Médico explica quadro de Laura Neiva e aponta sintomas: ‘Diagnóstico desafiador’
Em 2020, Laura Neiva falou sobre o diagnóstico de epilepsia; entenda a seguir o que é o quadro e seus principais sintomas

Em meados de 2020, Laura Neiva (31) falou publicamente sobre o diagnóstico de epilepsia. À época, a atriz compartilhou sua experiência e reforçou a importância de falar sobre a doença, que em muitos casos ainda é um tabu, e incentivou outras pessoas a buscarem informação e apoio.
Para entender melhor o que é o quadro que atinge Laura Neiva e saber quais são seus principais sintomas, a CARAS Brasil entrevistou o neurologista Saulo Nader. O membro oficial da Bárány Society ressalta a importância de estar atento aos sinais, já que o diagnóstico pode ser desafiador.
O que diz o especialista?
O médico explica que a epilepsia é uma condição neurológica crônica, caracterizada pela predisposição do cérebro a gerar crises convulsivas. “Essas crises são causadas por descargas elétricas anormais e excessivas no cérebro.”
“Pode parecer complicado, mas pense assim: o cérebro funciona com eletricidade –e na convulsão, em certos momentos, ocorre um ‘curto-circuito’ que desliga uma área do cérebro ou ele todo“, explica o especialista. Nader acrescenta que os sintomas podem variar e, por isso, o diagnóstico se torna mais desafiador.
“Os sinais variam muito, e isso é o que torna o diagnóstico mais desafiador. Muita gente associa epilepsia apenas à crise convulsiva clássica (com perda de consciência e movimentos involuntários), mas existem outros tipos de crise“, completa ele, que lista os sintomas abaixo:
- Sensações estranhas no estômago ou na cabeça;
- Alterações de percepção;
- Perda breve de contato com o ambiente;
- Movimentos repetitivos involuntários (como mastigar ou piscar);
- Medo repentino sem motivo.
“Essas manifestações podem ser os primeiros sinais. Um detalhe importante: ter uma única crise não significa epilepsia. O diagnóstico exige duas ou mais crises não provocadas“, completa o neurologista, que atua com expertise em tontura.
O impacto da epilepsia no Brasil
No Brasil, a epilepsia é considerada uma condição neurológica comum. De acordo com dados do Ministério da Saúde a doença afeta aproximadamente 2% da população, o que corresponde a cerca de 2 milhões de pessoas. No ano de 2023, estimava-se que, destes, 25% não tinham o quadro controlado.
O tratamento é feito com medicamentos que evitam as descargas elétricas cerebais anormais e o Sistema Único de Saúde (SUS) presta assistência por meio da Política Nacional de Atenção ao Portador de Doença Neurológica.
Ainda segundo o Ministério, a rede de atendimento ao portador de epilepsia hoje é composta por hospitais habilitados no SUS como Unidade de Assistência ou Centro de Referência de Alta Complexidade em Neurologia/Neurocirurgia e com o Serviço de Investigação e Cirurgia da Epilepsia.
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