Fevereiro vem do latim februarius, homenagem dos romanos à deusa…
...Februa, mãe de Marte, deus da guerra, com o intuito de comovê-lo para que ajudasse a garantir a vitória nos combates. Já tungar, roubar, talvez tenha origem no hindu tuggee, associação de ladrões.

Barbitúrico: da redução de ácido barbitúrico, do francês acide barbiturique, tradução do alemão Barbituresäure, nome dado pelo químico Johann Friedrich Wilhelm Adolf von Bayer (1835-1917), que isolou pela primeira vez este ácido sintetizado a partir da uréia, em 1863. Utilizado em medicina como sedativo, hipnótico e antiespasmódico, o barbitúrico integra o arsenal de tóxicos. Há ensaios que dão como origem para a designação o radical grego bárbitos, instrumento musical semelhante à lira, em referência à forma dos cristais da substância. Säure, em alemão, é ácido. Mas há uma outra hipótese, já registrada em artigo de Nilton Bezerra do Vale, José Delfino e Flávio Bezerra do Vale, publicado na Revista Brasileira de Anestesiologia (ano 2005, número 55): o cientista, ao sintetizar o ácido, chamou-lhe barbitúrico para homenagear Santa Bárbara (século 4) ou uma garçonete da taberna que costumava freqüentar, que o atendia muito bem e se chamava Bárbara. A beleza da moça e a cerveja que ela lhe servia tinham sobre ele efeito semelhante ao da substância descoberta.
Fevereiro: do latim februarius, homenagem dos romanos à deusa Februa, mãe de Marte, deus da guerra, que presidia a festa da purificação, celebrada no 15º dia do segundo mês do calendário. Os romanos iluminavam as ruas para que Marte ficasse comovido com as honras dedicadas a sua mãe e lhes concedesse a vitória sobre os inimigos. No século 4, os cristãos passaram a dedicar os festejos a Nossa Senhora da Candelária e substituíram as tochas por candeias. Ainda em fevereiro os romanos celebravam a deposição de Tarquínio, o Soberbo, o último rei de Roma, que ocupou o poder entre 534 e 509 a.C., período após o qual foi instalada a República. Incitado pela esposa, o Soberbo matou o sogro. Seu filho, Sexto Tarquínio, igualmente violento, obrigou a bela aristocrata Lucrécia, casada com um patrício, a praticar adultério, após o que a nobre se suicidou. Também em fevereiro as romanas deixavam-se açoitar por jovens que cobriam o rosto com o couro de bodes sacrificados e pintavam o corpo com sangue. Era a receita da deusa Juno para evitar a esterilidade feminina.
Iluminura: do francês enluminure, ilustração de manuscritos e livros medievais, sobretudo missais, caracterizada por pinturas de cores vivas, representando flores, personagens e cenas do texto, quase sempre começados por caprichoso desenho colorido da letra inicial.
Serendipidade: do inglês serendipity, palavra criada pelo escritor inglês Horace Walpole (1717-1797) em carta que escreveu a um amigo, no dia 28 de janeiro de 1754, descrevendo a sorte que teve ao encontrar, por acaso, uma pintura antiga da condessa de Toscana, Bianca Capello, que estava procurando. “Esta descoberta é quase daquele tipo a que chamarei serendipidade”, afirmou, “uma palavra muito expressiva, a qual, como não tenho nada de melhor para lhe dizer, vou passar a explicar: uma vez li um romance bastante apalermado, chamado Os Três Príncipes de Serendip: enquanto suas altezas viajavam, estavam sempre a fazer descobertas, por acidente e sagacidade, de coisas que não estavam procurando.” Serendip, do sânscrito Sinhaladvipa, a ilha onde moram os leões, é antigo nome do Ceilão, atual Sri Lanka. Provavelmente Walpole utilizou como matrizes as palavras serenitas (serenidade) e stupiditas (estupidez) para designar um estado de espírito aberto a descobertas felizes feitas por acaso, mas não foi um bom leitor do conto persa, pois as descobertas ali narradas são feitas pelos três príncipes depois de sagazes deduções. De todo modo, serendipidade passou a designar descobertas como o pão, o vinho, a lei da gravidade, a penicilina e o velcro.
Tungar: provavelmente do sânscrito sthaga, salteador, pelo hindu tuggee, associação religiosa de ladrões que na Índia dos séculos 13 e 14 roubavam viajantes. Daí passou ao inglês thug, ladrão, matador, assassino, e chegou ao português. Tungar é proceder como eles. Outros pesquisadores dão como origem ora o tupi tunga, bicho-de-pé, ora o quimbundo ntunga, larva de mosca, sanguessuga. Mas é improvável queíndios e negros tenham nomeado o ato de roubar e enganar, às vezes seguido de morte, com tais palavras. Lançado em 1956, o filme A Volta ao Mundo em Oitenta Dias, inspirado na obra de Júlio Verne (1828-1905), tem uma cena em que, na Índia, David Niven (1910-1983) e Mario Moreno Reys (1911-1993), mais conhecido como Cantinflas, resgatam Shirley MacLaine (72), prestes a ser queimada por thugs na pira erguida para cremar o seu defunto marido. O trio faz, respectivamente, os papéis de Phileas Fogg, Passepartout e princesa Aouda. O escritor Josué Guimarães (1921-1986) adotou o nome do primeiro personagem como pseudônimo em crônicas publicadas no jornal Zero Hora, em Porto Alegre, nas décadas de 1970 e 1980. Tal como Phileas Fogg, o narrador de suas colunas era culto, elegante e pernóstico, freqüentava o jet set internacional e fazia mordazes comentários sobre a política brasileira, já naquela época repleta de personagens que tungavam o povo.