Reflexões pós-separação previnem erros nos novos relacionamentos
Depois de romper um relacionamento amoroso, em vez de querer esquecer logo o ex e iniciar outro compromisso apressadamente, o melhor é parar por algum tempo para pensar no que não funcionou e no que realmente se espera de uma nova união. O questionamento sobre o passado é muito importante para se evitar que uma receita equivocada se repita no futuro.
Muita gente que se separa reluta em pensar na relação encerrada e isso não é bom. Os questionamentos que surgem logo após uma separação são tão importantes quanto aqueles que compõem o clima anterior ao rompimento. Prostrados ou agitados demais, porém, os recém-separados preferem se distrair, se ocupar com amenidades, numa espécie de cultura do entretenimento, estimulada por amigos e familiares. O máximo que admitem é cuidar de providências concretas, como mudança de casa ou de documentos. No mais, tentam direcionar esforços para, rapidamente, refazer antigas amizades e arriscar novos contatos.
Compreensível. Antes da separação é comum que se gaste muita energia refletindo sobre os prós e os contras da ruptura. Afinal, há algo urgente a ser definido. Trata-se tudo ou nada. E, sendo a dor muito forte, acompanhada de apreensão, dúvidas e sentimento de desamparo, é razoável que a pessoa não queira se sobrecarregar com mais reflexões.
Mas essa postura pode não ser a melhor. Não que o recém-separado deva se pré-ocupar, mas seria interessante que ao menos se ocupasse de algumas questões relativas ao relacionamento anterior e à nova situação. A reflexão pode ajudá-lo a enfrentar o momento e a se reorganizar internamente para conquistar uma nova união viável e mais feliz.
A primeira das questões a se colocar é bem óbvia: “Agora que fiquei sozinho, o que estou procurando?” Cada pessoa tem suas necessidades, que eventualmente são esquecidas ou deixadas em segundo plano no casamento. É hora de buscá-las. Podem dizer respeito a trabalho, a um hobby, ao bemestar físico, aos amigos ou à família original.
Outro assunto a ser avaliado é: “Por que meu casamento não funcionou?” A pergunta gera três focos de reflexão: quais vícios o casal adquiriu ao conviver, quais eram exclusivos de um e quais eram do outro. De um lado, tratase de entender que o casal funciona de modo complementar e ambos têm responsabilidade na condução do vínculo. De outro, é bemvinda uma análise sobre a repercussão de ações e reações individuais.
A ideia não é remoer o passado, buscar culpas. As pessoas fazem o que conseguem. Mas a reflexão previne que se incorra nos mesmos erros no relacionamento seguinte.
Um bom olhar sobre o que pode ter levado à ruptura – sem que isso se transforme em julgamento moral – nos levará à pergunta: “O que eu posso mudar em mim, antes de buscar outra relação?” E também: “Será que antes de entrar em outra relação eu não deveria ficar sozinho por um tempo?” Claro que há situações em que já existe uma terceira pessoa envolvida e a separação vem justamente em consequência disso. Mesmo assim, há que se pensar bem sobre se é o caso de já formalizar a nova relação ou se valeria a pena esperar um pouco.
Além dessas indagações básicas, há outras. Como se não seria bom ter algum contato físico e emocional com o ex para checar o acerto da decisão tomada, ou se os conselhos clichês dos amigos – do tipo “esqueça o passado” ou “cuide de você” – não interferem demais na sua atitude.
Após uma averiguação relacional, a pessoa poderá responder àquela que talvez seja a mais importante das questões: “Estou bem para ir em frente ou preciso da ajuda de um profissional?”