Renata Banhara segue dieta para tratar doença e especialista alerta: ‘Não é indicada’

Em entrevista à CARAS Brasil, a cirurgiã vascular Aline Lamaita advertiu sobre a dieta cetogênica utilizada por Renata Banhara para tratar lipedema

Renata Banhara compartilha que irá seguir dieta especializada após diagnóstico de doença
Renata Banhara compartilha que irá seguir dieta especializada após diagnóstico de doença - Foto: Reprodução/Instagram

Renata Banhara, 50, revelou na última semana que está passando por dificuldades em sua saúde. Após passar um período morando nos Estados Unidos, a apresentadora foi pega de surpresa ao descobrir que está no climatério, período que marca o fim da fase reprodutiva para a pré-menopausa, além de ser diagnosticada com lipedema.

Em busca do tratamento, a apresentadora compartilhou com o público que seguirá uma dieta cetogênica enquanto segue com o acompanhamento médico especializado para o seu caso: “Não sabia que tinha lipedema nos braços e nas pernas. E ainda estou no climatério. Engordei 15 quilos, estou cheia de gordura, com dores, sem sono e com desejo zero. Só uso camisetão porque tenho vergonha de roupa justa”, disse Renata Banhara.

A cirurgiã vascular Dra. Aline Lamaita conversou com a CARAS Brasil sobre o diagnóstico da musa dos anos 2000, a relação entre o lipedema com as mudanças hormonais enfrentadas durante o climatério e explicou os benefícios da dieta especializada de Renata.

“O lipedema é uma doença crônica e progressiva caracterizada pelo acúmulo anormal e desproporcional de gordura, especialmente nos membros inferiores e, em alguns casos, nos braços, sempre respeitando mãos e pés”, explicou a especialista. “A gordura acumulada no lipedema não responde à dieta ou atividade física como a gordura relacionada à obesidade, e geralmente vem acompanhada de dor ao toque, inchaço ao longo do dia e facilidade para formar hematomas”. 

Segundo a cirurgiã vascular, o diagnóstico é clínico e deve ser feito por um médico treinado com base na avaliação dos sintomas, histórico familiar, exame físico e exclusão de outras causas: “Exames de imagem, como o ultrassom, podem ser utilizados para avaliar a associação com insuficiência venosa ou linfedema, e ajudar na decisão diagnóstica mas não há um exame específico que confirme o diagnóstico por si só”, afirmou.

Os sinais mais comum a que se deve ficar atento são o aumento desproporcional do volume das pernas ou braços, com gordura simétrica e resistente a dietas; dor constante ou ao toque, sensação de peso, inchaço que piora ao longo do dia e melhora com o repouso, e tendência a hematomas mesmo com traumas leves.

Aline explica que quando não tratado, o lipedema pode piorar progressivamente, com agravamento da dor, limitação funcional e piora importante da qualidade de vida: “Além disso, a sobrecarga física e emocional pode levar a quadros de ansiedade, depressão e isolamento social, já que muitas pacientes se sentem incompreendidas e desvalorizadas mesmo nos ambientes médicos”, disse a médica.

“Muitas pacientes relatam frustração por “fazer tudo certo” e ainda assim não conseguirem melhorar o contorno corporal”, relatou Aline. “O lipedema é uma doença com forte influência hormonal, e é comum que ele se manifeste ou se agrave em fases de transição hormonal, como puberdade, gestação e climatério”. 

No climatério, ocorre a queda dos níveis de estrogênio, o que altera a distribuição de gordura e o comportamento do tecido adiposo, o que pode intensificar sintomas. Além disso, também existe uma tendência natural à perda de massa muscular nessa fase.

“O tratamento do lipedema é sempre individualizado e multidisciplinar”, explicou a cirurgiã vascular. “Ele inclui orientações nutricionais com foco anti-inflamatório, prática regular de atividade física  como caminhada, pilates, musculação ou hidroginástica, uso de roupas de compressão, fisioterapia especializada com técnicas de drenagem linfática e, em alguns casos, o uso de medicações que auxiliam na microcirculação e controle da dor”. 

Fases mais avançadas, ou quando há escolha da paciente, e sempre após compensação com tratamento clínico, pode ser indicada a lipoaspiração especializada, que tem como objetivo aliviar sintomas, melhorar a mobilidade e trazer mais conforto ao paciente. No entanto, durante o climatério, ajustes no tratamento são comuns, já que é um momento que exige grande monitoramento para garantir o melhor controle possível da doença.

No caso de Renata Banhara, o tratamento está sendo alinhado junto com uma dieta cetogênica com perfil anti-inflamatório. Ela é baseada na redução drástica de carboidratos e o aumento do consumo de gorduras boas e proteínas, o que ajuda a reduzir os processos inflamatórios crônicos associados ao lipedema. 

“Um dos objetivos é diminuir a dor, o edema e estabilizar a progressão da doença, além de favorecer a perda de peso em pacientes que também tenham obesidade associada”, esclareceu a especialista. “É importante reforçar que essa não é uma dieta indicada para todas as pacientes, e precisa ser adaptada à fase de vida, estado metabólico e estilo de vida de cada uma”.

A Dra. Aline também enfatiza que, apesar de poderem estar associadas e coexistindo, lipedema e obesidade são doenças diferentes e, no geral, a dieta cetogênica é utilizada como estratégia temporária para perda de peso, mas não utilizada de forma definitiva como estilo de vida.

Ainda segundo a cirurgiã vascular, apesar dos benefícios, a dieta cetogênica não é isenta de riscos e pode causar queda de energia, alterações intestinais, dores de cabeça e perda de massa muscular se não for bem equilibrada. 

“O ideal é que esse tipo de dieta seja sempre conduzido por um nutricionista com experiência em lipedema, que adapte o plano alimentar às necessidades e fase hormonal da paciente”, concluiu.

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Dra. Aline Lamaita é cirurgiã vascular (CRM: 101355) membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia, do American College of Phlebology, e do American College of Lifestyle Medicine. Formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (2000), hoje dedica a maior parte do seu tempo à Flebologia (estudo das veias). Possui ccurso de Lifestyle Medicine pela Universidade de Harvard (2018) e pós-graduação em Medicina Integrativa e Longevidade saudável. Também possui título de especialista em Cirurgia Vascular pela Associação Médica Brasileira / Conselho Federal de Medicina. @alinelamaita.vascular