Especialista explica as diferenças entre menopausa e menopausa precoce
Após Fernanda Lima falar sobre a menopausa no programa Fantástico, da Globo, uma médica endocrinologista explica os sintomas e as diferenças entre menopausa e menopausa precoce

A menopausa é um período natural na vida da mulher, marcado pelo fim da menstruação e pela redução da produção de hormônios femininos, principalmente o estrógeno. Tanto que a apresentadora Fernanda Lima falou sobre sua experiência com a nova fase da vida em entrevista no programa Fantástico, da Globo. No entanto, quando esse processo ocorre antes dos 45 anos, recebe o nome de menopausa precoce, e há ainda a menopausa prematura, que acontece antes dos 40 anos.
Para esclarecer essas diferenças e os impactos na saúde feminina, a endocrinologista Alessandra Rascovski explica que, apesar de semelhantes nos sintomas, a idade faz toda a diferença no acompanhamento médico e na necessidade de intervenções como a reposição hormonal.
“Em termos de sintomas, tanto a menopausa comum quanto a precoce incluem ondas de calor, suores noturnos, secura vaginal, diminuição da libido, dores nas articulações, cansaço, irritabilidade, falhas de memória e ansiedade”, detalha Alessandra. Segundo a especialista, o que muda é a idade de ocorrência e a intensidade do acompanhamento necessário.
Principais diferenças
- Menopausa comum: geralmente ocorre após os 45 anos; sintomas físicos e emocionais são monitorados conforme a mulher envelhece naturalmente.
- Menopausa precoce: acontece antes dos 45 anos; exige atenção médica maior, pois os efeitos hormonais podem interferir em projetos pessoais, como a maternidade tardia.
- Menopausa prematura: manifesta-se antes dos 40 anos; casos precoces costumam demandar reposição hormonal, uma vez que os efeitos da falta de estrógeno podem impactar a saúde óssea, cardiovascular e reprodutiva.
A experiência de Fernanda Lima
Aos 48 anos, Fernanda Lima decidiu falar com sinceridade sobre a menopausa e os impactos profundos que essa fase trouxe para sua vida pessoal. Em entrevista ao Fantástico, da Rede Globo, a apresentadora revelou momentos desafiadores e chamou atenção para a necessidade de ampliar o diálogo sobre a condição, que ainda é cercada de tabus.
“Teve uma noite, em específico, que eu acordei fritando igual a tampinha da marmita. Eu comecei a suar muito, levantei da cama e fiquei um tempo parada no escuro pensando: isso não é normal”, recordou Fernanda. “Passei a segunda, terceira, quarta noite acordando no mesmo horário… foi uma semana intensa”, completou.
Além das ondas de calor e suores noturnos, a apresentadora destacou que a menopausa impactou diretamente sua vida íntima. “O mais chocante da menopausa para mim foi perder a libido. Não ter vontade de transar me afeta como mulher e afetou meu casamento”, afirmou.
Fernanda ressaltou que sua experiência evidencia como os sintomas vão além do físico, atingindo a vida afetiva e emocional, reforçando a importância de conscientização e informação sobre a menopausa.
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Fatores que influenciam a menopausa precoce
Alessandra destaca que diversos fatores podem antecipar a menopausa: doenças autoimunes, cirurgias, tratamentos oncológicos como quimioterapia, estilo de vida, exposição a disruptores endócrinos (plásticos, agrotóxicos, corantes e conservantes) e histórico familiar. “Se a mãe teve menopausa precoce ou tardia, a filha tem maior probabilidade de seguir o mesmo padrão”, explica a médica, reforçando que a genética desempenha papel essencial na longevidade da função ovariana.
A especialista também alerta que a idade da menarca, embora tradicionalmente associada ao início da vida reprodutiva, tem influência menor sobre a menopausa precoce. “É importante que mulheres que desejam engravidar mais tarde monitorem a saúde hormonal desde cedo, pois a diminuição da reserva ovariana pode surpreender”, afirma.
Sintomas e impactos
Além das alterações físicas, a menopausa precoce pode afetar a vida emocional e íntima. O acompanhamento médico adequado ajuda a minimizar os sintomas, preservar a saúde reprodutiva e sexual, e reduzir riscos futuros à saúde geral.
Segundo Alessandra, “mulheres com menopausa precoce ou prematura devem receber orientação individualizada, incluindo reposição hormonal quando indicada, pois os reflexos hormonais se prolongam por décadas, e a expectativa de vida hoje é mais alta”.
O esclarecimento sobre as diferenças entre menopausa comum, precoce e prematura é fundamental para que mulheres e profissionais de saúde possam planejar intervenções, prevenção e qualidade de vida ao longo da vida adulta.