Com a ameaça da gripe suína, fique atento às recomendações oficiais

Embora o mundo tenha montado um cerco ao vírus da gripe suína, ele vem se espalhando e no dia 8 já havia chegado a 24 países e causado 44 mortes. O Brasil contabiliza quatro casos da doença, como informou o Ministério da Saúde, mas não há motivo para pânico. É fundamental, porém, que todos estejam atentos e cumpram à risca as determinações dos organismos de saúde do país.

O mundo acompanha com preocupação as notícias divulgadas pela mídia sobre a gripe suína. Os primeiros casos surgiram no México, que já contabiliza 1112 ocorrências confirmadas. A Organização Mundial de Saúde, por seu lado, divulgou que há 2382 casos confirmados em 24 países, com 44 mortes – 42 no México e duas nos Estados Unidos. No Brasil, o Ministério da Saúde revelou, no dia 7, que já houve quatro casos da doença, mas os pacientes se recuperaram bem.

A gripe, vale relembrar, é causada pelos vírus influenza. Existem tipos de vírus influenza que provocam a doença em humanos e tipos que a provocam em aves, porcos e outras espécies animais.

O influenza caracteriza-se pela capacidade de sofrer mutações, de dois tipos: uma chamada menor e outra, maior. Mutação menor é aquela que ocorre praticamente todo ano, fazendo com que o vírus de hoje sofra pequenas alterações e não seja exatamente o mesmo no ano seguinte. Esta é uma das razões que fazem com que a vacina contra a gripe tenha de ser refeita anualmente.

Já a grande mutação, ou maior, só ocorre a cada 40 ou 50 anos. Pode aparecer de duas formas: quando um vírus que acomete apenas uma espécie, como as aves ou os porcos, sofre sucessivas pequenas mutações, até que em determinado instante adquire a capacidade de transmitir e causar a doença em humanos. Quando isso acontece, como os humanos não têm defesas contra ele, provoca gripes muito fortes, eventualmente fatais. Se adquirir também a capacidade de passar de um homem para outro, fica mais perigoso, podendo, aí sim, causar uma pandemia.

A segunda forma de mutação maior ocorre quando surge um vírus totalmente novo por processo conhecido como rearranjo genético. É o caso do vírus da gripe suína atual. Ele foi formado de um vírus influenza que acometia porcos, mais um outro de porcos, um terceiro de aves e um quarto de humanos. Cada um deles deu parte do material genético que formou a nova cepa, classificada de A/H1N1.

O microrganismo está se espalhando mundo afora. Estamos, pois, na iminência de uma pandemia. Ainda não sabemos qual é a letalidade deste vírus, ou seja, quanto dos infectados morrem da gripe suína. Na fase inicial da Gripe Espanhola de 1918 a letalidade foi baixa, elevando-se depois, numa segunda onda pandêmica. Só com o passar do tempo nós teremos esta resposta.

Os sintomas da gripe suína são similares aos da gripe comum: febre de início súbito, mal-estar, dor muscular e de cabeça, sintomas respiratórios e, em alguns casos, vômitos e diarréia. Em geral a gripe comum tem maior impacto em crianças, idosos e pessoas com a imunidade baixa. Mas os relatos preliminares da gripe suína mostram que metade dos óbitos no México ocorreram em adultos jovens.

O mundo montou um cerco ao vírus, mas hoje se admite que é impossível evitar que ele se espalhe. Assim, siga rigorosamente as determinações dos órgãos de saúde oficiais para evitar a contaminação. Se você tiver sintomas da gripe, finalmente, não importa onde estiver, procure logo os serviços de saúde habilitados para isso. Quanto mais rápida for a identificação da doença e o tratamento, claro, maior a possibilidade de cura. Já estão sendo desenvolvidas vacinas para o vírus A/H1N1, que devem estar disponíveis em até seis meses.