EM SINTRA, LUANA PIOVANI ANTEVÊ O FUTURO

Na antiga vila lusa, ela diz que casará com Dado Dolabella, pai dos bebês que planeja

As princesinhas que nos perdoem, mas Luana Piovani (32) é fundamental. Ao mesmo tempo autora e estrela de sua própria história, a paulista de alma carioca que estreou no palco aos 19 anos, ganhou fama na TV sem nunca se render a ela e é sincera a ponto de assumir que bom mesmo era voltar para o ator, cantor e compositor Dado Dolabella (28), com quem namorou oito meses e reatou em maio, após um ano e dois meses separados, seduz não só pela beleza, mas pela força e verdade. Em Portugal pela primeira vez por conta do 13º Meeting Internacional do Grupo de Líderes Empresariais, Lide, a convite do presidente deste, João Doria Jr. (50), ela fez breves incursões ao centro de Lisboa e à Sintra. A mesma Luana que escolhe rápido um relógio de ouro e brilhantes e roupas inglesas, emenda a sessão vip de compras atacando bife de lombo, saladinha e cerveja em restaurante sem estrela e pára o que estiver fazendo para fotos com fãs brasileiros, portugueses e angolanos. Nublada, a Sintra do ócio e veraneio da finada monarquia lusa ilumina-se à sua chegada. No sobe-e- desce de vielas, Luana fala do amor pelo filho dos atores Carlos Eduardo Dolabella (1937-2003) e Pepita Rodriguez (57), animase explicando o monólogo Pássaro da Noite, de José Antônio de Souza, que estréia no Rio neste dia 24, e anuncia novo e insuspeito papel: o de mãe. “Estamos atrás da cegonha. Quem sabe em março?”, diz ela, que em 2004 perdeu o bebê que esperava de Rico Mansur (33).

Bateu o relógio biológico?

– Bateu. Quero três filhos e vou adotar um. Acho legal e é bom miscigenar. O Brasil é tão colorido, porque não uma família colorida?

Já pensa em nomes?

– A menina vai ser Valentina, desde sempre. Para menino, falamos de João, mas nada certo.

Dado também está animado?

– A vontade de ser mãe sempre foi maior que a de ter filhos com Dado. Mas ele está animado. Queria para já. (risos) Mas antes estréio o monólogo, faço a temporada carioca em janeiro e em fevereiro e me mudo. Além de apartamento em São Paulo, tenho um no Leblon. É o meu reino. Mas vou vendê-lo e vamos comprar uma casa, talvez em um condomínio em São Conrado. Queremos um lugar onde Dado possa ter estúdio para compor. Ele tem dois cachorros, vem bebê aí. Temos de ter quintal. Não vou deixar de sair para tomar uma cerveja, de ir à praia. Mas a prioridade mudou.

Como se reconciliaram?

– Nos vimos na praia. A cachorra dele veio até mim e fez festa. Todo mundo ficou olhando. Ficou um incômodo, frio na barriga, mão suada. Se eu sentia aquilo tudo, era porque ele mexia comigo. O meu corpo me mostrou que Dado ali se fazia presente. O engraçado é que a minha superamiga Bebel Lobo disse que viu no meu olhar em foto feita ali o que aconteceria dois dias depois: a volta.

Porque haviam rompido?

– Preciso admirar quem amo e Dado vivia fase rebelde, menos admirável. Coisa da idade mesmo. Eu aos 22 anos, por exemplo, era o ‘cão’. Tudo o que ele fazia que me incomodava, não faz mais. Ele sabe que dou importância a certas coisas, como família. Mas sempre fui muito apaixonada por Dado. Até quando discutíamos, conseguíamos conversar. Brinco com ele dizendo que sei porque se apaixonou por mim: sou igual à mãe dele, realizadora nata. Dado agora só precisa reconquistar os meus amigos, que tomaram meu partido na época.

O que mais a atrai nele?

– Sei explicar a sensação de estar com ele. Nunca tinha tido a vontade de morar junto e a relação me fez querer estar cada vez mais próxima. É uma coisa de quanto mais tempo junto, melhor. Até o silêncio é bom. Outro dia eu estudava a peça e Dado uma cena da novela que faz na Record, Chamas da Vida. E estava tudo perfeito.

Vocês vão mesmo se casar?

– Sim. Quando eu era menina, sonhava casar na igreja. A prioridade hoje é viver com quem escolhi. O resto são maneiras lúdicas de celebrar. A idéia é fazer uma cerimônia íntima, sem tom religioso, já que eu e minha família somos evangélicos e Dado e a dele, católicos; e depois fazer festa para todos os amigos. Mas antes vamos organizar o ninho. Nosso dia não acaba no trabalho. A gente chega em casa e precisa estudar. Tem de ser um lugar propício à criação.

O monólogo desafia mais?

– Sim. Você rege a sua própria orquestra. Nem cenário terei. Há ainda o desafio de pela primeira vez explorar a sensualidade. A mulher da peça, desmemoriada, desnuda- se física e psicologicamente. É sedutora, mas não encontrou o amor, não faz o que gosta. Isso a distancia de mim. Temos em comum o falar sem medo e o amor pela liberdade, que me custa caro.

Qual é o preço?

– O da responsabilidade por mim mesma. Aos 16 anos abri a Luana Piovani Produções. Só enceno o que produzo, só faço o que quero. Tanto que só fiz uma novela inteira até hoje, Suave Veneno, na Globo. Acho pouco o que eles pagam por tanto empenho. Quando planejei o Xereta, programa infanto- juvenil, bati em várias portas e só ouvia: ‘Vamos, claro, mas antes vamos fazer uma novela?’ Desisti.

A gravidez encerra a turnê?

– Não. Posso atuar grávida. Não vôo ou pulo como em Alice e em O Pequeno Príncipe. Nunca tinha vindo aqui, onde eu sempre quis atuar. De repente, o convite de Doria. Sou atenta aos sinais da vida, não os deixo passar. Já estou negociando datas. Se der certo, estréio em Lisboa em abril. Dado terá terminado a novela. Podemos vir, passar um tempo aqui, eu em cena, ele compondo. Quem sabe se não engravido em Portugal?