BOTOX PODE SER USADO TAMBÉM NO TRATAMENTO DE BEXIGA HIPERATIVA

A síndrome da bexiga hiperativa não é letal, mas tem grande impacto na qualidade de vida dos portadores. De início, o tratamento é feito com remédios e fisioterapia pélvica. Dão resultado em 70% dos casos. Uma das terapias que se usa nas situações restantes é a aplicação de botox. É eficaz em 70% dos pacientes. O inconveniente é que tem de ser repetida após seis a dez meses.

Diz-se que uma bexiga é hiperativa quando apresenta contrações involuntárias que podem levar à necessidade súbita de urinar, ao aumento da frequência das micções e à incontinência urinária. A bexiga, vale relembrar, é um resevatório de parede muscular que acumula a urina produzida pelos rins. Sua capacidade é de cerca de 400 ml. Na maior parte do tempo ela permanece relaxada e armazena urina. Quando acumula 100 ml a 150 ml, a bexiga já manifesta desejo miccional. Mas pessoas sadias que não podem urinar nesse instante se controlam e o fazem no momento adequado. Os homens se controlam até que sua bexiga acumule 400 ml de urina; as mulheres, 350 ml. Ao urinar, o músculo da bexiga (detrusor) se contrai, o esfíncter (válvula) se relaxa e a urina sai pela uretra. Em portadores de bexiga hiperativa este mecanismo está alterado. De repente ela se contrai para expulsar a urina e têm de ir à toalete senão molham a roupa.

O tratamento desta síndrome é feito, de início, com medicamentos, que evitam que a bexiga se contraia, e fisioterapia pélvica. Também é importante que o paciente mude o padrão comportamental quanto à ingestão de líquidos e às idas à toalete. Em um dia no qual tenha compromissos importantes, por exemplo, é prudente que diminua a ingestão de líquidos e vá à toalete antes de sair de casa ou de entrar em uma reunião no trabalho.

O remédios funcionam em 70% dos casos de bexiga interativa. Nos 30% restantes, vem se usando nos últimos anos a neuromodulação e a injeção de botox (toxina botulínica) no interior da bexiga. As aplicações são feitas em hospital sob anestesia geral leve. O procedimento dura por volta de 40 minutos. Introduz-se um aparelho com câmara – para o médico acompanhar o que faz – e agulha pela uretra do paciente que vai até o interior de sua bexiga. Aplica-se então o botox em 30 a 45 locais do músculo. A substância o torna flácido, o que o impede de se contrair. É eficaz em 70% dos casos. O inconveniente é que o procedimento precisa ser repetido em seis a dez meses, porque a substância perde a eficácia.

A síndrome da bexiga hiperativa pode aparecer em homens e mulheres por alterações neurogênicas e/ou miogênicas ainda não totalmente esclarecidas. Pode ocorrer após infecção urinária. O processo inflamatório provoca certo desarranjo no tecido da bexiga, fazendo com que passe a contrair-se a estímulos menores, ou seja, a quantidades menores de urina armazenada.

Diabéticos também podem apresentar bexiga interativa, pois o diabetes danifica a inervação que controla a contração do reservatório. Outro grupo que às vezes tem o problema são portadores de hiperplasia benigna da próstata. A causa é esta: o crescimento prostático dificulta a saída de urina da bexiga. Ela faz cada vez mais força para expelir o fluido, o que leva a alterações em seus tecidos e ao disparo involuntário do desejo miccional.

O último grupo que pode apresentar estes sintomas são os indivíduos que sofrem acidente vascular cerebral ou derrame, pois danificam os tecidos cerebrais e interferem no funcionamento da bexiga.

A síndrome não é letal, mas prejudica muito a qualidade de vida. Novas terapias podem reduzir os sintomas na maioria dos portadores.