ETIMOLOGIA

Profissional importante ao longo de toda a história, ator vem do latim actor, ator, aquele que representa um papel tanto em peças teatrais, quanto em filmes e telenovelas. Já farsante provavelmente tem origem no italiano farsante, farsante, ator que trabalha em farsa teatral.

Ator: do latim actor, ator, o que faz as vezes de outra pessoa, que representa, do verbo agere, fazer. Designa aquele que desempenha um papel em peças teatrais, filmes e telenovelas. E ainda aquele que sabe fingir, representar, fazer de conta, designando, por isso, também o farsante. O francês acteur foi formado de action, ação, e acteur, ator, mediante confusão com o latim auctor, autor, que se misturou com actor, aquele que se mexe, que não fica quieto, que fala muito, o que por extensão resultou em orateur, orador.

Contrato: do latim contractus, contrato, do latim culto trahere, pelo latim vulgar tragere, arrastar, do mesmo étimo de trazer. Por isso a primeira pessoa do singular do presente do indicativo é eu trago e não eu “trazo”, como, com boa lógica, dizem as crianças, embora o português culto tenha mesclado as influências dos verbos do latim vulgar tragere e tracere, ambos com o mesmo significado de trazer. O contrato é assinado por duas partes que foram atraídas, trazidas ou arrastadas para os mesmos objetivos. Abstrato, substrato e distrato são do mesmo étimo. Na Idade Média vigia o tractor, funcionário que puxava, arrastava ou apenas trazia a tractoria, documento imperial que mandava abastecer as provas ou uma personalidade só durante expedições ou uma simples viagem. O contrato é um trato, do latim tractum, pedaço de couro, pano ou papel, em que dois se comprometem a fazer alguma coisa. Originalmente, cada um dos contratantes ficava com um dos pedaços em que era dividido. Desse modo, os sucessores poderiam provar que houvera um trato, vale dizer um contrato, entre os falecidos.

Deteriorar: do latim deteriorare, deteriorar, com o sentido de estragar, desgastar por atrito, como a mó faz com o grão de trigo no moinho. É verbo da mesma família de atritar, que veio do latim clássico atterere e do latim vulgar tritare, esfregar, moer. Trigo, do latim triticum, recebeu tal denominação porque o grão é triturado. Quando, no sacramento da confissão, o padre pede ao confitente que faça o ato de contrição, recomenda que faça com o seu coração o que o moinho faz com o trigo, para não deteriorar a relação com Deus. Quando se diz que a falta de diálogo deteriorou o convívio, quer dizer que a relação foi destruída, mas pode ser transformada em outra realidade, como ocorre depois da confissão e do perdão.

Estragar: talvez da raiz indo-europeia “ster”, com o sentido de estender, dilatar. Ganhou o sentido de prejudicar, destruir, arruinar. É da mesma família de estratégia e estratagema, operações deflagradas pelo estratego, comandante do stratós, exército, frota, para derrotar o inimigo. Também a palavra estrada, do latim strada, é de domínio conexo. Estraga-se a vegetação, e pedras são assentadas no lugar em que estavam os arbustos para que o exército possa ali transitar com suas tropas e máquinas de guerra. Também a palavra estrato tem o mesmo étimo geral. As sociedades e até as línguas têm estratos, camadas semelhantes às do leito das estradas.

Farsante: provavelmente do italiano farsante, farsante, ator ou atriz que trabalha em farsa teatral, representando atos burlescos ou ridículos. Designa também quem vive gracejando, que não leva nada a sério e, por isso, não merece confiança. A farsa, surgida no século XIV, é pequena peça cômica popular, de curta duração e poucos personagens, marcada por situações ridículas. Em geral, o farsante não apenas mente, mas também induz a alguma ou muitas mentiras ou ditos irresponsáveis. O palco é ocupado por farsantes quando é representada A Farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente (1465-1536), primeiro grande dramaturgo português. Inês despreza a proposta de Pero Marques, filho de um camponês rico, homem tolo e ingênuo, e aceita se casar com Brás da Mata, um pilantra, que a faz sofrer muito depois de casada. Viúva, ela se envolve com um falso ermitão, que a conduz à gruta onde vive para encontros libidinosos. Daí o mote usado pelo autor: “Mais vale asno que me leve que cavalo que me derrube”. No carnaval de 1995, a escola de samba Imperatriz Leopoldinense apresentou enredo que alterava o mote para Mais vale um jegue que me carregue que um camelo que me derrube lá no Ceará.

Tratoria: do italiano trattoria, tratoria, restaurante simples, de cozinha rústica, originalmente especializada em comidas feitas em casa, sobretudo massas. A maioria dos dicionários brasileiros ainda registra a grafia italiana, mas o Aulete Digital já tem tratoria. A origem remota é o latim trahere, trazer, pelo francês tracteur, provável origem também de trator, aquele que traz as pessoas para comer ali e que depois, pelo inglês tractor, veio a designar o veículo motorizado que arrasta carretas, grades, madeiras, coisas pesadas.