Psicóloga interpreta o silêncio do filho de Preta Gil no adeus à cantora: “Forma mais corajosa”

Segundo a especialista, o filho da cantora revela em sua expressão a maturidade de quem ama até o fim. Veja a análise completa.

Francisco Gil se despede da mãe, Preta Gil
Francisco Gil se despede da mãe, Preta Gil - Foto: Victor ChapettaAgNews

Francisco Gil (30), filho único de Preta Gil (1974–2025), foi visto em um momento comovente no velório da cantora, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, nesta sexta-feira, 25. O herdeiro da artista foi clicado fazendo carinho na mãe, enquanto outros amigos e familiares seguiam afastados para deixá-lo mais confortável na despedida.

Emocionado internamente, Francisco mostrou serenidade e, a todo momento, esteve reflexivo. Em entrevista à CARAS Brasil, a psicóloga Larissa Fonseca explica que é compreensível que algumas pessoas não desabem emocionalmente em período de luto.

“Apenas silenciam. E esse silêncio diz muito. O semblante do filho de Preta Gil, parece carregar exatamente isso: uma paz serena que não apaga a tristeza, mas revela compreensão. Como se ele soubesse que a mãe, depois de tanta luta, finalmente descansou”, analisa.

“Conviver com uma doença grave muda a relação com o tempo. Cada dia é vivido com intensidade, mas também com despedidas sutis. Quem cuida vai se despedindo aos poucos. E quem ama, aprende a amar no limite. Por isso, quando a morte chega, ela não vem como surpresa. Vem como alívio. Como fim da dor. Como um ponto final que respeita quem já não tinha mais forças para seguir. O semblante do filho não carrega revolta. Carrega fé. Uma fé que não precisa ser dita, mas sentida”, complementa.

A especialista afirma que, em muitas tradições espirituais, o sofrimento na Terra tem valor. É visto como caminho de crescimento, purificação, até mesmo redenção. “A morte, então, não é punição, é passagem. Um descanso merecido. Em algumas linhas cristãs, entende-se que depois de tanto sofrer, a alma é acolhida. Nas filosofias orientais, há a ideia de que tudo o que vive se transforma. A dor não seria o fim, mas parte da transição”, fala.

“Talvez por isso o olhar do filho emocione tanto. Porque ali não está um menino em desespero, mas um homem que entendeu que amar também é permitir que o outro vá em paz. E que, depois de tanto sofrimento, não há maior prova de amor do que aceitar a partida. É preciso muita coragem para ver no fim… o começo de um descanso”, ressalta. “Quando a dor termina, o amor permanece. E o semblante de quem ama continua dizendo, em silêncio, o que as palavras não conseguem sustentar”, conclui a especialista.

Larissa Fonseca Psicóloga Clínica* - CRP 06/113289 Doutoranda Unifesp em Ansiedade, Depressão, Estresse, Sono e Sexualidade Feminina Pós Graduação na Universidade Federal de São Paulo Psicóloga Clínica há 16 anos com abordagem cognitiva comportamental. Comunicadora com formação há 22 anos habilidade em linguagem e redação Especialista clínica em Ansiedade, Crise de Pânico, Burnout e Sono. Desenvolvedora de programas de saúde mental corporativa e treinamentos em liderança. Capacitação em psicologia do sono (instituto do sono). Psicofarmacologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUS-HC), Terapia Breve em Emergências pelo instituto Foccus. Membro da Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP) e Membro da Associação Brasileira de Sono (ABS)