Casais devem conciliar o improviso masculino com os planos femininos

Mulheres gostam de planejamento e, por isso, muitos homens as consideram controladoras e chatas. Por outro lado, a preferência masculina pelo improviso faz com que elas os considerem infantis e irresponsáveis. O que todos devem entender é que essas diferenças de comportamento são naturais entre os gêneros e, desde que haja respeito, os parceiros podem conviver com elas.

Alberto Lima
Alberto Lima

Claro que as pessoas não são todas iguais, mas algumas características de gênero marcam o comportamento de cada um dos sexos. A maioria das mulheres, por exemplo, precisa de planejamento para se sentir segura. Já aos homens o que dá segurança é a habilidade para lidar com imprevistos. Quanto menos planejamento, mais livres e mais potentes eles se sentem, enquanto para elas o que dá a sensação de potência é a capacidade de garantir que as coisas aconteçam como devem. Das diferenças entre os gêneros, essa é uma das que mais geram conflitos, resultando em irritação, mágoa e aquele terrível impulso de “corrigir” o modo de ser do outro. Só que planejar e improvisar não são comportamentos certos ou errados. São apenas distintos.

Quando a mulher pergunta ao marido a que horas chegará do trabalho, na maioria das vezes não busca controlá-lo, como ele pensa. Quer apenas uma referência para planejar o jantar, adquirir ingressos para o cinema, liberar tempo para o namoro ou até poder ficar no trabalho até mais tarde. Tanto faz se ele vai dizer 19h10 ou 21h30. Tudo que ela quer é planejar a vida e evitar frustrações. O que imprime esse movimento à mulher é, em parte, sua relação com os fenômenos da natureza. Para ilustrar esse ponto, basta que nos lembremos de que a mulher menstrua a intervalos regulares e precisa se organizar dentro desse ciclo para coisas como visitas ao médico, a consciência dos períodos em que estará fértil e a disposição para certas atividades. O homem não vivencia nada análogo e, portanto, não encontra em sua experiência subjetiva qualquer padrão que lhe confira a necessidade de se planejar – esta pertence ao mundo do trabalho; se alguns gostam de planejamento em casa, isso se deve à sua personalidade, não a questões de gênero.

Quando, por sua vez, um homem liga e diz que em meia hora chegará para jantar com convidados, o que experimenta é apenas a alegria de disponibilizar a casa para os amigos. É possível, no entanto, que a mulher receba tal comportamento como falta de respeito, desconsideração para com ela e imaturidade.

Tais interpretações, e as críticas delas decorrentes (“Você é controladora e isso me irrita”, “Você é um irresponsável e isso me tira o chão”) revelam o quanto homem e mulher desconhecem a realidade um do outro, bem como a dificuldade que têm em silenciar a auto-referência em favor da empatia.

Mulheres não são chatas e controladoras. São seres com senso de organização e capacidade de gerir a vida em coletividade – no casal, na família, em uma empresa -, de modo a garantir que as necessidades de todos sejam contempladas.

Homens não são irresponsáveis, infantis e desrespeitosos. São seres com grande senso de criatividade e improviso, que prezam a liberdade de tomar decisões, sem ter de submetê-las à supervisão de qualquer instância além de seu coração.

A vida a dois requer o respeito a essas diferenças. Em conversas francas, a mulher pode clarear para o homem que suas perguntas não têm o propósito de controlá-lo, mas de angariar elementos que lhe permitam melhor organização. E nada impede que ele a sensibilize para o prazer que sente com o improviso. Se a despensa da casa for incrementada com alimentos de fácil preparo, por exemplo, os dois terão condições de fazer um jantar de última hora para os amigos sem sofrimento. Mantendo a possibilidade de fazer planos e a de improvisar vez ou outra, cresce a chance de o casal encontrar a harmonia.