ETIMOLOGIA

Carma veio do sânscrito karma, designando retorno de ações praticadas agora ou em existências passadas, trazendo benefícios ou prejuízos. Xamã, por seu lado, do tungue saman, designa dublê de médico e sacerdote, capaz de invocar o bem e esconjurar o mal.

Aspecto: do latim adspectus, aproximação do objeto que se olha, pelo francês aspect, aspecto, forma de ver alguma coisa, de que são exemplos: “as frutas estão com bom aspecto”, indicando que boa aparência pode significar qualidade; “tinha aspecto de cansado”, revelando que o cansaço pode manifestar-se externamente; e “este é só um dos aspectos do problema”, neste caso como sinônimo de ângulo pelo qual algo pode ser considerado. Carma: do sânscrito karman, carma, todas as ações do homem e suas consequências, de acordo com filosofias de vida ainda vigentes na Índia. O carma retoma a transmigração e as metempsicoses, que explicam a vida das pessoas e põem o desejo como força geradora do destino num encadeamento de fatos que se explicam por si mesmos. No carma, entretanto, é mais explicado o sofrimento. Como os cristãos dizem que cada um carrega a sua cruz, no hinduísmo cada um carrega o seu carma.

Labrador: de Labrador, nome da península situada na região de Terra Nova, no Canadá, onde surgiu o cão que leva este nome e que ajudava os pescadores a puxar as redes e a trazer a caça abatida, sendo, pois, retriever, isto é, que traz de volta. Em inglês, o verbo to retrieve é buscar, recuperar. O labrador é um dos cachorros mais populares do mundo por sua doçura, eficiência em caçadas e buscas e boa companhia para todos. Há labradores pretos, amarelos e chocolate. De acordo com notícia veiculada pela BBC, de Londres, em março, um labrador chamado Tubby ajudou a reciclar 26000 garrafas de plástico em seis anos no condado de Torfaen, no País de Gales, como informou sua dona: “Em suas duas caminhadas diárias, o labrador recolhe, em média, seis garrafas encontradas no chão, antes de esmagá-las com a boca”. Já o parlamentar John Cunnigham, sabedor de que o faro dos labradores está entre os mais eficientes, disse: “Fico feliz de ele ter um nariz farejador para garrafas, e não ossos”.

Medicina: do latim ars medicinae, arte da medicina, pois desde as origens a ação de curar foi concebida mais como arte do que como técnica, sendo o feiticeiro confundido com o médico. Medicus, em latim, designa o médico e a substância que cura, mas também quem faz sortilégios. Devido a guerras sangrentas, consolidou-se na denominação o profissional capaz de fazer kheirourgia, curar com as mãos, não mais invocando espíritos, mas amputando membros feridos, estancando hemorragias, tratando de ferimentos. No latim, virou chirurgia, de onde chegou ao português, mas já designando especialidade da Medicina, praticada pelo cirurgião. Grandes escritores foram médicos, como o russo Anton Tchekhov (1860-1904), que se dividia entre as duas profissões, dizendo: “A Medicina é minha esposa, a Literatura é minha amante: quando me canso de uma, passo a noite com outra”.

Raio: do latim radius, raio, círculo de luz. O Aurélio define raio como “a luz que emana de um foco luminoso e segue uma trajetória reta em determinada direção”. Mas não é o caso do raio aparado pelo pararraios, que resulta de descargas elétricas que, partindo da Terra e descendo do céu, se encontram, fazendo o estrondo característico. Daí dizer-se que o raio cai, enquanto físicos afirmam que ele sobe. Outros raios de nosso cotidiano são os raios X, descobertos em 1895, pelo físico alemão Wilhelm Röntgen (1845- 1923). Ele não soube dizer que tipo de radiação era e por isso a denominou X. No começo do século XX, legisladores moralistas tentaram proibir seu uso, pois os aparelhos poderiam ser usados para ver a nudez das pessoas através de suas roupas. A bobagem foi logo descartada.

Xamã: do tungue saman, pelo inglês shaman, esconjurador, exorcista, feiticeiro, curandeiro. O tungue, parecido com o coreano e com o japonês, é da família altaica, grupo de línguas faladas nos Montes Altai, na Ásia Central, habitada por chineses, mongóis e russos. O xamã semelha um sacerdote a quem a comunidade confere poderes sobrenaturais, como o de invocar bons espíritos e esconjurar os maus. O pajé indígena faz as vezes do xamã. Foi por xamanismo que os índios guaranis vagaram por séculos em busca da Terra sem Males, utopia mística, jamais alcançada por eles, como mostra o filme República Guarani, de Sílvio Back (72). O xamã ou o pajé, em transe, que podia ser provocado pela ingestão de substâncias alucinógenas, fazia inclusive adivinhações e advertências.