À frente de Revelação, próxima novela do SBT, a estréia de Íris Abravanel (58) no mundo da teleficção possui números dignos de um autor veterano: são 164 capítulos estrelados por 51 atores. “Falaram que era um absurdo uma autora iniciante estrear com uma novela com mais de 50 atores. Pensando bem, é uma loucura, mas eu queria gerar empregos”, disse a mulher do empresário Silvio Santos (77), dono do SBT, sobre o folhetim eletrônico que movimentou quase quatro mil trabalhadores diretos e indiretos e reativou o núcleo de teledramaturgia da emissora. A grandiosidade da obra não pára por aí. A trama tem início em Lisboa (Portugal), passa por Madri (Espanha) e segue, no Brasil, na fictícia Tirânia, cidade cenográfica na sede da emissora, em São Paulo, sem esquecer das locações em Campinas e Jundiaí, no interior paulista. Para comemorar o lançamento da saga, que vai ao ar a partir do próximo dia 8, Íris reuniu o elenco para um almoço na Chácara Santa Cecília, em SP, e contou, com exclusividade para CARAS, detalhes da produção e do seu relacionamento com Silvio. “Hoje, o meu marido é a prioridade na minha vida. No casamento a gente passa por uma porção de fases e vale a pena não desistir nas horas difíceis, para, depois, desfrutar do melhor. Estamos vivendo algo muito legal”, revelou Íris, que montou um escritório na residência do casal para poder conciliar trabalho e vida pessoal. “Em casa, o que nos separa é uma escadinha em caracol. Eu o consulto bastante, e ele também me chama sempre que tem alguma dúvida sobre novos programas”, contou a nova novelista.
Foi justamente para apoiar os negócios dele que ela se lançou na teledramaturgia, interesse adormecido durante anos. “Vendo a dificuldade de Silvio em conseguir autores, já que a maioria está nas outras emissoras, eu me candidatei espontaneamente. Perguntei o que achava de eu escrever uma novela e ele respondeu: ‘se você acredita que pode, vai em frente’. E foi assim que nasceu o esboço de Revelação”. Para levar adiante a empreitada, Íris reuniu um time de sete roteiristas, a maioria iniciantes, assim como ela, supervisionados pelo veterano Yves Dumont (62). “Escrever é um ato muito solitário e eu gosto de trabalhar em equipe. É mais motivante”, explicou a autora, que se envolveu com todas as etapas da produção, desde o roteiro, passando pela cenografia e escalação do elenco até a entrevista dos grupos de discussão para medir a receptividade da trama. Só não se envolveu com a direção. “Tem sido muito interessante desenvolver um trabalho em profundidade”, falou sobre a novela, que mistura realidade e ficção por meio de histórias baseadas em fatos reais, como o racismo e o exílio de presos políticos durante a ditadura militar. “É um período da nossa história difícil de abordar por ser muito doloroso, mas, por outro lado, a gente não pode esquecer para que essas atrocidades não se repitam. Eu não posso falar muito sobre as coisas ruins que o homem é capaz de fazer para o semelhante que eu choro”, disse emocionada a teledramaturga.
Para dar vida aos personagens, foram convocados atores experientes e talentos promissores, numa troca de conhecimento e renovação. Integram a trama do SBT Antônio Petrim (70), Claudia Mello (48), Fábio Villa Verde (37), Janaína Lince (32), Sérgio Abreu (34) e Tainá Müller (26), que dão vida ao casal de protagonistas, e Thaís Pacholek (24), a antagonista. “Fazer uma vilã tão jovem foi um grande presente”, festejou a bela loira.
A próxima empreitada de Íris é Vende-se Um Véu de Noiva, adaptação da obra de Janete Clair (1925-1983), ícone das telenovelas. “Dentro do SBT, muita gente duvidou que eu fosse continuar. De fato, é um trabalho extenuante. Tem que abrir mão de feriado, sábado, domingo. Mas quando você começa a exercer a criatividade, tudo vira novela”, refletiu.