Etimologia
Fundamental no País, pelo abandono das ferrovias, estrada é uma redução do Latim via strata, via pavimentada. Já rodovia, uma sofisticação da estrada, formou-se do Latim via, caminho, e rotare, rodar, neologismo criado pelo presidente brasileiro Washington Luís.

Auto: do Grego autós, por si mesmo, presente em automóvel, do Francês automobile, ainda adjetivo em 1876, mas também substantivo a partir de 1890. Ao Português a palavra chegou em 1899, ainda que os primeiros automóveis já existissem em 1770, a vapor, e entre 1832 e 1839, movidos por motor elétrico. Mas o veículo a combustão, criado pelo alemão Karl Benz (1844-1929) em 1886, monopolizou o significado de automóvel. Os atuais automóveis pouco têm a ver com ele e se parecem mais com o modelo de 1916, o norte-americano Cadillac Type 53, já com chave de ignição, acelerador, freio, embreagem e marchas. Ao contrário do Alemão, que aceitou “auto” para designar automóvel, o Português do Brasil prefere carro, reservando lotação e ônibus para aqueles que fazem transporte coletivo. Auto, no sentido de peça de teatro ou de ato judiciário, provém do Latim actus, e como sinônimo de átimo procede do Latim tardio in atomo, num instante.
Banda: de origem controversa, podendo ter vindo do provençal bande, e este do gótico bandwa, estandarte, também origem de bando, adaptado do Latim bandum, senha, porque os exércitos godos se reconheciam mediante senha. Quando as estradas asfaltadas foram divididas em leitos específicos, para ir e para vir, separados por faixas amarelas ou brancas, predominou a denominação faixa esquerda, faixa direita, faixa central. Também as estradas imaginárias para transmissão de dados foram denominadas bandas, mudando de sentido e concebendo a onda para transmissão de dados eletromagnéticos como uma estrada. Hoje as informações chegam a celulares, tablets e computadores pela chamada banda larga. Por ali trafegam também dados de rádio, da televisão e as wireless, sem fio, já na quarta geração (4G), o que está causando engarrafamentos em horários de pico, como no trânsito.
Estrada: da redução do Latim via strata, via pavimentada, vindo strata de “ster”, uma raiz indo-europeia. Esta raiz está presente não apenas em estrada, mas também em prostrar e prosternar, deitar abaixo, pôr no chão. Os antigos romanos denominavam viae, plural de via, caminho, indistintamente os caminhos que os levavam de um a outro ponto da cidade, e de uma localidade a outra, no entanto aos poucos o Latim vulgar ruga passou designar tantos os vincos da face como as vias urbanas, as ruas. Rodovia: do Latim via, caminho, estrada, e rotare, percorrer, rodar, neologismo criado pelo presidente da República Washington Luís Pereira de Souza (1839-1957), cujo governo foi deposto a 24 de outubro de 1930 por uma junta militar, no bojo da Revolução de 30.
Mídia: do Inglês media, radicado no Latim media, plural de medium, meio. Em Portugal, diz-se e se escreve média. A mídia passou a designar, depois da invenção da imprensa, do rádio e da televisão, o conjunto de meios de comunicação social. Mas hoje já se faz necessário qualificá-la e separá-la em mídia impressa (jornais, revistas, catálogos, folhetos), mídia eletrônica (rádio, televisão) e mídia digital (internet, televisão digital, blogues etc). O romancista inglês Gilbert Keith Chesterton (1874-1936) jamais achou que o mundo piorava a cada dia, como dá a impressão a mídia: “Não foi o mundo que piorou. As coberturas jornalísticas é que melhoraram muito”. O jornalista norteamericano Abbott Joseph Liebling (1904-1963) escreveu que “as pessoas não param de confundir com notícias o que leem nos jornais.” E o político norteamericano Adlai Ewing Stevenson (1835-1914), vice-presidente do país, disse que “editor de jornal é quem separa o joio do trigo — e publica o joio.”
Sedã: do Inglês sedan, originalmente automóvel de carroceria coberta, de duas ou quatro portas, para quatro ou mais passageiros. A origem remota pode ter sido uma forma dialetal italiana que designa cadeira confortável, vinculada ao Latim sedes, de sedere, sentar. Um dos mais famosos modelos de sedã foi o cadilaque, palavra que ainda não entrou para os dicionários da Língua Portuguesa, vinda da marca Cadillac, companhia norte-americana criada em 1902. Notabilizou-se nos anos 1920 por oferecer carros com pinturas de várias cores. Seu glamour tornou-se lendário porque atores de Hollywood iam à pré-estreia de seus filmes nesse tipo de carro.