SHIRLEY MALLMANN

Em Tarrytown, paz com sua família

Uma das brasileiras pioneiras a brilhar em terras estrangeiras, há 12 anos Shirley Mallmann (31) deixou o Rio Grande do Sul para morar e trabalhar em New York. Com uma bem-sucedida carreira de modelo, ela conquistou o mundo da moda, estabilidade na profissão e uma família feliz.

O casamento com o maquiador americano de ascendência birmanesa Zaiya Latt (37), que conheceu em Manhattan, já dura uma década. O filho Axil (6) é americano, fala inglês e português, acompanha os pais nas viagens a trabalho e adora se hospedar em hotéis.

No Castelo de CARAS, em Tarrytown, eles apresentam o mais novo herdeiro, que tem o mesmo nome do pai e ganhou o carinhoso apelido de Zig, de apenas dois meses. Encantada com a paisagem às margens do Hudson River, Shirley conta sua feliz rotina de dona de casa, comemora as oportunidades da profissão depois dos 30 anos e revela seu plano de voltar para o Brasil.

– Com mais de dez anos de carreira, continua trabalhando?
– Não faço mais muitos desfiles, mas ainda sou uma modelo comercial. Já tenho 31 anos, mas, graças a Deus, mesmo com a maternidade e o passar da idade, não reduzi o meu ritmo de trabalho. Faço fotos para catálogos de moda e lojas de departamentos. O mundo fashion mudou. Hoje, o mercado está bem mais aberto para as modelos mais velhas, de 28 a 35 anos. Não trabalho todos os dias, mas o suficiente para ficar bem financeiramente.

– É uma boa dona de casa?
– Não sei se sou muito boa, mas sou uma típica mãe e dona de casa. Adoro a minha carreira, mas sei dividir bem o meu tempo entre trabalho e família. Não conseguiria ficar em casa o tempo todo, mas cuido pessoalmente do meu lar. Tenho faxineira, mas no dia-adia lavo a louça e faço a cama.

– Pretende amamentar o Zig por quanto tempo?
– Pelo menos até ele completar 4 meses, como fiz com o Axil. Adoro dar de mamar e sempre coloquei a saúde dos meus filhos em primeiro lugar, tanto que eles são fortes, nunca ficaram doentes. E é ótimo para o meu corpo, pois queima muitas calorias e ajuda a emagrecer. Dos 20 quilos que ganhei nessa gravidez, já perdi 10, em dois meses, sem dieta.

– A maternidade mudou completamente o seu ritmo de vida?
– Quando trabalhava freneticamente no mundo fashion, tudo que sentia falta era de estabilidade, casa, família e um lar para onde voltar à noite. O mundo da moda é muito louco e agitado e te faz perder um pouco o senso da realidade. Depois que se tem família e filhos, percebe-se que a vida não é só isso. O glamour e a badalação são apenas o seu trabalho, o seu meio de ganhar dinheiro, pois a realidade está em casa. Essa é a grande diferença. Agora estou completa, tenho os dois lados.

– O Zaiya é um paizão?
– Ele é ótimo, um companheirão. Levanta à noite, troca fralda, dá banho no bebê e me ajuda com as obrigações da casa.

– Seu filho mais velho tem hábitos tipicamente americanos?
– Eu e meu marido não temos uma cultura americanizada. Mas, na escola, o Axil só tem amigos americanos e está crescendo com a mistura de hábitos e culturas. Fazemos questão de que ele nos acompanhe nas viagens e aprenda a se adaptar às mudanças. Ele adora hotel, por exemplo. Eu o deixo pular na cama e fazer a bagunça que é proibida em casa.

– Como é a relação dos seus filhos com o Brasil?
– Tento ir ao país pelo menos três vezes por ano, a cada quatro meses. Até o Zig nascer, o Axil era o único neto. Meus pais sofrem por ficar longe e eu também sinto muita saudade. Mas, agora, ele está na escola e fica mais difícil de viajar.

– Vocês pensam em voltar a morar no Brasil?
– New York é a melhor cidade do mundo para se morar e trabalhar, mas queremos criar nossos filhos perto de nossa família. Só estou esperando mais um pouco por causa da minha carreira. E também precisamos arrumar alguma coisa para fazer lá.