Emoções e asma às vezes andam juntas.Aprenda a evitar essas crises
Cada vez mais se comprova: a asma, ou bronquite asmática, pode ser desencadeada por fatores psicológicos. Se as suas crises persistem apesar do tratamento medicamentoso e da higiene ambiental adequados, provavelmente elas têm origem emocional. Atente às circunstâncias ao seu redor. O asmático deve ser visto como um todo, não só como dois brônquios inflamados.

“De repente, sinto falta de ar e disparo a tossir. Tento respirar, mas o ar não entra. A respiração fica curta. Parece que há um peso no pulmão. E, aí, anrrã, anrrã, anrrã… É como se gatinhos estivessem miando lá dentro… ” Com certas variações, é desse modo que os 18 milhões de brasileiros de todas as faixas etárias relatam aos médicos as crises de asma. Hoje, porém, os asmáticos têm grande probabilidade de ficar livres delas. Em geral, bastam: a) tirar de perto os agentes capazes de iniciá-las, os chamados desencadeantes. Variam de pessoa para pessoa.Ácaros, fumo, cheiros fortes, produtos químicos, mudanças bruscas de temperatura, remédios e pele descamada de animais domésticos são alguns; b) usar de maneira adequada e por longo tempo corticosteróides em baixas doses por via inalatória.
Na certa, alguém retruca: “Faço tudo isso e mesmo assim tenho crises…” Realmente, parte dos asmáticos pode ter crises desencadeadas por dificuldades emocionais. Só que muitas vezes a pessoa, os familiares e até os médicos não fazem essa relação. Talvez seja o caso de vários que estão nos lendo. Mas, antes de saber como isso ocorre, preciso esclarecer certas coisas.
Para começar, asma, ou bronquite asmática,é a mesma doença. Trata-se de inflamação crônica dos brônquios – aqueles dois canais em que se bifurca a traquéia e depois se ramificam nos pulmões. Predisposição genética é fundamental, mas não basta. É preciso contato com fatores desencadeantes.
Eu explico. Imagine um condomínio que recebe visitas o dia inteiro. Assim é o nosso organismo. Sempre que algum visitante novo chega, o sistema imunológico o cadastra e cria defesas contra os possíveis inimigos. Tanto que, nas próximas entradas, muitos serão reconhecidos pelo esquema de segurança e passarão tranqüilamente pelas guaritas, inclusive das vias aéreas (traquéia, brônquios e bronquíolos). Já em quem tem predisposição à asma, isso não acontece. Nos contatos posteriores com os mesmos visitantes, o organismo reage até com paus e pedras. Para se proteger, as vias aéreas se fecham rapidamente. É a crise de asma. Toda vez que uma ocorre, os brônquios se estreitam. Se não tratada corretamente, a inflamação fica lá e a asma se agrava. Detalhe: na crise, só inalação com broncodilatores funciona.
E onde entram as emoções? Quando a pessoa está nervosa ou tensa, o cérebro é ativado. Na hora, ele começa a “conversar” com os pulmões por intermédio de nervos que os ligam. Porém, no asmático, esse “papo” pode render problemas. É que os nervos produzem substâncias que contraem os brônquios, aumentam a secreção de catarro e inflamam as vias aéreas. Se esse processo durar muito ou for intenso demais, outras substâncias liberadas pelo organismo podem agravar a inflamação. Resultado: crise asmática.
Por isso, atenção. Se as suas crises persistem apesar do tratamento medicamentoso e da higiene ambiental, o desencadeante pode ser emocional. A propósito. Você se irrita facilmente, sente palpitações, nervosismo exagerado, dorme pouco ou muito, não tem prazer em suas atividades diárias? O sim a qualquer dessas situações é indício de componente psíquico na asma. Em crianças, irritabilidade e distúrbios do sono também apontam na mesma direção. Nesses casos, ao tratamento básico devem ser acrescidos atividade física e psicoterapia; e, eventualmente, antidepressivos ou tranqüilizantes. O asmático precisa ser visto como um todo, não apenas como brônquios inflamados. Se fizer isso, eu garanto: é grande a chance de você se livrar das crises; no mínimo, diminuir a gravidade delas e espaçá-las.