Há um grande vento frio cavalgando as ondas, mas o céu está limpo e o sol é muito claro. Duas aves dançam sobre as espumas assanhadas. As cigarras não cantam mais. Talvez tenha acabado o verão.
Rubem Braga (1913-1990), escritor capixaba.

Quero apenas que te outonizes com paciência e doçura. O dardo de luz fere menos, a chuva dá às frutas seu definitivo sabor. As folhas caem, é certo, e os cabelos também, mas há alguma coisa de gracioso em tudo isso: parábolas, ritmos, tons suaves…
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), poeta mineiro, compara a estação que começa no dia 20 à maturidade.

O tempo se desfaz em cinza fria,/ E da ampulheta milenar do Sol/ Escorre em poeira a luz de mais um dia.
Dante Milano (1899-1991), poeta carioca, no boletim poesia.net.

Uma névoa de familiaridade obscurece de nós a maravilha de nossa existência.
Percy B. Shelley (1792-1822), poeta inglês, em Uma Defesa da Poesia (Landmark).

Nunca o silêncio gritou tanto/ nas ruas da minha memória.
Cassiano Ricardo (1895-1974), poeta paulista.

Saudade é canto magoado/ No coração de quem sente/ É como a voz do passado/ Ecoando no presente.
Patativa do Assaré (1909-2002), poeta cearense.

A injustiça da natureza acostuma a gente aos seus golpes.
Machado de Assis (1839-1908), escritor carioca, no livro Machado de Assis (Imprensa Oficial), de Alfredo Pujol (1865-1930).

A esperança, (…)/ Para quem sofre/ Ela é o pior dos males que há no mundo,/ Pois dentre os males é o que mais engana.
Alberto de Oliveira (1857-1937), poeta fluminense, no livro Alberto de Oliveira – Melhores Poemas, de Sânzio de Azevedo (Global).

A vida é bem curta; aborrecer-me, freqüentar imbecis, fingir, dar a entender que os considero inteligentes, ah, não! Não posso.
Marcel Proust (1871-1922), escritor francês.

A recompensa do trabalho é a alegria de realizálo. Quando termino um trabalho, estou pago.
Luis da Câmara Cascudo (1898-1986), folclorista e historiador potiguar.

Esse negócio de entender de uma coisa, tem de amar. Quando você ama, isso cria uma capacidade. Você se interessa pela coisa, você começa a olhar.
Tom Jobim (1927-1994), compositor carioca.

Um bom elogio pode me deixar inspirado por dois meses.
Mark Twain (1835-1910), escritor norte-americano, no livro Mistérios da Alma, de Luiz Alberto Py (Best Seller).

A vaidade quer aplauso.
Marquês d’Azeglio (1798-1866), político e escritor italiano.

A boa consciência ri-se das mentiras da fama.
Ovídio (43 a.C.-17), poeta romano.

É melhor morrer sabendo do que viver na ignorância.
Antônio Maria (1921-1964), cronista pernambucano.

A raça humana/ Não pode suportar muita realidade.
T.S. Eliot (1888-1965), poeta norte-americano naturalizado inglês.

O sonho é um país longínquo que só existe dentro de nós.
Eno Teodoro Wanke (1929-2001), engenheiro e poeta paranaense.

Bem sabes tu, Senhor, que o bem melhor é aquele/ Que não passa, talvez, de um desejo ilusório./ Nunca me dês o céu… quero é sonhar com ele/ Na inquietação feliz do purgatório.
Mário Quintana (1906-1994), poeta gaúcho.