por Bianca Portugal
A vida ensinou à modelo mineira Camila Alves (22) que ser rica não significa ter bens materiais. Para a top, namorada do ator texano Matthew McConaughey (37) – eleito em 2005 pela revista People o homem mais sexy do mundo e astro de filmes como Sahara (2005) – riqueza é ter sabedoria e jogo de cintura para encarar o mundo e enfrentar desafios. “Claro que moraria em um trailer. Gosto desse tipo de vida, com poucas coisas“, disse ela, brincando com o fato de Matthew morar em um trailer na praia de Malibu, Califórnia. Mesmo assim, o relacionamento de oito meses com o ator não é prioridade na vida da modelo, que nega veementemente os rumores de gravidez e casamento.
Camila garante que, apesar de saber que estar ao lado de Matthew atrai os flashes internacionais, sua maior preocupação ainda é com a profissão, um sonho que não mediu esforços para realizar. Há seis anos radicada nos EUA, ela chegou a ficar sem dinheiro para comer, sendo obrigada a trabalhar como diarista. “Ia para o McDonald’s com uma amiga que também fazia faxina. Sentava em uma mesa e esperava as pessoas saírem para pegar resto de batata frita e sanduíche“, contou.
Os tempos difíceis serviram apenas para motivar ainda mais Camila, que hoje saboreia uma realidade bem mais doce. Já fez campanhas para Dior, Levi’s e Palmolive e posou para os mais badalados fotógrafos de moda, como Bruce Weber (61) e Peter Lindbergh (62). Mas, ressabiada pelo difícil início, ela ainda não se sente segura. “Minha carreira ainda tem altos e baixos, mas sou persistente. Não espero que façam por mim. Quando não estou sendo muito contratada, ligo para a agência e pergunto o motivo. Se falam, por exemplo, que é porque estou precisando de fotos novas, eu mesma faço uma produção, peço para algum amigo fotografar, levo lá na agência e digo: ‘Está aqui. Agora vamos trabalhar’“, disse ela, que este mês se lança também como empresária em duas frentes: é sócia da nova boate Lótus, em São Paulo, e estréia como designer de bolsas com sua própria grife, a Coco Le Dune, que chega ao Brasil em janeiro.
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– Como conheceu Matthew?
– Em uma festa em Los Angeles. Freqüentei muitos ambientes ricos mesmo quando não tinha nada. Nunca me senti insegura ou inferiorizada. Devemos passar uma energia boa porque isso retorna para você. Vivi em mundos muitos diferentes, mas sempre enfrentei tudo com muita tranqüilidade.
– O que você gosta nele?
– Da simplicidade, do caráter e da honestidade. É admirável.
– São traços que busca em um homem?
– São.
– O casamento é um sonho?
– Cresci com a idéia de casar de véu e grinalda, mas não é um sonho. Quero o pacote completo: casa, marido, filhos, cachorro e papagaio, mas não precisa ser um casamento tradicional e nem ser já.
– Você passou dificuldades, como foi o início da carreira?
– Sou de Belo Horizonte e fui visitar uma tia em Los Angeles quando tinha 15 anos. Ela é ex-modelo e me levou à uma agência. Não sonhava com isso. Minha mãe até diz que quando criança via anúncios da Chanel em revistas e dizia que um dia estaria ali, mas sinceramente não me lembro. A agência topou me contratar, mas eu precisava tirar um visto especial para trabalhar como modelo. Isso demorou três anos e meio e nesse tempo tive que me virar.
– E como você se virou?
– Primeiro limpei casa. Trabalhava diariamente, sozinha, em uma casa de três andares com piscina externa e interna. Não podia fazer outra coisa porque não falava inglês. À noite, freqüentava a escola pública. Quando aprendi a língua, fui recepcionista em um restaurante e garçonete. Ficava em dois restaurantes: um mexicano que começava às 8h e um italiano que só terminava às 3h da madrugada.
– Hoje você tem diarista?
– Não. Eu mesma faço tudo. Sou organizada com a casa e com meu dinheiro. Eu administro tudo.
– Você gasta tudo o que ganha ou aprendeu a economizar?
– Economizo, mas sempre tive uma preocupação de cuidar um pouco de mim. Quando limpava casa, por exemplo, separava toda semana um dólar para comprar alguma coisa feminina. Falava para Cristina, a amiga que ia comigo ao McDonald’s, que não podíamos esquecer que somos mulheres. Então íamos às lojas de 0,99 e comprávamos o que desse, um grampinho de cabelo que fosse.
– Sua boa forma chama atenção. Como mantém o corpo?
– O verbo mais importante na minha vida é balancear. E isso inclui alimentação. Sou mineira. Adoro comer, mas procuro equilibrar sem ter que cortar nada.
– E exercícios?
– Fiz natação, caminhada e corrida a vida toda.
– Mas você tem curvas…
– Não gostaria de ser mais magra. Tenho 56 quilos em 1m76.
– Já pensou no futuro?
– Quero fazer um projeto social nos EUA. A idéia é me unir a pessoas experientes no assunto para fazer tipo um Criança Esperança, mas com renda revertida para o Brasil. Nos EUA, fala-se muito em ajudar a África e o Afeganistão. E por que não ajudar o Brasil?