Libelinha veio do latim libellula e tem este nome porque…
... o inseto paira no ar em equilíbrio, como se fosse uma balança, do latim libra. Já muçarela, do italiano mozzarela, remete ao dialeto de Nápoles, onde surgiu esse tipo de queijo.
Críquete: do inglês cricket, críquete, designando também inseto da família dos gafanhotos. Pareceu a quem assim denominou o esporte que os jogadores seriam semelhantes a gafanhotos na grama. Muito popular na Inglaterra, o críquete é disputado por dois times de 11 jogadores, em gramado, com bastões, pequena bola de madeira e postezinhos. O esporte chegou ao Brasil no século XIX, compondo o modo de vida inglês, e foi logo aceito, o mesmo acontecendo com o turfe e com a briga de galos. Esta não escapou ao olhar crítico de Machado de Assis (1839-1908): “Enquanto não chegam outros usos da Inglaterra, vamos fazendo uso do galo e suas campanhas”.
Com a chegada do futebol, os “jogos atléticos ingleses”, como eram denominadas quaisquer provas de atletismo, foram cedendo terreno e influência ao novo esporte, que se tornaria dominante algumas décadas depois. Não apenas o críquete, também o remo cedeu, mas deste último permanecem as marcas nos grandes clubes, como o Vasco, o Fluminense e o Flamengo, que mantêm a palavra “regatas”
na denominação.
Galilé: do hebraico galilah, distrito, região, círculo,
palavra assemelhada a galal, apartar, revolver, pelo latim galillea, galiléia, cuja raiz serviu também à palavra galeria. Em
português, galilé designa extensão do pórtico de uma igreja ou ainda a parte alpendrada de um convento. Antigamente,
eram sepultados em galilés os nobres e os benfeitores, de onde se apartariam dos corpos, depois de revolver os ossos, saindo das covas e subindo ao Céu, como se lê no capítulo 6,
do Livro 8, da História Seráfica: “Na ressurreição futura, cada um em seu lugar, hão-de viver em muito melhor estado”. O corpo do bandeirante Fernão Dias Paes Leme (1608-1681) está enterrado numa galilé do Mosteiro de São Bento, em São Paulo, que hospedou o papa Bento XVI (81), em viagem que o Sumo Pontífice fez ao Brasil.
Libelinha: de libélula, inseto, do latim libellula, diminutivo de libella, moeda de prata, também diminutivo de libra, libra, balança, objeto que serve para pesar, e que se tornou moeda de 12 onças ou 333 gramas, aproximadamente. Libra designa também um signo do
zodíaco. A onça do peso deriva do latim uncia, duodécima (parte da libra). A onça selvagem deriva de outra palavra latina, lyncea, por aférese (supressão de fonemas) de lonce, palavra formada no tempo das Cruzadas, que, além do português onça, resultou no espanhol onza. A libelinha, com seus dois pares de asas membranosas, lembra a figura da
balança (libra), pairando no ar em equilíbrio. Nossa língua está cheia de metáforas nas palavras, de que é exemplo também o ponto final nas frases, vindo do latim punctus, particípio do verbo pungere, picar.
Muçarela: do italiano mozzarela, muçarela, queijo fresco, feito de leite de búfala ou de vaca. No português também é aceita a variante mozarela. A origem remota é mozza, feminino de mozzo, que em italiano significa cortado e vem do latim clássico mutilus, mutilado, que no latim vulgar é mutium. No latim, o “t”, quando nessa posição, tem som de “s”, daí terem os gramáticos preferido as formas mozarela e muçarela para designar este queijo originário da região de Nápoles, na Itália, feito a partir de um fungo chamado mozzo.
O dicionário Houaiss diz ser substantivo masculino e o Aurélio, feminino.
Probo: do latim probus, formado a partir de probos.
O prefixo pro, a favor, está ligado a bhos, da raiz bheu, crescer, presente também em soberbo, do latim superbus, vale dizer super bhos, acima dos outros, que se destaca
por qualidades positivas, depois rebaixado a insulto, com o sentido de arrogante. O mesmo não ocorreu com probo,
que permaneceu como equivalente de honrado, ético. O oposto é ímprobo. As duas palavras aparecem com freqüência
no noticiário político.
Tremoço: do grego thermós, quente, pelo árabe turmus, grão comestível. No Livro de Falcoaria, do século
XV, já aparece: “Pera ysto toma os pés dos tramoços torrados”. Falcoaria designa a arte de treinar falcões para caça ou apenas para domesticá-los. O tremoço, originário da Europa, foi inicialmente apenas planta ornamental, mas logo se tornou alimento para o gado, sendo utilizado também como adubo. Suas sementes, achatadas e comestíveis
depois de cozidas, são muito nutritivas. As espécies principais
de tremoço são o tremoço-branco, o tremoço-amarelo e o tremoçode- flor-azul. A palavra designa também o vendedor de tremoços.