Bem-estar e Saúde / síndrome de Guillain-Barré

Médico alerta para doença que deixou ator paralisado e já atingiu Gianecchini: ‘Rigidez’

Médico explica sinais que indicam complicações graves e exigem atenção imediata no caso de ator

Cody Hively ficou quase um mês internado
Cody Hively ficou quase um mês internado - Foto: Reprodução/Instagram

Cody Hively (28) foi diagnosticado com a síndrome de Guillain-Barré, uma doença rara que pode comprometer os movimentos de várias partes do corpo e provocar dor e desconforto. No caso do ator norte-americano, ele ficou totalmente paralisado em 2022, aos 26 anos, precisando ser internado e mantido em um ventilador mecânico por quase um mês.

Na época, o artista não conseguia respirar sozinho e dependia do suporte da Medicina para sobreviver e iniciar sua recuperação. Ele contou à imprensa que não conseguia falar, se alimentar e até mesmo piscar, precisando da ajuda de enfermeiras para umedecer os olhos.

Em entrevista à CARAS Brasil, o Dr. Guilherme Henrique Porceban, médico ortopedista especializado em cirurgia de coluna, explica os sinais de alerta que indicam complicações musculoesqueléticas e exigem atenção médica imediata.

“Alerta aceso quando a dor neuropática piora ou muda de padrão, quando a rigidez progride apesar do programa, quando surgem deformidades visíveis, quedas e piora da marcha, ou quando o ombro fica doloroso com perda acelerada de mobilidade, quadro compatível com capsulite adesiva. Essas situações pedem reavaliação para ajustar analgesia, órteses e o ritmo de progressão dos exercícios de forma segura”, explica.

O médico destaca ainda a importância da fisioterapia aliada ao acompanhamento ortopédico para garantir a recuperação dos movimentos. Isso porque a doença pode ser extremamente agressiva em alguns casos, como aconteceu com Cody.

“É a espinha dorsal da recuperação. A fisioterapia executa a dosagem de mobilidade, fortalecimento e treino funcional; a ortopedia calibra o ‘quanto’ e o ‘quando’, previne complicações mecânicas, ajusta órteses e protege as articulações até que a reinervação e a força sustentem movimentos mais exigentes. Esse encadeamento, monitorado por métricas clínicas e, quando necessário, por estudos como a eletroneuromiografia, encurta o caminho entre a fase aguda e a autonomia com o menor rastro de sequelas possível”, afirma.

Por fim, o Dr. Guilherme ressalta o papel fundamental dos familiares e cuidadores na rotina ortopédica do paciente em casa. “Garantindo a continuidade do plano entre as sessões: auxiliam nos alongamentos e mobilizações ensinados, conferem o uso correto de órteses, organizam o ambiente para reduzir risco de quedas e ajudam a economizar energia nos períodos de fadiga. Observar pele e postura, além de registrar alterações de marcha ou de dor, acelera ajustes na conduta e evita complicações”, finaliza sobre a recuperação do paciente diagnosticado com a doença que também atingiu o ator brasileiro Reynaldo Gianecchin (52)i.

Dr. Guilherme Henrique Porceban (CRM: 169162-SP) é médico pela Universidade de São Paulo (USP) com residência em Ortopedia e Traumatologia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, especialização em cirurgia de coluna, com mestrado pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Atua como preceptor na UNIFESP e integra o corpo clínico dos hospitais HCor, Hospital Israelita Albert Einstein e Hospital Sírio-Libanês com interesses de pesquisa na área de aplicação de inteligência artificial generativa na medicina.