Automobilismo: do francês automobilisme, automobilismo, de automobile, automóvel, carro, que se move por si mesmo, com seu próprio motor, sem força externa. Os antigos carros e bondes eram puxados por bois, cavalos ou burros. Em italiano, vindo igualmente do francês, existem automobile e automolisme. Em português, os nomes dos carros são masculinos, e femininos os das fábricas que os produzem. Em espanhol é masculino: o carro da Ferrari é “el Ferrari”. No alemão, automóvel é masculino também: diz-se “der Golf”, “der Porsche” etc. “Der” é o artigo masculino em alemão. Em francês e em italiano, automóvel é feminino. Mas, no português brasileiro, o coloquial está predominando e alguns carros estão mudando de gênero, por influência do italiano e do francês. Diz-se um Gol, um Corsa, um Astra, um Vectra, um Honda, porém “uma” Ferrari. Comentando o assunto, escreveu o jornalista Roberto Amaral Sharp, mais conhecido como Bob Sharp (66): “O que será que levou muitos, por gerações, a alternar o gênero dos carros, ora masculino, ora feminino? Há uma lenda urbana que diz que carro é masculino, sendo o Ferrari exceção à regra: ‘a’ Ferrari”.

Composição: do latim compositione, declinação de compositio, composição. Em latim, este “t” tem som de “s” e por isso é escrito com “ç” em português, como é também o caso de “ação”, actione; “exceção, exceptione; porção, portione. O verbo que designa o ato de compor é componere, compor, pôr junto, organizar de modo a que o que é juntado tenha harmonia e sentido, na escrita como na música. As primeiras composições poéticas eram apenas cantadas ou recitadas de memória, mas, depois que o gênero se consolidou, tornaram-se patrimônio das primeiras manifestações literárias da Grécia antiga, na forma de odes sobre diversos temas, e foram conservadas por escrito. Desse modo, sabemos que Anacreonte (século VI a.C.) fez odes ao amor, aos prazeres e ao vinho. Já Píndaro (518-438 a.C.) fez odes heróicas, exaltando os assuntos nobres e elevados. A poetisa Safo (entre os séculos VII e VI a.C.), considerada a décima musa por Platão (427-348 ou 347 a.C.), também fez odes, sobretudo ao amor e ao sexo; por isso os monges copistas medievais destruíram sua obra, da qual restaram apenas fragmentos.

Ode: do grego oide, canto com música, pelo latim ode, canto, composição poética do gênero lírico, isto é, cantada ou declamada ao som da lira, instrumento musical de cordas. Na Grécia como na Roma antigas, designava poesia de métrica variável, composta de cinco ou seis versos, alegres e cheios de entusiasmo. A origem do nome grego refere o verbo aéiden, cantar. As odes eram cantadas pelo aedo, como era chamado o poeta que praticava o gênero. Ele era cantor e compositor e apresentava composições religiosas ou épicas, ao som da lira ou da cítara. Os antigos aedos gregos inspiravam-se no mito de Orfeu, poeta e músico, filho da musa Calíope, invocada por Luís Vaz de Camões (1524 ou 1525-1580) para fazer seu grande poema de dez cantos, Os Lusíadas: “E agora tu, Calíope, me ensina/ O que contou ao Rei o ilustre Gama;/ Inspira imortal canto e voz divina/ Neste peito mortal, que tanto te ama”.Com suas odes, Orfeu encantava até os animais selvagens, como São Francisco de Assis (1182-1226) faria muito mais tarde com seus cantos e orações, como o Canto do Sol e o Canto das Criaturas. Ao descer ao Inferno em busca de Eurídice, sua esposa, que tinha sido picada por uma serpente, Orfeu encantou os guardas e conseguiu trazê-la de volta ao mundo dos vivos. Mas precisava cumprir um requisito: não olhar para ela até transpor a porta do Inferno. Ele se esqueceu disso e a perdeu para sempre, ficando inconsolável, sem querer mais mulher nenhuma. Foi morto pelas bacantes, invejosas de seu amor exclusivo. Com base no mito surgiu o orfismo, corrente religiosa que inspirou várias obras musicais, entre as quais as óperas do italiano Claudio Monteverdi (1567-1643) e dos alemães Christoph Willibald Gluck (1714-1787) e Jacques Offenbach (1819-1880), que se naturalizou francês.

Peixe-boi: de peixe, do latim pisce, e boi, do latim bove. Designa peixe de corpo arredondado, cabeça pequena, lábio superior fendido, com cauda em forma de remo, larga e arredondada. Mama durante dois anos, depois abandona a mãe e tem vida solitária, vivendo até os 50 anos. Por ser muito manso, é facilmente caçado e está em risco de extinção. Ambientalistas calculam que existam 500 peixes-bois-marinhos vivendo em águas costeiras no Brasil e 5000 peixes-bois nos rios amazônicos. O feminino de peixe-boi não é peixe-vaca, é peixe-mulher.