ALTA-COSTURA INVERNO 2008 ARMANI

Umas e outras, 30 anos depois...

ALTA-COSTURA INVERNO 2008 ARMANI
ALTA-COSTURA INVERNO 2008 ARMANI

Eram os anos 70 e “ele ficou encantado porque eu estava descalça, com as unhas pintadas de azul”. Mas – aiaiai – logo no dia seguinte ele se assustou com a imponência eficiente do meu terno de linho Armani, odiou a minha pressa, tipo “Café?, sorry, não dá mais tempo”, minha ansiedade exagerada, minhas viagens, etc.etc. Adeus meu saião hipponga, adeus fumacê relaxante, adeus meu amor, adeusadeus, tenho fotos com o Tripolli hoje, o dia inteiro. Amanhã? Tem Tripolli de novo, e… Ah, aconteceu o que só podia acontecer. Ele, o rapaz que curtia minhas unhas azuis (coisa dos anos 70), sumiu do pedaço. Agora, mais de 30 anos depois, penso nele… E penso – de quebra – no tal terno impecável do Armani, que, além de ter sido o pivô do fim do meu affair, era o objeto do desejo de todas as vips daquela época. Quem diria! Não é aquele “senhor terno”, também sumiu das passarelas?? Giramundo, giragira, a globalização está aí sacudindo o mundo como se fosse um chocalho e… nossa! Armani, com seus 70 e tantos aninhos sacudidos (ou chocalhados?), não vacila e – quer saber? – nunca foi tão sexy como agora. Seu inverno “privé” Alta-Costura fala de “peitinhos saltitantes”, tanto que o decote tomaraque- caia “cai fundo” (atinge o coração??), e quase sempre faísca ísca/ísca, bordado de cristais. As sandálias de plataforma, pintosas, cintilam também. Cores setentaças (tipo limão, limão pink, laranja) chegam assanhadíssimas (nas jaquetas pequenas e esculturais feitas de crocodilos do Pantanal) ou – de repente mais tímidas – piscando no forro de um casaco negro. Um over notívago, todo emplumado, com pinceladas de pink Schiaparelli, provoca ais e uis (exagerados??) da Courtney Love. Anyway, que virada-fashion! Ataques de cor chez Armani?? Volumes alta voltagem? Decotões very sexy?? O espanto é internacional. Uma jornalista americana atiça: “Signore Armani, por acaso anda tomando ácidos???” Nada disso. Ele é sabido, queridinha, e está atento e forte. Tanto que, para conquistar “o mundo” (existem mil mercados emergentes), tem a cara e a coragem de romper com os códigos puristas da própria grife. Claro: Shangai não é Milão, Dubai não é Nova York. E gosto (ou falta de gosto) de clientes ricaços (“cosa voi??”), isso não se discute…