Design e arte de Junko Koshino
Sucesso no Japão e fora dele, top estilista Junko Koshino "descobre" o Brasil

Muitos dizem que suas vidas renderiam uma novela. Mas apenas uma minoria, de fato, se tornaria tema de um folhetim na TV. Junko Koshino (73) integra este pequeno grupo. A estilista japonesa perdeu o pai ainda jovem e coube à mãe, a costureira Ayako Koshion, criar as três filhas: ela, Hiroko e Mishiko. Adultas, as três se tornaram grandes nomes da moda japonesa. Junko, um ícone internacional. Após o sucesso no Japão, abriu lojas em Paris, Nova York, China e diversos países da Ásia. De 1978 a 2000, desfilou na semana de moda francesa, criou uniformes para companhias aéreas, equipes de futebol, polo e até da F1. Também desenhou o figurino de óperas como Madame Butterfly e A Flauta Mágica e foi indicada ao Prêmio Tony pelo trabalho em Pacific Overture, na Broadway.
Recentemente, descobriu nova paixão, o Brasil. Após viagem ao País, em 2011, encantou-se pelos brasileiros e passou a vir com constância. Em fevereiro, desenhou roupas e adereços de ala da escola de samba de SP Barroca Zona Sul. Os bastidores do trabalho de Junko com a comunidade foi gravado para documentário da TV japonesa. Em novembro, a estilista volta ao Brasil para abrir a exposição Opa! Uma Alegre Revelação, no Instituto Tomie Ohtake, em SP, que une a sua obra a do artista plástico japonês Go Yayanagi (80).
– Como consegue criar para áreas tão diferentes?
– Quando se fala em moda, se pensa em roupa. Penso em design. Moda é algo maior. Desenho roupas, mas também uniformes de time de beisebol e até de sumô. Moda é transgredir fronteiras. Seja de países, de gêneros ou de formas.
– Sua exposição une moda e arte. A intenção é transgredir?
– Eu queria ser pintora. Amo pintar. Pintura é extensão da moda, são complementares, transgressoras. Geram o novo. Japoneses são curiosos, gostam do novo.
– Por que ama o Brasil?
– O brasileiro não é escravo da agilidade e tem uma ‘margem de manobra’ que permite a criatividade. Japonês tem de saber tudo nos detalhes. Atingimos no Japão um grau de excelência na prestação de serviços em todas as áreas, mas nos dizem até como devemos pegar o metrô. Isso fragiliza a pessoa. Nos tornamos menos criativos. Gosto da liberdade dos brasileiros.