ALTA-COSTURA INVERNO 2008 GIVENCHY
Cuidado! As feras estão soltas!!

A turminha politicamente correta vai uivar diante do arsenal de peles milionárias que pontuam a coleção da Maison Givenchy. Nãonãonão, Monsieur Tisci não está nem aí. E vai que vai abusando das raposinhas e das raposonas inocentes, tricota peles e mais peles, mistura lãs, plumas e… crocodilos. Uiuiui! Claro que o resultado é cinematográfico, mas… sei lá. A verdade é que no mundo-fashion, my darling, o glamour está acima de tudo. Vai daí que mulheres felinas (não, eu não disse fellinianas) prometem provocar ais e uis, no hall (que eu adoro) do Four Seasons George V. Essa história começou em verdade nos arquivos da Maison, quando Tisci encontrou os “leopardos” do próprio Monsieur Givenchy (1955). Depois, se encantou com a silhueta de um fauno do video-performer Matthew Barney: uma calça pouf feita de carneiro da Mongólia (todo crespinho) versus um casaqueto curto justinho. De encantamento a encantamento, Risci, o imaginário, mergulha no mundo selvagem sem medo e reinventa as futuras divas (ou as bestas?) dos tapetes vermelhos (ou das florestas legendárias?). Olha só esse casaqueto incrível à esquerda, gola-patch ma-ra-vi-lho-so de escamas gigantes de couro, efeito réptil perigoso. Mas o fraque poderoso é de crocodilo de verdade, viu? As mulheresleopardos chegam a caráter, em total look África-urgente (do topo do capacete até a ponta dos sapatos). Existem peças com esse print que se “decompõem” – lindamente – sob um tule enfumaçado. Outras, trabalhadas em dégradé, parecem mais agressivas. Mas as deusas modernas, da vingança em ação, adoram, sabe como? O que mais?? Essas botas que não acabam nunca, nunca… Gostei da piadinha da Susy Menkes (editora internacional do Herald Tribune). Ela disse que as tais maxibotas pareciam tão difíceis de tirar quanto as luvas (bárbaras!) da Courtney Love, instaladíssima na primeira fila. Coisas da moda, queridinha. Não dá para explicar. E… pra que querer entender??
FOTOS: MARCIO MADEIRA