Boi, do latim bove, declinação de bos, é o bovino macho castrado…
...O que escapa da castração e se torna reprodutor é chamado de touro, do latim taurus. Ambos os vocábulos aparecem em expressões diversas, como â¬Sbotar o carro adiante dos bois⬠e â¬Spegar o touro pelos chifresâ¬.

Aeromoça: da junção de aero, antepositivo de aéreo, e moça, feminino de moço, palavra que pode ter vindo do basco motz, que de início significou sem chifres, rapado, mas que veio a designar a pessoa ainda imberbe, não sem chifres, porém sem barba. Temos na língua esta designação poética e delicada para a comissária de bordo que, entretanto, no inglês continua sendo steward, palavra que designava antes apenas a atendente de clubes e mais tarde passou a ser aplicada às aeromoças. Na origem é ainda mais rude a designação, pois se chamava steward o guardador de porcos, que servia a quem tinha como maior tesouro o chiqueiro. Sty é chiqueiro em inglês e ward é vigia, guarda. Originalmente steward foi escrito stigweard. Na Idade Média, o guardador de porcos ou de outros rebanhos foi muito poderoso: ele alugava as terras e cobrava os devidos rendimentos. Por sua influência, tornou-se, com o correr do tempo, juiz, arbitrando conflitos na região em que vivia. No século 18, na Inglaterra, stewart era um lorde, funcionário de vastos poderes, que gozava do privilégio de ser recebido pessoalmente pelo rei.
Boi: do latim bove, declinação de bos, boi, é animal da família dos bovídeos, domesticado pelo homem e que lhe serve de alimento, além de lhe dar outros produtos, como o couro. Na pecuária, que é a atividade de criar bois, embora não se ponha em questão a orientação sexual do animal, a palavra que o nomeia é sinônimo de vaca, apesar de originalmente se referir apenas ao macho castrado. Ou seja, em se tratando de negócios, boi e vaca são a mesma coisa. O boi está presente em muitas expressões, de que são exemplos “boi de piranha” – animal que os boiadeiros sacrificam para as piranhas, que, entretidas em devorá-lo, deixam a boiada atravessar o rio – e “estar de boi”, designando, sobretudo no Nordeste, o estado da mulher menstruada. Já a expressão “botar o carro adiante dos bois” remonta aos antigos gregos, que diziam “hysteron proteron”, e aos antigos romanos, que usavam a equivalente “currus bovem trahit praepostere”. Na língua inglesa, existe expressão semelhante, aplicada a certas confusões religiosas, porém nascida do trabalho em minas de carvão e de metal: “Many religious folk set te plow before the oxen” (várias religiões populares põem o carro diante dos bois).
Colosso: do grego kolossós, pelo latim colossus, colosso, designando estátua em forma humana ou estatueta de madeira ou argila, indicando que o representado estava ausente do ritual. Mas depois da construção da estátua do deus Apolo, feita de bronze, em Rodes, na Grécia, em 292 a.C., passou a designar qualquer construção gigantesca. O naturalista e historiador romano Plínio (23-79) escreveu que o Colosso de Rodes tinha 70 cúbitos de altura, o que corresponde a 35 metros.
Paliativo: de paliar, do latim tardio palliare, cobrir, disfarçar, dissimular. Ganhou o sentido de encobrir porque a origem remota é um pano retangular utilizado pelos filósofos gregos para cobrir as costas, denominado pallium, em Roma. Também as hetairas ou heteras o usavam. Elas eram cortesãs, prostitutas de luxo e cultas, uma vez que viviam na companhia de homens sábios, com quem aprendiam e a quem às vezes ensinavam música e outras artes. Paliativo passou a qualificar o que cobre o problema, mas não o erradica ou evita, como se diz de medidas que não cumprem os fins a que se destinam. Elas são paliativas porque não resolvem – afinal não bastava pôr o pallium sobre as costas para se tornar filósofo ou hetera.
Touro: do latim taurus, touro, boi não castrado, usado como reprodutor. O touro está no jogo do bicho e no zodíaco, designando o segundo signo, que vai de 20 de abril a 20 de maio. Boi aparece em expressões comos “touro de ronda”, animal que os mineiros descendentes de bandeirantes levavam consigo mata adentro para, como disse o poeta Olavo Bilac (1865-1918), “plantar cidades”. Sua função era farejar as onças, enfrentando-as à noite e despertando os homens para matar o felino antes que atacasse o gado. Já “pegar o touro pelo chifres” é expressão de origem controversa, que pode ter vindo do tempo do rei inglês João Sem-Terra (1166-1216): em 13 de novembro, um touro era solto no mercado e ali era pego por populares, sacrificado e tinha sua carne vendida a baixo preço. Semelhante à farra do boi, realizada em Santa Catarina, o costume foi abolido só em 1840. A outra hipótese procede da Espanha: antes das touradas, audaciosos toureiros amadores invadiam os piquetes onde estavam os touros e os pegavam pelos chifres, revelando coragem. A expressão passou a designar ato de bravura.