GRAZI MASSAFERA

Apaixonada, ela pensa em filhos, mas após estabilidade como atriz

Cautelosa, Grazi Massafera (26) opta pela modéstia para descrever a fase de sucesso na sua vida pessoal e profissional – tem contrato longo com a Globo, é estrela de inúmeras campanhas publicitárias e faz planos de casamento com o ator Cauã Reymond (28), que namora há pouco mais de um ano e meio. “Sou uma pessoa comum, aspirante à atriz. Acho que o público se identifica comigo porque sabe que eu sou bem simples”, analisa a protagonista da trama das 6, Negócio da China.

Mesmo ocupada com as gravações da novela, em que vive Lívia, ela vê diariamente o amado, seu maior incentivador. “Ele me ajuda, é muito estudioso. Dá palpite e sempre gostou dos resultados dos meus trabalhos”, comemora a Miss Brasil Beleza Internacional 2004, na Ilha de CARAS. O casal já vem circulando com uma aliança na mão esquerda. “Foi um presente dele no meu aniversário, em junho. Significa muito para nós dois, mas não é um símbolo de nada. O amor está dentro de cada um”, afirma a atriz.

De formação católica, a atriz faz questão de rezar antes de dormir ou entrar em cena. “Tenho uma Bíblia na bolsa e gosto de ler os salmos. Tem gente que acha que é besteira, mas temos que acreditar no que faz bem, né? Isso me fortalece”, afirma ela, que garante estar preparada para as críticas. “A vida foi me encaminhando, eu fui aceitando, seguindo, e as coisas foram acontecendo. Aprendi com as críticas”, afirma.

– Como as críticas a afetam?
– Sempre é chato ouvir. Não as críticas produtivas, mas as mesquinhas. Peço que tenham carinho ao falar do meu trabalho. A protagonista não é Jesus, não vai agradar a todos. Regravar cenas é algo normal, mas quando tive que fazer isso, virou o assunto da semana. Sei que quebrei tabus e não tenho preconceitos comigo. Faço análise uma vez por semana porque é importante para uma pessoa se conhecer.

– Cauã costuma ajudá-la no seu trabalho?
– Cauã não é o super-homem. Ele bem que tenta (risos). Me dá apoio, está ao meu lado e sempre que pode, me vê. Mas ele também grava, né? Está tão bem em A Favorita… Tenho orgulho dele.

– E o casamento?
– Quando for acontecer, eu prometo avisar (risos). Antes, pensava em uma festança, vestido bufante, mas mudei. O negócio é ter amor e ser feliz, não a pompa. Não moramos juntos, mas perto. Sempre nos encontramos à noite, diariamente, é nossa maneira de conciliar a vida. Trabalhar é muito bom, mas ficar com a pessoa que a gente ama, dá uma revigorada, né? (risos).

– O que prioriza na relação?
– Ser feliz. Estar satisfeita com você mesma é a primeira coisa para dar certo. Tem gente que se doa tanto e esquece de si. E relacionamento é uma troca. Sou muito decidida. Se não está bom, eu pulo fora mesmo. Prefiro sofrer logo tudo de uma vez. Mas Cauã foi uma escolha certa na minha vida. Não namoraria alguém se não fosse para ter sonhos junto.

– Você deve ser ciumenta…
– Sim, mas não a ponto de atrapalhar o trabalho dele. Ele não me prejudica, não é egoísta. Também acho melhor namorar uma pessoa pública, pois ela vai me entender melhor. Minha rotina é de trabalho, estou assim há três anos e se tirar férias eu piro.

– Você imaginava que faria todo esse sucesso?
– Eu era a esperança dos meus pais. A engraçada que colocava a camisola da mãe e saía desfilando com brinco de pregador de roupa. Minha orelha ficava roxa, mas eu não tirava (risos). Nasci querendo mais. A cidade de Jacarezinho, no Paraná, era pequena para mim. Mas nada acontecia e eu já estava conformada em trabalhar em loja de cosméticos ou de roupas.

– Falta algo na sua vida?
– Materialmente, não. O que eu sinto é falta da minha família. Por mais que eu tenha o Cauã, preciso do colinho de mãe, sabe? Profissionalmente, fazer bons papéis sempre. Também quero ter filhos. Talvez uns três, como a minha mãe. Só que antes ainda tenho muita novela para fazer.

– Como essa protagonista chegou para você?
– Quando acabei Desejo Proibido, estava certa de que ninguém agüentaria mais meu sotaque. Nem eu. O teste para a novela foi para mim mesma, queria ver se era capaz. Nem tinha fonoaudióloga na época. Vivo me testando, às vezes escorrego, levanto, a vida é assim.

– Foi difícil perder o sotaque?
– É um estudo. Tenho que pensar na palavra sem sotaque e falar. Mas não me concentro demais na frase senão perco o foco. Comecei a ouvir cantoras cariocas para mudar o “r”. Leio placas na rua e falo em voz alta para me acostumar ao som. Mas adoro meu sotaque!

– Já está preparada para um papel mais denso?
– Para fazer vilã, não! (risos). Tenho que saber meus limites. Eu me desafio muito com essa novela. Pego o medo, ponho em uma caixinha e dou lugar à coragem. O que almejo é chegar ao fim da trama com a força do início.