ETIMOLOGIA

Foi um frade franciscano quem inventou a bebida feita de café e leite chamada capuchino, do italiano cappuccino, porque sua aparência lembra a cor do hábito dos capuchinhos. Sabático veio do grego sabbatikós, radicado no hebraico shabaton, dia ou ano de descanso.

Andarilho: de andar, do latim ambulare, andar, caminhar, passear, provavelmente reduzido para amlare, que deu andare em italiano, andar em espanhol e em português, aller em francês, anar em catalão. Andarilho designava primeiramente o lacaio, servo que seguia a pé atrás do senhor, que ia a cavalo ou em carroça ou carruagem. Veio a designar depois o peregrino, aquele que parte rumo a algum santuário, como é o caso dos que fazem o Caminho de Santiago, percurso de 800 quilômetros entre a França e a Espanha, em Compostela, onde está o túmulo de Tiago, o Maior (?-44), um dos 12 apóstolos. Alguns, contudo, escolhem fazer o trajeto de automóvel, a cavalo, de avião ou de trem, partindo de Madri ou de Lisboa. Quando o Dia de Santiago, 25 de julho, cai no domingo, a Igreja declara-o Ano Santo, o que voltará a ocorrer em 2010.

Capuchino: do italiano cappuccino, bebida feita com café e leite, assim chamada porque lembraria a cor das vestes dos frades franciscanos, chamados capuchinhos devido ao capuz que trazem preso ao hábito. Quem a inventou foi o frade franciscano Marco d’Aviano (1631- 1699). Ao se retirar de Viena, após a batalha de 12 de outubro de 1683, o exército otomano deixou para trás muitas sacas de café, intragável por ser amargo demais. O frade acrescentou mel e leite, tornando-o uma bebida agradável, associando-o ao croissant, pão em forma de Lua crescente, o símbolo islâmico, cuja fabricação foi autorizada pela Igreja porque foram os padeiros que, madrugando, denunciaram a entrada dos inimigos pelas muralhas.

Exegese: do grego ekségesis, exposição de fatos históricos, interpretação, comentário, do mesmo étimo do verbo ekségéomai, conduzir devagar, passo a passo, prestando atenção aos detalhes e assim explicar profundamente, interpretar, ligado também a hegéomai, marchar na frente. Foi o que fez com os textos fundamentais da Igreja o catarinense Genésio Darci Boff, mais conhecido como Leonardo Boff (70), frade franciscano que se tornou referência da Teologia da Libertação, ao propor a reconciliação da fé católica com a justiça. Depois de publicar Igreja, Carisma e Poder, em 1981, passou a ser perseguido pela hierarquia eclesiástica, que a ele se opôs duramente, servindo-lhe o mais amargo dos cafés: a punição em forma de uma atroz censura, ironicamente denominada “silêncio obsequioso”, levando-o a desligar-se da Ordem Franciscana e do sacerdócio em 1992. Um de seus principais acusadores, entretanto seu professor e admirador de suas primeiras obras, foi o alemão Joseph Ratzinger, atual papa Bento XVI (82), então arcebispo e cardeal de Munique, na Alemanha.

Jubileu: do grego iubelaíos, jubileu, traduzido do hebraico yobel, solenidade celebrada em Israel a cada 50 anos e anunciada pelo shofar, chifre de carneiro, soprado para marcar seu início. As dívidas eram perdoadas e os escravos libertados. O catolicismo assimilou o costume, mas diminuiu o ciclo para apenas 25 anos, quando o papa concede indulgência plenária. Indulgentia, em latim, é benevolência, perdão, mesmo étimo de indulgere, perdoar. O étimo está presente também em indulto, redução de penas aos presidiários, aplicada em datas importantes. Motivos extraordinários, como fatos religiosos novos, podem reduzir ainda mais o prazo dos jubileus na Igreja, que festejou o primeiro, depois chamado Ano Santo, em 1300, sob o papa Bonifácio VIII (1235-1303). O mais recente foi em 2000, no pontificado de João Paulo II (1920-2005).

Sabático: do grego sabbatikós, sabático, radicado no hebraico shabaton, de shabat, sábado, dia de descanso, quando termina a semana. Os hebreus contam a semana de modo diferente. Para eles, termina no sábado. O dia começa para eles no pôrdo- sol. O motivo é o que se lê em Gênesis 1,5, logo após a criação da luz: “E Deus chamou à luz, dia, e às trevas, noite. Assim fez-se tarde e manhã, o primeiro dia”. O descanso sabático não era só de um dia na tradição hebraica. O judaísmo o estendia para a ecologia. Homens e animais descansavam uma vez por semana e a terra, uma vez a cada sete anos: “O sétimo ano será de repouso completo para a terra, um repouso em honra do Senhor: não semearás o teu campo e não podarás a tua vinha”.