AS VELEJADORAS FERNANDA E ISABEL NO CASTELO DE CARAS

Em NY, elas revelam que as diferenças foram fundamentais para conquistar o bronze em Pequim

Bronze em Pequim, as velejadoras Fernanda Oliveira (27) e Isabel Swan (24), primeiras mulheres brasileiras a ganhar uma medalha olímpica no iatismo, entraram no Castelo de CARAS, em Tarrytown, New York, surpreendendo a cada instante. Bonitas e charmosas – dois dos poucos pontos que têm em comum – elas contam que as diferenças foram fundamentais para o sucesso na classe 470.

Isabel, que pesa 66 quilos e mede 1m88, é mais tímida e está solteira. Já a agitada Fernanda, com 51 quilos em 1m61, está de casamento marcado para novembro em Porto Alegre com o empresário Diogo Horn (28). “O barco precisava de diferentes biotipos. A timoneira deve ser pequena e forte para sustentar a vela mestra. E a proeira alta e magra. Nos acostumamos com as diferenças e nunca brigamos. O que importava era a vontade em comum de vencer”, destaca Isabel. “As diferenças eram justamente os nossos pontos positivos. Se fôssemos parecidas, bateríamos de frente”, acrescenta Fernanda.

Apesar do ótimo clima e da amizade, elas resolveram que o melhor para o turo é que cada uma siga em raia própria. Isabel quer velejar sozinha, na classe Laser Radial.

Fernanda faz uma pausa na vida esportiva para realizar o sonho de subir ao altar. “Fiz uma aposta que, se eu fosse ao pódio, Diogo entraria na igreja com a medalha. Fiz minha parte”, contou Fernanda. “Mas só paro um mês. Depois começo a campanha para 2012”, acrescenta ela, que permanece na mesma categoria para as olimpíadas de Londres.

– Fernanda, como estão os preparativos para o casamento? – Sempre quis um casamento tradicional. Mas, na verdade, o que mais sonho é com a rotina, viver o dia-a-dia com Diogo.

– Deseja filhos logo?
Fernanda – Queria muito, mas tenho que velejar. Quero disputar a próxima olimpíada, é impossível engravidar antes de 2012.

– Isabel, não pensa em casar?
– No momento não. Já terminei dois namoros por causa da vela porque viajo muito.

– O esporte provoca ciúmes?
Fernanda – Diogo sempre me apoiou. O máximo que fala é que está com uma saudade boa. Mas também não dou motivos. No dia-a-dia, estou cercada por homens e uso apenas bermuda e camiseta. Mas não há margens para paqueras ou coisas assim.

– É possível ser atleta e manter a vaidade?
Fernanda – Sou vaidosa! Faço mão, toda semana, e pé, de 15 em 15 dias, além de depilação. Uso hidratante e sempre tenho protetor solar dentro da caixa de ferramentas, no barco, e protetor labial no salva-vidas.
Isabel – Era mais vaidosa antes, mas estou retomando os cuidados. Fiz dança do ventre para ficar mais feminina. Estava me achando bruta, velejando você fica masculina, falando palavrão.

– Quando começaram?
Fernanda – Tinha 11 anos e era uma brincadeira de colônia de férias. Mas nunca fiz nada para brincar. Sempre fui competitiva. Em seguida, fui participar de regatas.
Isabel – Fui criada no mar. A família do meu pai veleja. O barco para mim era uma casinha, mas comecei mesmo com 8, no optmist, o menor de todos. Quando tinha 15, larguei tudo e fui ser modelo. Só aos 18 voltei a velejar e a participar de campeonatos.

– Como uma pessoa se transforma em medalhista olímpica? Fernanda – As premissas básicas são força de vontade para treinar todo dia, bom técnico e a qualidade dos materiais, do barco e das velas. O que conseguimos graças aos patrocinadores, como a Nivea. Só se ganha velocidade com bons materiais e experiência.