e Páginas da Vida.
A paixão pelas viagens e a vontade de conhecer outras culturas vêm da infância. “Tenho família carioca e desde garoto gostava de ir à praia ouvir pessoas falando línguas diferentes. Sabia a frase ‘você não quer conhecer o Rio’ em várias idiomas. Não cobrava. Tinha o prazer de mostrar uma paisagem e aprender a língua”, conta ele que, se não fosse ator e escritor, trabalharia como guia turístico. Um dos motivos que mais alegra Caruso é saber que hoje ele consegue conciliar as duas paixões. O ator está ensaiando a peça As Pontes de Madison, que estreia dia 16 de julho, em São Paulo, ao lado de sua ex-mulher, Jussara Freire (58), mãe de seus dois filhos, Caetano (30) e Mari (37). Caruso, que interpreta um fotógrafo solitário, papel imortalizado no cinema por Clint Eastwood (79) e no teatro por Alain Delon (73), aproveitou a viagem para fazer um laboratório. Com a máquina nas mãos, clicou os tipos humanos e as paisagens não só do principado, mas também de Saint-Paul de Vence, cidadezinha medieval francesa a cerca de uma hora de Mônaco. “O ator é um observador. Apenas olhar a vida passar em lugares tão diferentes sempre ajuda a tirar algo para os personagens”, ensina ele, que não pôde ter a companhia da mulher, a atriz, bailarina e coreógrafa Dani Calichio (35), com quem está há cinco anos. “Como ela está ensaiando o musical Hair Spray, com Miguel Falabella, me mandou vir sozinho”, justificou.
– Como é a relação com Dani?
– É fantástica, de total confiança e liberdade. Me mandou fazer esta viagem, curtir bastante e depois dividir tudo com ela. É uma saudável relação de confiança. É a mulher da minha vida. E eu sou o homem da vida dela. Não temos dúvidas quanto a isso.
– E vocês pensam em filhos?
– É possível. Dani não tem. No momento, está no auge da carreira, aproveitando o lado profissional. Mas é um pensamento, embora nada ainda esteja definido.
– A diferença de idade de 22 anos é um problema?
– Nenhum. Sou um adolescente. E ela, mais madura. Nos encontramos nos 40. Ela não me leva para baladas absurdas e eu não a carrego para programas da terceira idade.
– Incomoda viajar sozinho?
– Não tenho problema com isso. Sinto falta de conhecer culturas, ver coisas, entrar no lado humano, compreender as diferenças entre países. Me alimento viajando.
– Que tipo de turista você é?
– É óbvio que visito cartõespostais, mas não só isso. Meu foco é o ser humano. Através dele, conheço a cidade, e não o contrário. Gosto de ir a lugares onde possa ver pais passeando com bebês e gente com cachorro nas ruas. São os lugares habitáveis, onde você não vê apenas turistas. Converso muito. E dou muitas gafes (risos). Falo várias línguas sem saber nenhuma. Na verdade, sei italiano e nas outras me saio muito bem. Não tenho vergonha.
– E o seu destino preferido?
– Sempre a Itália, me orgulho de ter ascendência italiana. É um país com um sabor especial, são ricos em arte, culinária, arquitetura, história, design, moda. Morei um ano em Milão, em 1985, e já voltei umas 11 vezes.
– E Mônaco?
– É um lugar fora de qualquer realidade, pelo menos para a maior parte das pessoas. Você encontra grifes e carros sofisticados não só nas lojas como nas ruas. São coisas que em outras cidades estão nas vitrines. Mônaco é uma vitrine ambulante, distante de mim. Mas gostei de descobrir o lado humano. Nas outras três vezes em que estive aqui, vim muito rápido, sempre de passagem. Dessa vez consegui conversar com moradores, um policial, uma empregada doméstica, um lixeiro. Na minha cabeça, as pessoas que prestam serviços moravam fora do principado, em outras cidades. Foi uma surpresa saber que residem aqui. Antes achava que só viviam milionários.
– O que mais descobriu deste lado humano?
– A relação entre patrões e empregados é outra. A pessoa serve sem subserviência. Isso você vê em toda a Europa, mas aqui é mais patente. As pessoas têm um poder aquisitivo compatível. O lixeiro tem uma posição que já é dele por natureza. Ele é nobre por ser de Mônaco. Não saberia viver numa cidade assim. Não nasci com essa nobreza. Mas fico pensando em outras questões. A natureza deu ao Brasil uma beleza incomparável. Nesse quesito, Mônaco, se comparada ao Rio de Janeiro, perde. Mas eles sabem aproveitar e conservar o que a natureza dá. Eles urbanizaram um morro, uma coisa fantástica. E nós não conseguimos. Não é apenas dinheiro, é história, é cultura.