Etimologia
Prática por meio da qual se emporcalham as cidades no país, grafitar vem de graffiti, do italiano falado e escrito nos Estados Unidos, designando inscrições em paredes e muros. Já macumba tem origem controversa, vindo possivelmente do quimbundo kumba, privilégio.
Chifrudo: de chifre, do espanhol chifle, vasilha semelhante ao chifre do boi para guardar líquidos e munições. O sentido migrou para as guampas do gado vacum, com mudança do encontro “fl” para “fr”. Passou a designar o homem que consente com o adultério da esposa. Nas Ordenações Filipinas, marido e mulher eram punidos desta maneira: “açoutados e degradados para o Brasil”. O terceiro era degredado para a África, mesmo que o marido o perdoasse.
Grafitar: de graffiti, do italiano falado e escrito nos Estados Unidos, plural do italiano graffito, gerando graffiare no italiano. Designa inscrições, em desenhos, letras ou outros sinais, feitos em prédios públicos, imitando vestígios encontrados em antigas rochas, sem que às vezes se possa definir a datação precisa. O cineasta americano George Lucas (65) deu o título de American Graffiti (1973) a um filme que no Brasil se chamou Loucuras de Verão. Foi rodado em menos de um mês. O longa-metragem tem outras curiosidades. A atriz Cindy Williams fez testes para interpretar uma personagem, mas fez outra. A cena em que Charles Martin Smith (56) pula da moto que bate em um prédio, logo no início, não estava no roteiro. É que o ator perdeu o controle do veículo, mas o diretor decidiu inseri-la na montagem final. Harrison Ford (67) recusou-se a cortar o cabelo, já que seu papel no filme era pequeno; ele mesmo sugeriu então que seu personagem usasse um chapéu. O número da placa do carro do personagem John Milner, vivido por Paul Le Mat (63), é THX-138. É uma referência a THX 1138, filme de estreia do cineasta. Foi também muito barato para os padrões americanos, custando só 770000 dólares. Como fez sucesso, teve uma sequência, More American Graffiti sem a mínima repercussão. Grafitar patrimônio público é crime que pode ser punido com multas e detenção de seis meses a dois anos.
Macumba: tem origem controversa, provavelmente do quimbundo kumba, privilégio, antecedido da partícula ma, indicativa de plural. Antenor Nascentes (1886-1972) acha que a palavra provém de dikumba, cadeado, porque os ritos tratam de fechar o corpo. Informante filho de ex-escravos, disse tratar-se de reunião de muitos kumba vivos, dançarinos que invocam kumba mortos para que compareçam, com o demônio, para celebrar pactos e feitiços.
Punhal: do latim vulgar pugnale (pronuncia-se punhale), instrumento para pugna, luta. Designa arma branca, de lâmina curta, penetrante e pontiaguda. Em latim, lutar é pugnare. Vários escritores detiveram-se no tema, escrevendo sobre o punhal. O argentino Jorge Luis Borges (1899-1986) tem um poema intitulado O Punhal: “Outra coisa quer o punhal./ É mais que uma estrutura feita de metais;/ os homens o pensaram e o formaram para um fim muito preciso;/ é de alguma forma eterno,/ o punhal que esta noite matou um homem em Tacuarembó/ e os punhais que mataram a César”. S. p. q. r.: da expressão muito cara ao Direito, significando que a demanda tem sua razão de ser no que querem o Senado e o Povo Romano: Senatus Populusque Romanus. A partícula “que” equivale a “et”, ambas significando “e”. Historiadores afirmam que era uma forma de os romanos debocharem dos estandartes sabinos: “Sabino Populo Quis Resisteret?”(Quem resistirá ao povo Sabino?).
Xispeteó: da abreviatura X.p.t.o., assinatura paleográfica do nome grego de Cristo, Christós, ao tempo da perseguição aos cristãos, nos primeiros séculos em Roma, que criaram o famoso tetragrama com as letras gregas X (som de Ch), P (com som de R), T (em grego, tau ou tê) e O (ómicron, com som breve). No século IV, o cristianismo tornou-se a religião oficial romana e o símbolo deixou de ter a importância que tinha. Mas permanece em paramentos eclesiásticos. No século XIX, um vinhateiro, segundo nos informa Marcus Cláudio Acquaviva (66) em Etimologias e Expressões Pitorescas, chamou X.p.t.o um vinho de alta qualidade. Como poucos conheciam o grego, mas muitos apreciavam vinho, dali por diante qualquer coisa de qualidade superior passou a ser definida como xispeteó. O conceito passou a ser aplicado a roupas, bebidas, doces, profissionais.
Zelote: do grego zelotés, de zêlos, ardor, ciúme, designando integrante de um movimento político deflagrado na Palestina entre os anos 6 e 70 da era cristã. Tinha o fim de combater a dominação romana. Vários atentados foram praticados por sicários (do latim sicarius, de sica, punhal), matando muitas pessoas. Foram enfim aniquilados por Tito (39-81), que aproveitou e destruiu também o templo de Jerusalém.