Aos 13 anos, a venezuelana Carolina Herrera (70) foi apresentada ao mundo da moda pelas mãos da avó, que a levou a Paris para assistir a um desfile do mestre espanhol de alta-costura Cristóbal Balenciaga (1895- 1972). A experiência foi definitiva para a dama de família abastada de Caracas, que anos depois frequentaria as listas das mais bem vestidas do mundo. Somente aos 40 anos, a partir dos anos 1980, Carolina passou de consumidora de moda a criadora, lançando a primeira coleção. Por 12 anos foi personal stylist de um ícone de elegância: Jacqueline Kennedy Onassis (1929-1994). Já consagrada, lançou a linha de perfumes, acessórios e cosméticos, com lojas nos EUA, onde vive, na Europa e Ásia. “A elegância é uma combinação de muitas coisas, não só do que se usa. A forma como se usa confere um toque pessoal”, ensina a grande dama, que tem na filha Carolina Herrera Jr. (39) a grande sucessora nos negócios. “Ser elegante é uma forma de se expressar que deve se adaptar ao próprio estilo. Não entendo algumas coleções que se definem como intelectuais”, disse a estilista.
Carolina dá lições de bom gosto e bom senso a cada frase. “A mulher deve aceitar sua idade. Se tem 50 anos e se veste como se tivesse 15, continuará sendo uma mulher de 50 mas vestida de forma ridícula. O que cai bem aos 15, não cai bem aos 30 e mais tarde será pior. A moda é visual, deve agradar aos olhos.”
A estilista, que foi casada por sete anos com Guillermo Behrens Tello, com quem teve Mercedes e Ana Luisa, se casou novamente em 1968 com Reinaldo Herrera, editor da Vanity Fair, tendo mais duas herdeiras: Carolina e Patricia. “Meu marido é a pessoa mais importante em minha vida, em todos os sentidos: companhia, amizade, amor. Junto com minhas filhas, formamos um elegante império”, afirma.
– A senhora aconselha as mulheres a seguirem a moda?
– Há mulheres que compram sem pensar se a roupa vai lhes cair bem. Por isso, digo que o acessório mais importante da mulher é um espelho de corpo inteiro, para avaliar o que realmente fica bem.
– E quanto à maquiagem?
– Igualmente, é preciso olhar bem o rosto e evitar o excesso.
– O que a senhora acha das séries de TV que formam tendências, como Sex and The City?
– Sex and The City é a antimoda. É a coisa mais ridícula que vi em minha vida. Essas atrizes que se transformam em ícones da moda deveriam ser mais responsáveis com o que decidem usar, pois as mulheres as copiam.
– Qual é o papel de uma boa fragrância para a elegância?
– O perfume é um acessório invisível que toda mulher deveria ter. É preciso aprender a identificar qual se adapta melhor a cada pele. É algo muito pessoal, que cabe a cada um descobrir.
– O que não pode faltar no guarda-roupa de uma mulher?
– Uma camisa branca, que combina com tudo. E é preciso ter um vestido de noite, uma peça que, embora para algumas seja pouco usada, visualmente fica linda. Em relação aos jeans, adoro usar, mas têm seu momento e ocasião.
– Como a senhora escolhe as cores para as suas coleções?
– A moda se baseia na cor e adoro misturar tons. Com os tecidos, ocorre o mesmo que na natureza: quando vamos a um jardim, vemos todas as cores mescladas, numa combinação maravilhosa. O segredo está em saber combiná-las. Em minhas fragrâncias também sempre há flores brancas, como rosas e jasmins. Adoro a variedade.
– Que sonho falta realizar?
– A vida é cheia de sonhos e nunca deixo de planejar o que desejo. Só não comento aqui porque sou supersticiosa, tenho medo que depois não se realizem (risos). Minha carreira tem lugar importante em minha vida, é o que faço há 26 anos e adoro Mas a família e meus mascotes estão em primeiro lugar. Ou seja, a moda vem depois de meu marido, minhas filhas, meus netos e os dois cachorros. Criar é maravilhoso, é emocionante estar envolvida sempre com algo novo. A moda nunca se detém, muda a todo momento, é efêmera. Isso me encanta, pois sou curiosa.