ETIMOLOGIA
As mães, do latim mater, mais uma vez ganham homenagem, do occitano omenatge, honra, neste segundo domingo de maio. Com certeza elas serão lembradas Brasil afora por muitos locutores, do latim locutor, escrito também loquutor, aquele que fala.
Capanga: do quimbundo kappanga, sovaco, designando pequena bolsa usada para levar e proteger junto ao corpo bens de valor. Nos anos 1970, passou a designar carteira que os homens carregavam nas mãos, fora dos bolsos ou presa à cintura. Por analogia, designa também guarda-costas. O ministro Joaquim Barbosa (54), em bate-boca no Supremo Tribunal Federal, em Brasília, no último dia 22, disse ao presidente Gilmar Mendes (53): “Vossa Excelência, quando se dirige a mim, não está falando com seus capangas de Mato Grosso”. Em 2007, por erro de audição, um dos ministros ouviu “caquético” em vez de “patético”, e ofendeu a mãe do outro. Em 2004, um deles chamou o outro para um duelo.
Gíria: provavelmente do étimo espanhol gíriga, jargão de trabalhadores da construção de casas e também de cesteiros, modo de falar surgido nas Astúrias, na Espanha, cuja denominação é ligada a jerigonza, geringonça. Algumas gírias se consolidaram na norma culta da língua portuguesa, de que são exemplos capanga, bolsa de mão; arquibaldo e geraldino, torcedores que nos estádios ficam na arquibancada ou na geral; loteca, loteria; repeteco, repetição; vidrado, apaixonado, por fixar os olhos de tal modo em alguém que pareceriam de vidro. Mas gírias em geral têm vida efêmera.
Homenagear: de homenagem, mais o sufixo “ar”, com exclusão do “m” final, como em pajem e pajear. É palavra que veio do occitano omenatge, vassalo, variante do francês hommage, coisa feita por homme, homem, gente simples, popular, aquele que trabalhava para o senhor, seigneur, dono, equivalente a sir, em inglês. Na Idade Média, designava cerimônia, em geral organizada pelos próprios senhores feudais, em que os vassalos lhes reiteravam juramento de fidelidade, subordinação, respeito e admiração. Homenagem mudou de sentido e passou a designar expressões similares a várias categorias, em especial a autoridades eclesiásticas, militares e civis, lembradas em dias específicos. No caso dos santos mais importantes, esse dia se tornou dia santo e, em outras celebrações, apenas feriado. Foi na esteira dessas mudanças que surgiu a homenagem do Dia das Mães.
Locutor: do latim locutor, escrito também loquutor, aquele que fala, cujo étimo está presente em várias palavras que referem os atos de fala, como colóquio, coloquial, eloquência, loquaz e solilóquio. Na linguagem coloquial, desde há alguns anos, por exemplo, os jovens, ao se encontrarem, usam uma variante para o clássico “Como vai?”: “E aí? Beleza?” O comentarista esportivo e médico Osmar de Oliveira (65) narra em Causos do Doutor Osmar a provável origem da expressão. “O locutor era um tal de Roberto Beleza, um tipo matraca que falava rápido e sem parar. Numa jogada de marketing, usava disfarçadamente o seu sobrenome – Beleza – para dar um fecho em notícias, informações ou lances importantes do jogo: ‘Que Beleeeza’ virou cacoete, um vício de linguagem”. Estava já tão viciado na expressão que, quando foi interrompido pelo plantão que informava a morte do ator Armando Bogus (1930- 1993), ele concluiu: “Que Beleza!” Percebendo ou alertado do quanto tinha sido infeliz, acrescentou: “Ih, cacete, agora fui mal!”
Mãe: de matrem, caso acusativo do latim mater, pronunciado madre no português dos primeiros séculos, de onde veio comadre, pela formação cum matre, com a mãe; depois commatre, segunda mãe, madrinha, diminutivo de madre, em relação aos afilhados, isto é, aqueles que são tratados como filhos verdadeiros por quem cumpre a função da maternidade, como fazem a madrinha e a mãe adotiva, na falta da mãe biológica. Os étimos mata, em sânscrito; máter, em grego dórico; méter, no grego jônico e no ático; e as formas latinas mamma, seio, e mammare, mamar, revelam possível influência na sílaba inicial das palavras que designam a mãe em vários idiomas.
Preito: do latim tardio placitum, de placere, agradar. Preito, homenagem, e pleito, reivindicação, têm o mesmo étimo, mas no segundo caso houve influência do espanhol pleito, disputa. O mais antigo preito às mães foi obra dos gregos do passado, que, na entrada da primavera, festejavam a deusa Reia, esposa de Cronos e mãe de Zeus, considerada mãe de todos os deuses. Na Inglaterra, no século XVII, surgiu o Mothering Sunday, Domingo das Mães, quarto domingo da Quaresma, dedicado às mães das operárias inglesas. O Dia das Mães, principal homenagem que recebem, surgiu nos Estados Unidos, em 1872, mas só foi oficializado no Brasil em 1932.