Cannes: cineasta orgulhoso de banimento

Lars von Trier, cineasta que foi banido de Cannes após fazer comentários antissemistas em coletiva de imprensa, conversou com publicação norte-americana e disparou. ‘Me sinto um pouco orgulho; minha família teria orgulho de mim’

Lars von Trier em Cannes
Lars von Trier em Cannes - Getty Images

Banido do Festival Internacional de Cinema de Cannes, em que seu novo filme Melancolia concorre na premiação, o cineasta dinamarquês Lars Von Trier, tentou se explicar em uma entrevista reveladora ao impresso The Hollywood Reporter. Segundo o diretor, suas declarações sobre nazismo, Hitler e judeus não passaram de piadas mal interpretadas. “Parece estranho, mas eu não gosto de conflitos. Fui para coletiva de imprensa querendo entreter as pessoas e, quando me dei por mim, entrei em um assunto do qual não consegui sair. Não pensei muito sobre aquilo. Todo mundo estava parecendo me entender e davam risadas. Quando percebi que disse ‘eu simpatizo com Hitler’, pensei, ‘ai não!'”, contou von Trier.

O diretor, contudo, não se mostrou nem um pouco arrependido, embora tenha consciência da seriedade do peso de suas declarações. “Estou um pouco orgulhoso dessa nomeação de ‘persona non grata’. Acho que minha família ficaria orgulhosa”, ironizou. Vale ressaltar que von Trier, cujo padrasto era judeu, disse na coletiva de imprensa que foi criado pensando que tinha raízes judias, e que seria ‘ridículo’ chamá-lo de antissemista por isso.

Por conta do banimento, o cineasta terá que manter distância de 100 metros dos locais onde acontecem os eventos do Festival de Cannes. Isso inclui a proibição de sua presença na festa de premiação em que Melancolia concorre estatuetas. Sobre a influência de seus comentários na avaliação do filme, ele foi enfático. “Se eu fosse Hitler – quero registrar que não sou – mas se eu fosse, e tivesse feito um filme grandioso, Cannes iria premiá-lo”.

Colegas de elenco.

A reação de Kirsten Dunst na coletiva de imprensa foi imediata. Ela riu, sem jeito, e pediu para que Lars parasse com os comentários de cunhos preconceituosos. Na avaliação do diretor, a atriz comportou-se como uma ‘louca’. “Uma européia louca”, enfatizou. “Já a Charlotte [Gainsbourg, colega de elenco de Kirsten] não me pareceu chocada. O pai dela [o músico e compositor Serge Gainsbourg] sempre foi provocativo. Charlotte me disse que seu pai teria orgulho de mim”, polemizou.